A Maçonaria e os Três Estágios Mais Comuns do Desenvolvimento Humano no REAA
1. Resumo Preliminar
O presente estudo busca analisar a relação entre a Maçonaria e os três estágios mais comuns do desenvolvimento humano — infância, adolescência e idade adulta — entendidos aqui tanto sob a perspectiva psicológica quanto iniciática.
A Maçonaria, especialmente no Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA), interpreta o progresso humano como uma jornada de aprendizado, autoconhecimento e busca da verdade. Tal concepção aproxima-se de tradições filosóficas e antropológicas que veem a vida como processo contínuo de construção da identidade e da consciência.
2. Pesquisa Histórica
Historicamente, a Maçonaria utilizou metáforas construtivas e simbólicas para representar o desenvolvimento humano. A infância associa-se ao Aprendiz, fase de assimilação e formação dos fundamentos; a adolescência corresponde ao Companheiro, momento de inquietação, experimentação e construção do raciocínio; e a idade adulta encontra paralelo no Mestre Maçom, em que o iniciado assume responsabilidades e enfrenta a dimensão da mortalidade (FIGUEIREDO, 1989).
Nicola Aslan (1997) destaca que o REAA, ao estruturar suas instruções em graus progressivos, reflete o ciclo vital humano. Albert Pike (1871) reforça que os graus maçônicos não apenas correspondem a etapas de conhecimento, mas representam a passagem pela vida do homem: “o Aprendiz é a infância da alma, o Companheiro sua juventude, e o Mestre sua maturidade espiritual”.
Rizzardo da Camino (1994) acrescenta que tais estágios expressam a evolução moral e intelectual do indivíduo, em consonância com a filosofia iluminista que influenciou a Maçonaria moderna.
3. Opiniões Contrárias
Alguns autores, contudo, relativizam a correlação direta entre os estágios biológicos e os graus maçônicos. Armando Righetto (1995) sustenta que os graus da Maçonaria representam mais um caminho filosófico e espiritual do que um espelhamento estrito do desenvolvimento humano. Joseph Fort Newton (1921) adverte que a Maçonaria não deve ser confundida com uma psicologia aplicada, mas sim com uma escola de valores universais.
Outros estudiosos, como Leon Zeldis (2006), argumentam que as fases da vida são condicionadas culturalmente e não podem ser rigidamente alinhadas aos graus, sob pena de limitar a riqueza simbólica do rito.
4. Doutrina Mais Aceita
Apesar das divergências, a doutrina predominante aceita que a Maçonaria — sobretudo no REAA — utiliza as etapas da vida humana como arquétipos pedagógicos e simbólicos. Joaquim Gervásio de Figueiredo (1989) afirma que “os graus representam a ascensão gradual do homem, de sua infância moral até a maturidade do espírito”.
Albert Pike (1871) e Nicola Aslan (1997) sustentam que tal paralelismo confere à Maçonaria caráter educativo, permitindo que o iniciado reconheça sua própria evolução na jornada maçônica. Para Rizzardo da Camino (1994), esta associação constitui uma das riquezas pedagógicas do rito, reforçando a busca de perfeição e autoconhecimento.
Assim, a visão mais consolidada entende os três estágios do desenvolvimento humano como metáforas centrais para o aprendizado maçônico, em que cada etapa traz consigo valores, desafios e símbolos que dialogam com a experiência vital do iniciado.
5. Considerações Finais
A correlação entre os três estágios do desenvolvimento humano e a Maçonaria, especialmente no REAA, reforça a dimensão pedagógica e filosófica da Ordem. Mais do que simples fases da vida biológica, infância, adolescência e idade adulta, na visão maçônica, constituem metáforas da jornada interior, refletindo a construção do templo simbólico dentro de cada iniciado.
Enquanto alguns autores contestam a correspondência direta entre biologia e rito, a doutrina mais aceita reconhece a validade desta leitura como recurso pedagógico e iniciático, reafirmando o caráter universal da Maçonaria como escola de aperfeiçoamento humano.
Autor Ivair Ximenes Lopes
6. Referências
ASLAN, Nicola. História do Supremo Conselho do Grau 33 no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Maçônica, 1997.
CAMINO, Rizzardo da. Ritualística Maçônica. São Paulo: Pensamento, 1994.
FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de. Dicionário de Maçonaria. São Paulo: Pensamento, 1989.
NEWTON, Joseph Fort. The Builders: A Story and Study of Masonry. Londres: Rider & Co., 1921.
PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry. Charleston: Supreme Council, 1871.
RIGHETTO, Armando. Estudos sobre a Maçonaria. São Paulo: Editora Maçônica, 1995.
ZELDIS, Leon. Estudios sobre la Masonería Moderna. Buenos Aires: Ediciones Masónicas, 2006.

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











