São Bernardo de Claraval
Biografia
Nasceu no castelo de Fontaine-lès-Dijon (Borgonha, França), em família nobre (pai Tescelino, cavaleiro vassalo do duque da Borgonha; mãe Aleth, mulher piedosa que morreu cedo). Aos 22 anos, entrou para o mosteiro beneditino de Cister (ordem fundada por São Roberto de Molesme, buscando rigor à Regra de São Bento). Em 1115, foi enviado como abade para fundar um novo mosteiro em Vale de Absinto (Claraval, Clara Vallis). Sob sua liderança, Claraval tornou-se centro de irradiação monástica: fundou mais de 68 mosteiros filiais.
Foi conselheiro de papas (Inocêncio II, Eugênio III – seu ex-discípulo), bispos e reis (Luís VII da França, Henrique I da Inglaterra, Conrado III da Alemanha). Combateu heresias (como a de Pedro Abelardo, condenado no Concílio de Sens de 1140).
Pregou a Segunda Cruzada no Concílio de Vézelay (1146), convocando Luís VII e Conrado III. Embora a cruzada tenha fracassado militarmente, Bernardo eximiu-se da culpa, atribuindo-a aos pecados dos cruzados. Morreu em Claraval em 1153, após grande sofrimento físico (gastrite crônica). Canonizado em 1174 e declarado Doutor da Igreja em 1830 (papa Pio VIII).
Curiosidades
É conhecido como o “Doutor Melífluo” (Doctor Mellifluus) por sua eloqüência doce e profunda como mel – título dado pelo Papa Pio VIII.
Chamado também de “último dos Padres” e “o profeta de seu tempo”.
Teve grande devoção à Virgem Maria, compondo o famoso Memorare (“Lembrai-vos, ó piedosa Virgem Maria…”) – embora a autoria seja incerta, a tradição atribui a ele.
Foi severo crítico dos excessos da Escolástica nascente (Abelardo), preferindo o amor místico à razão especulativa.
Foi amigo de São Malaquias, profetizando-lhe sua morte iminente.
Na arte, é representado com o hábito cisterciense (branco), segurando um livro e um báculo (cajado de abade), frequentemente com uma abelha ou colméia (alusão ao mel de seus sermões).
Principais obras
Sermones super Cantica Canticorum (Sermões sobre o Cântico dos Cânticos) – sua obra-prima, 86 sermões sobre o amor divino e a união da alma com Deus
De Diligendo Deo (Sobre o Amor a Deus) – tratado clássico sobre o amor como caminho espiritual
De Consideratione (Sobre a Consideração) – escrito ao Papa Eugênio III sobre a vida interior do papa e o governo da Igreja
De Gratia et Libero Arbitrio (Sobre a Graça e o Livre-Arbítrio)
Apologia ad Guillelmum (Apologia a Guilherme) – defende os cistercienses contra os cluniacenses
De Conversione (Sobre a Conversão)
Vita Sancti Malachiae (Vida de São Malaquias)
Liber de Precepto et Dispensatione
Cartas (mais de 500 – algumas verdadeiros tratados teológicos)
Fontes de pesquisa (sem links)
Enciclopédia Britannica, verbete “St. Bernard of Clairvaux”
Jean Leclercq, Bernard of Clairvaux and the Cistercian Spirit (1976)
Patrologia Latina, vols. 182-185 (ed. J.P. Migne)
Bernardo de Claraval – Sermões sobre o Cântico dos Cânticos (Ed. Paulus – Coleção Patrística)

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.












