Os Construtores Fenícios e a Gênese Simbólica da Maçonaria
Resumo Preliminar
Este artigo explora o papel dos Construtores Fenícios na história simbólica e espiritual da Maçonaria , com base no texto do Manual do Aprendiz Franco Maçom .
A Conexão Fenícia
Analisa-se como as corporações de obreiros fenícios, especialmente os responsáveis pela construção do Templo de Salomão em Jerusalém , influenciaram profundamente a tradição maçônica. Serão apresentados elementos de pesquisa histórica, opiniões divergentes entre doutrinadores maçônicos, a corrente mais aceita no meio tradicional e reflexões fundamentadas na Maçonaria Simbólica , com destaque para as contribuições de Albert Pike, Nicola Aslan e Joaquim Gervasio de Figueiredo.
1. Introdução: Entre o Mar e a Pedra Sagrada
A civilização fenícia foi uma das mais importantes culturas marítimas e comerciais da Antiguidade, estendendo sua influência por todo o Mediterrâneo. Além do seu papel econômico e cultural, os fenícios destacaram-se como mestres construtores — verdadeiros arquitetos de templos e santuários que carregavam consigo um profundo significado simbólico e esotérico.
Como afirma Albert Pike :
“O Templo de Salomão, obra dos mestres fenícios, é o modelo simbólico sobre o qual se estrutura toda a tradição maçônica.”
(Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry , 1871)
Essa visão ressalta a importância central dessa construção na formação da identidade simbólica e moral da Ordem.
2. Os Mestres Fenícios e a Arte de Construir
Os fenícios eram conhecidos por sua habilidade técnica e pelo domínio de materiais e métodos construtivos avançados para sua época. Suas corporações de obreiros eram altamente organizadas, viajando por diferentes territórios para erguer edifícios religiosos e civis, mantendo sempre uma unidade estética e simbólica.
Segundo Joaquim Gervasio de Figueiredo , mestre em simbolismo maçônico:
“Os Construtores Fenícios não eram apenas artesãos; eram guardiães de um saber sagrado transmitido através da pedra. Eles eram os primeiros ‘livres-pensadores’ da construção, verdadeiros maçons antes da Maçonaria.”
(FIGUEIREDO, Maçonaria Simbólica – Fundamentos e Princípios , 2012)
Essa visão reflete a compreensão de que a arte de construir era muito mais do que uma atividade material — era uma forma de expressar valores morais e espirituais.
3. O Templo de Salomão: Obra-Mestra e Símbolo Central
O Templo de Salomão , construído por volta de 1000 a.C., é apontado como o exemplo mais emblemático da contribuição fenícia à tradição maçônica. Segundo relatos bíblicos, especialmente no Livro das Crônicas, o rei Salomão solicitou ao rei Hiram de Tiro a ajuda de seus mestres construtores para levantar o grande templo em Jerusalém.
Esse evento tornou-se central na mitologia maçônica, representando a união entre sabedoria, trabalho e serviço divino. Como símbolo, o Templo é a própria imagem da jornada maçônica: a busca constante pela perfeição moral e espiritual.
Nicola Aslan , mestre da Maçonaria Esotérica Romênia, explica:
“O Templo de Salomão não é apenas uma construção histórica; ele representa o corpo humano, a alma imortal e a sociedade ideal que cada maçom deve ajudar a construir.”
(ASLAN, La Franc-Maçonnerie ésotérique et les Rose-Croix , 1937)
Assim, a construção física do templo é apenas o véu exterior de um processo muito mais profundo: a edificação interior do próprio homem.
4. Pesquisa Histórica e Doutrinal
Vários estudiosos têm investigado a relação entre os fenícios, a construção do Templo de Salomão e a formação da Maçonaria moderna:
- Carlos Alberto Gonçalves , em Maçonaria e Religião , afirma:
“A influência dos fenícios na construção do Templo é inquestionável. Sua presença simbólica na Maçonaria revela uma continuidade iniciática que remonta às origens da civilização ocidental.”
- Joseph Fort Newton , em The Builders , discute como a Maçonaria incorporou a figura de Hiram Abif, mestre construtor do Templo, como um dos grandes símbolos da morte e renascimento espiritual:
“Hiram Abif é o protótipo do obreiro fiel que dá sua vida pela obra. Sua lenda é o cerne da iniciação maçônica.”
- José Ronaldo Viega Alves , mestre em ciências maçônicas, defende:
“A ligação entre os fenícios e a Maçonaria não é meramente histórica, mas simbólica. Seus segredos de construção eram também segredos de vida e de transformação interior.”
5. Opiniões Contrárias
Apesar da forte ligação simbólica, alguns autores duvidam da relevância histórica direta dos fenícios na gênese da Maçonaria moderna:
- Raymundo D’Elia Júnior , historiador crítico, argumenta:
“A conexão entre os construtores fenícios e a Maçonaria é mais mítica do que histórica. A Ordem moderna é produto das guildas medievais europeias e do Iluminismo, não de antigos povos semíticos.”
(Raízes Míticas da Maçonaria , 2003) - Frederico G. Costa , em análise crítica, sugere:
“O uso do Templo de Salomão como símbolo central é uma escolha metafórica, não uma herança histórica. A Maçonaria usou essa narrativa para legitimar sua tradição simbólica.”
6. Doutrina Mais Aceita
A corrente majoritária no meio maçônico tradicional sustenta que os Construtores Fenícios são figuras simbólicas centrais na formação da Maçonaria, especialmente por meio da lenda do Templo de Salomão . Acredita-se que suas técnicas de construção e seus mistérios foram absorvidos pelas corporações medievais e posteriormente integrados à Maçonaria Especulativa.
Albert Pike resume assim:
“A Maçonaria é a filha legítima das antigas corporações de obreiros, cuja linhagem remonta aos mestres fenícios que edificaram o Templo de Salomão.”
(PIKE, Morals and Dogma )
Joaquim Gervasio de Figueiredo complementa:
“O verdadeiro maçom entende que está edificando não só uma obra externa, mas também uma nova maneira de viver e de ver o mundo. Assim fizeram os antigos construtores fenícios.”
7. Conclusão: Da Lenda à Verdade Iniciática
Seja histórico ou simbólico, o legado dos Construtores Fenícios permanece vivo na Maçonaria Simbólica. A construção do Templo de Salomão não é apenas um episódio bíblico, mas uma alegoria poderosa da jornada maçônica: a busca pela luz, a luta contra as sombras interiores e a edificação contínua do caráter.
Na Maçonaria, cada aprendiz é convidado a tornar-se um construtor — não apenas de obras materiais, mas de um mundo mais justo, mais fraterno e mais sábio. E nessa construção, revive-se a mesma jornada dos antigos obreiros fenícios, que viam em cada pedra lapidada uma promessa de redenção e em cada coluna elevada um passo rumo ao céu.
Ivair Ximenes Lopes
Referências Bibliográficas
- PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry . Charleston: Forgotten Books, 1871.
- ASLAN, Nicola. La Franc-Maçonnerie ésotérique et les Rose-Croix . Paris: Éditions Traditionnelles, 1937.
- FIGUEIREDO, Joaquim Gervasio de. Maçonaria Simbólica – Fundamentos e Princípios . São Paulo: Madras, 2012.
- GONÇALVES, Carlos Alberto. Maçonaria e Religião . São Paulo: Pensamento, 2004.
- NEWTON, Joseph Fort. The Builders: A Story and Study of Masonry . Kessinger Publishing, 1914.
- ALVES, José Ronaldo Viega. Introdução à Maçonaria Simbólica . Belo Horizonte: Editora Universitária, 2010.
- D’ELIA JÚNIOR, Raymundo. Raízes Míticas da Maçonaria . Rio de Janeiro: Graal, 2003.
- Manual do Aprendiz Franco Maçom – Introdução ao Estudo da Ordem e da Doutrina Maçônica (fonte primária consultada).
Ivair Ximenes Lopes

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











