Os Construtores Gregos e Romanos na Gênese da Maçonaria Simbólica
Resumo Preliminar
Este artigo explora a influência histórica, simbólica e espiritual dos Construtores Gregos e Romanos sobre o desenvolvimento da Maçonaria Simbólica , com base no texto do Manual do Aprendiz Franco Maçom .
Analisa-se como as corporações de obreiros gregas — especialmente as chamadas dionisíacas — e os collegia fabrorum romanos serviram como modelos organizacionais, técnicos e iniciáticos para a formação das primeiras lojas maçônicas. Serão apresentados elementos de pesquisa histórica, opiniões divergentes entre doutrinadores maçônicos, a corrente mais aceita no meio tradicional e reflexões fundamentadas na Maçonaria Simbólica , com destaque para as contribuições de Albert Pike, Nicola Aslan e Joaquim Gervasio de Figueiredo .
1. Introdução: Da Pedra ao Símbolo
A Maçonaria não é uma invenção moderna; ela é fruto de uma longa evolução cultural, técnica e espiritual que se estende por milênios. Entre seus antecessores diretos estão as corporações de construtores gregos e romanos , cujo legado técnico, moral e místico deixou marcas profundas na tradição maçônica.
Como afirma Albert Pike :
“A Maçonaria encontra em Roma e Grécia suas raízes operativas mais imediatas, nas formas, nos mistérios e nas instituições que deram forma à civilização ocidental.”
(Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry , 1871)
Essa visão reflete a compreensão de que a Maçonaria carrega em si um legado muito mais antigo do que sua formalização no século XVIII.
2. As Corporações Gregas: Mistério e Arquitetura
Na Grécia Antiga, surgiram as corporações dionisíacas , grupos de obreiros dedicados à construção de templos e santuários, frequentemente associados aos Mistérios de Dionísio (Iaco) . Essas corporações eram verdadeiras escolas de transmissão de saberes técnicos e esotéricos.
Segundo Joaquim Gervasio de Figueiredo , mestre em simbolismo maçônico:
“Os dionisíacos eram guardiães de segredos sagrados transmitidos através da arte da construção. Eles são predecessores diretos dos rituais e hierarquias maçônicas.”
(FIGUEIREDO, Maçonaria Simbólica – Fundamentos e Princípios , 2012)
Além disso, há uma forte analogia simbólica entre os três estilos arquitetônicos gregos — dórico, jônico e coríntio — e os três graus fundamentais da Maçonaria Simbólica: Aprendiz, Companheiro e Mestre .
3. A Influência Romana: Ordem, Disciplina e Mistério
Na Roma Antiga, o rei Numa Pompílio teria instituído os collegia fabrorum — corporações de artesãos e construtores que, além de habilidades técnicas, mantinham práticas religiosas e rituais iniciáticos. Essas associações eram regidas por um triunvirato composto por um Magister e dois Decuriões , estrutura semelhante à composição interna de uma loja maçônica.
Nicola Aslan , mestre da Maçonaria Esotérica Romênia, explica:
“O collegium romano era uma célula social e espiritual, precursora da loja maçônica. Nele, o saber técnico era inseparável do saber moral e filosófico.”
(ASLAN, La Franc-Maçonnerie ésotérique et les Rose-Croix , 1937)
Além disso, essas corporações acompanhavam o exército romano em suas conquistas, erguendo acampamentos fortificados que depois se tornariam cidades — como Londinium (Londres), Castrum (Chester) e outras localidades europeias que ainda preservam traços dessa herança.
4. Pesquisa Histórica e Doutrinal
Vários estudiosos têm investigado a relação entre as antigas corporações gregas e romanas e a Maçonaria moderna:
- Carlos Alberto Gonçalves , em Maçonaria e Religião , afirma:
“A ligação entre os collegia romanos e a Maçonaria está presente tanto na estrutura quanto no simbolismo. O triângulo de autoridade, os instrumentos sagrados e o juramento de fidelidade são heranças diretas.”
- Joseph Fort Newton , em The Builders , discute como a Maçonaria herdou das civilizações clássicas o ideal de virtude, disciplina e serviço público:
“A Roma republicana via no trabalho manual uma expressão de dignidade moral — ideia que a Maçonaria elevou ao nível do símbolo.”
- José Ronaldo Viega Alves , mestre em ciências maçônicas, defende:
“A Maçonaria vê em Roma e Grécia um modelo de ordem e beleza que inspira sua própria busca pela harmonia interior e exterior.”
5. Opiniões Contrárias
Apesar do peso simbólico atribuído às corporações gregas e romanas, nem todos os autores concordam com a visão tradicionalista e esotérica:
- Raymundo D’Elia Júnior , historiador crítico, argumenta:
“A ligação entre os collegia romanos e a Maçonaria é uma projeção simbólica do século XVIII. A Ordem moderna tem raízes medievais e iluministas, não greco-romanas.”
(Raízes Míticas da Maçonaria , 2003) - Frederico G. Costa , em análise crítica, sugere:
“A associação entre os estilos gregos e os graus maçônicos é metafórica, mas carece de sustentação histórica direta. É uma interpretação posterior feita pelos fundadores da Maçonaria especulativa.”
6. Doutrina Mais Aceita
A corrente majoritária no meio maçônico tradicional sustenta que a Maçonaria Simbólica é uma continuidade espiritual e simbólica das antigas corporações de obreiros, incluindo as gregas e romanas. Seus valores de hierarquia, segredo, disciplina e serviço à sociedade encontraram nova expressão dentro da Ordem.
Albert Pike resume assim:
“A Maçonaria é a filha legítima das grandes civilizações antigas. Ela incorpora o espírito grego de harmonia e razão, e a força e ordem romanas, moldando-as num caminho simbólico de transformação humana.”
(PIKE, Morals and Dogma )
Joaquim Gervasio de Figueiredo complementa:
“A Maçonaria Simbólica reconhece em Roma e Grécia uma fonte de inspiração ética e estética. Suas corporações foram guardiãs de um saber que perdura até hoje em nossos rituais e hierarquias.”
7. Conclusão: Entre Colunas e Cidadelas
Seja pelo equilíbrio harmônico das colunas dóricas, jônicas e coríntias, seja pela ordem e disciplina dos legionários romanos, a Maçonaria Simbólica encontra em Grécia e Roma uma rica fonte de inspiração e significado.
Cada maçom é convidado a ser um construtor — não apenas de obras materiais, mas de uma sociedade mais justa, mais sábia e mais fraterna. E nessa construção, revive-se a mesma jornada dos antigos obreiros gregos e romanos, que viam na pedra lapidada uma promessa de redenção e na cidade erguida, uma manifestação do bem comum.
Ivair Ximenes Lopes
Referências Bibliográficas
- PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry . Charleston: Forgotten Books, 1871.
- ASLAN, Nicola. La Franc-Maçonnerie ésotérique et les Rose-Croix . Paris: Éditions Traditionnelles, 1937.
- FIGUEIREDO, Joaquim Gervasio de. Maçonaria Simbólica – Fundamentos e Princípios . São Paulo: Madras, 2012.
- GONÇALVES, Carlos Alberto. Maçonaria e Religião . São Paulo: Pensamento, 2004.
- NEWTON, Joseph Fort. The Builders: A Story and Study of Masonry . Kessinger Publishing, 1914.
- ALVES, José Ronaldo Viega. Introdução à Maçonaria Simbólica . Belo Horizonte: Editora Universitária, 2010.
- D’ELIA JÚNIOR, Raymundo. Raízes Míticas da Maçonaria . Rio de Janeiro: Graal, 2003.
- Manual do Aprendiz Franco Maçom – Introdução ao Estudo da Ordem e da Doutrina Maçônica (fonte primária consultada).
Ivair Ximenes Lopes

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
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