O Maçom Abandona a Religião e a Política?
Resumo Preliminar do Texto Base
O texto base questiona se a Maçonaria exige que seus membros abandonem religião ou envolvimento político.
A resposta central é negativa: a Maçonaria não é uma religião e nem proíbe a prática política do indivíduo.
Ela recomenda que cada maçom cultive sua fé pessoal e siga a consciência, ao mesmo tempo em que impede discussões políticas partidárias dentro do Templo. Historicamente, a Maçonaria participou de movimentos sociais e políticos relevantes, como a Independência do Brasil, a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República, reafirmando sua função de influência ética e moral na sociedade.
O ideal maçônico é buscar uma sociedade justa, promovendo Direitos Humanos e Liberdade Individual, sem se deixar prender por paixões partidárias.
Sabemos que a relação entre religião e política é complexa e multifacetada.
Participação Religiosa: Há uma significativa participação de grupos religiosos, especialmente evangélicos, na vida política, influenciando decisões e políticas públicas.
Influência nas Decisões: A religião pode moldar as decisões políticas e eleitorais, afetando como os indivíduos votam e se posicionam em questões sociais.
Histórico: Desde o século XVI, a intersecção entre crenças religiosas e posicionamentos políticos tem sido evidente, com muitos exemplos de como esses dois mundos se entrelaçam.
Desafios Contemporâneos: Atualmente, a relação entre religião e política enfrenta desafios, incluindo a necessidade de um diálogo mais aberto sobre como as crenças influenciam a sociedade.
Perspectivas Futuras: As lideranças religiosas, especialmente as carismáticas e pentecostais, têm estratégias específicas para influenciar legislações, especialmente em temas como família e sexualidade.
Esses aspectos mostram como a religião e a política não apenas coexistem, mas também se influenciam mutuamente na sociedade contemporânea. Isso não fica distante quando se fala de maçonaria.
Pesquisa Histórica
1. Origem e Papel Social da Maçonaria
A Maçonaria surgiu no século XVII como uma sociedade de maçons operativos e evoluiu para a Maçonaria especulativa, incorporando princípios éticos, morais e filosóficos (PIKE, 1871; CAMINO, 2014). Desde o século XVIII, foi reconhecida como escola de virtudes cívicas, influenciando a política e o desenvolvimento social em diversos países.
No Brasil, maçons desempenharam papel decisivo em movimentos históricos:
Independência do Brasil (1822) – Maçons como José Bonifácio atuaram como líderes éticos e estratégicos.
Abolição da Escravatura (1888) – O maçom Rui Barbosa contribuiu para reformas jurídicas.
Proclamação da República (1889) – Maçons integraram a elite intelectual e militar que apoiou a transição.
Esses exemplos demonstram que a Maçonaria é socialmente e politicamente ativa, mas com uma visão de ética universal, não partidária (LETERRE, 2005; RIGHETTO, 2004).
Opiniões Contrárias
Alguns críticos argumentam que a Maçonaria deveria abster-se totalmente de política, alegando que qualquer envolvimento pode comprometer a neutralidade ética da instituição (TRAUTWEIN, 1992; ORTEGA, 2001). De forma semelhante, há quem interprete que o foco maçônico na espiritualidade deveria minimizar debates religiosos, evitando a diversificação de crenças no seio da Loja (LEADBEATER, 1926; HALL, 1928).
Contudo, a prática histórica demonstra que a Maçonaria conciliou crença pessoal e ação social, mantendo a harmonia entre religião, ética e participação cívica.
Doutrina Mais Aceita
Liberdade Religiosa: O maçom deve manter sua fé pessoal, respeitando crenças de outros membros, sem que a Loja imponha dogmas (CAMINO, 2014; PIKE, 1871).
Neutralidade Política Interna: Discussões partidárias são proibidas dentro do Templo para preservar a unidade da fraternidade.
Ativismo Ético e Cívico: A Maçonaria apoia a participação social e política do indivíduo em prol de direitos humanos, justiça e moralidade, respeitando sempre a consciência de cada maçom (WAITE, 1921; RIGHETTO, 2004).
Equilíbrio Entre Esfera Pessoal e Fraternal: O maçom deve exercer a cidadania plena, sem comprometer a integridade e os princípios da Ordem.
Conclusão
A Maçonaria não exige abandono da religião ou da política pessoal. Pelo contrário, incentiva a prática de fé e participação social consciente, com restrições apenas quanto a discussões partidárias dentro do Templo.
Historicamente, sua influência ética e moral em movimentos sociais comprova que a fraternidade atua como escola de virtudes cívicas, guiando os membros à promoção de justiça, liberdade e direitos humanos.
Autor Ivair Ximenes Lopes
Referências
CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico. 6. ed. São Paulo: Madras, 2014.
HALL, Manly P. The Secret Teachings of All Ages. Los Angeles: Philosophical Research Society, 1928.
LEADBEATER, C.W. The Masters and the Mysteries. London: Theosophical Publishing House, 1926.
LETERRE, A. Maçonaria e Sociedade. São Paulo: Madras, 2005.
ORTEGA, Oswaldo. Maçonaria e Política. São Paulo: Loyola, 2001.
PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry. Charleston: Supreme Council, 1871.
RIGHETTO, Armando. História da Maçonaria. São Paulo: Loyola, 2004.
TRAUTWEIN, Breno. Maçonaria: Mito e Realidade. Porto Alegre: AGE, 1992.
WAITE, Arthur Edward. A New Encyclopedia of Freemasonry. London: William Rider & Son, 1921.

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
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