O camponês que esperava o coelho : a ilusão da Sorte e o abandono do Trabalho
agosto 23, 2026
O camponês que esperava o coelho : a ilusão da Sorte e o abandono do Trabalho
1. O Resumo da Fábula
Em tempos antigos, havia um camponês que trabalhava arduamente em suas terras. Certo dia, enquanto lavrava o campo, um coelho assustado, fugindo de um cão, correu em disparada e, sem prestar atenção, chocou-se violentamente contra o tronco de uma árvore que havia no meio da propriedade.
O coelho morreu instantaneamente.
O camponês, surpreso e contente com a sorte inesperada, pegou o coelho e o levou para casa para um bom jantar. Na manhã seguinte, em vez de voltar a trabalhar com sua enxada, o camponês sentou-se à sombra da árvore, esperando que outro coelho viesse a se chocar contra o tronco.
Esperou o dia inteiro e nada aconteceu. No dia seguinte, repetiu a mesma atitude, abandonando completamente suas plantações.
Dias, semanas e meses se passaram, e o camponês continuou ali, imóvel, aguardando a sorte repetir-se.
Enquanto isso, suas lavouras secaram, as ervas daninhas tomaram conta de tudo, e o homem, faminto e arruinado, percebeu tarde demais que a sorte não se repete por acaso e que o trabalho abandonado não retorna por si só.
A moral da história é: “A sorte fortuita não é um método de vida. Quem confia no acaso e abandona o trabalho está fadado à ruína.”
2. Associação com a Maçonaria
Esta fábula, tão singela em sua narrativa rural, é uma das mais contundentes advertências contra a preguiça espiritual e a ilusão da graça sem mérito — dois perigos que rondam constantemente o caminho do obreiro.
O camponês que espera o coelho é a representação viva do profano que acredita que a Luz maçônica lhe será dada sem esforço, ou do maçom que, após um pequeno sucesso ou uma experiência iniciática marcante, abandona o trabalho cotidiano achando que já “chegou lá”.
A árvore contra a qual o coelho se chocou simboliza, na leitura maçônica, o acaso, o fator externo ou mesmo a providência momentânea. O primeiro coelho foi um presente inesperado — talvez uma intuição súbita, umesclarecimento fortuito, um momento de graça que todo iniciante experimenta em seu percurso.
O erro do camponês não foi ter aceitado o presente; foi ter transformado a exceção em regra.
Na Maçonaria, isso equivale ao irmão que, após uma bela palestra ou umritual emocionante, acredita que já compreendeu todos os mistérios e que pode se sentar passivamente à espera de novas revelações, deixando de lado o estudo, a frequência à Oficina e o trabalhosobre si mesmo.
O campo abandonado é o trabalho interior que o maçom deve cultivar diariamente.
A terra que seca e se enche de ervas daninhas é a alma que, sem a manutenção constante da disciplina iniciática, regride ao estado de pedra bruta — ou pior, torna-se um terreno árido onde os vícios florescem livremente.
O camponês, ao trocar a enxada pela ociosidade, cometeu o pecado maçônico da adiaphoria (indiferença) e da acedia (desânimo espiritual), que são considerados obstáculos mortais para o progresso do obreiro.
Há ainda uma lição sobre a responsabilidade pessoal. Na Maçonaria, não há salvadores externos; o trabalho é individual e intransferível.
O Mestre pode mostrar o caminho, os irmãos podem apoiar, o ritual pode inspirar, mas o desbaste da pedra é uma tarefa solitária e contínua.
O camponês que espera o segundo coelho está, na verdade, esperando que alguém (ou algo) faça por ele o que só ele mesmo pode fazer. A fábula é um lembrete severo: o Grande Arquiteto do Universo não envia coelhos para quem não move as mãos. A Luz se conquista, não se aguarda.
Ademais, a árvore no meio do campo pode ser interpretada como umsímbolo de fixidez e imobilismo.
O camponês se prendeu a um único ponto, a um único evento passado, e deixou de enxergar o horizonte. O maçom que se apega demasiadamente a uma experiência, a um grau já conquistado ou a uma honraria recebida, também se imobiliza.
O verdadeiro caminho iniciático é ummovimentoconstante, umfluir como a água, um deslocamento contínuo em direção ao Oriente. Ficar sentado sob a árvore é negar o próprio dinamismo da vida e da evolução.
Por fim, o desfecho trágico — a fome, a ruína, o campo devastado — nos lembra que a Maçonaria não éum clube de contemplação, mas uma oficina de trabalho. O título de “Mestre” não é um fim, mas um novo começo. Cada dia é uma nova terra a ser lavrada, cada reunião é uma nova oportunidade de semear virtudes.
A fábula do camponês e do coelho é, portanto, um hino à constância laboriosa, à humildade de recomeçar sempre, e à sabedoria de entender que a verdadeira recompensa não é o coelho morto (a conquista passageira), mas a colheita farta que só o esforço diário pode produzir.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).