Home / Estudos / Quem Instrui o Aprendiz, Primeiro ou Segundo Vigilante no REAA?

Quem Instrui o Aprendiz, Primeiro ou Segundo Vigilante no REAA?

Designer (20)

Quem Instrui o Aprendiz, Primeiro ou Segundo Vigilante no REAA?

De modo autêntico quem instrui os Aprendizes é o Segundo Vigilante, enquanto que os Companheiros é o Primeiro Vigilante.

Essa prática na Moderna Maçonaria é devida à hierarquia na Loja e não pelo fato de que se deva coincidir com o Vigilante da respectiva Coluna.

Nos ritos maçônicos que nasceram no hemisfério setentrional, sempre os Aprendizes ocuparão o Norte e os Companheiros o Sul. Isso se dá inclusive para aqueles ritos que por razões históricas tradicionalmente invertem os seus Vigilantes (o Primeiro no Sul e o Segundo no Norte).

Mesmo nesses, os Aprendizes permanecem no Norte e os Companheiros no Sul, excetuando-se algum rito que porventura tenha nascido no hemisfério meridional, como é o caso do Rito Brasileiro – nesse os Aprendizes ficam no Sul e os Companheiros no Norte.

Para que se possa entender isso é preciso antes se despir da fantasia de que o Templo Maçônico seja um modelo copiado do Templo de Jerusalém, pois na realidade a sala da Loja é simbolicamente um canteiro especulativo de obras composto simbolicamente por um segmento da superfície do Planeta e situado sobre o equador terrestre, cujos limites são relativos aos pontos cardeais. Seu piso é o solo terrestre e a sua cobertura é o céu.

Dados esses comentários indispensáveis, segue então a razão histórica do ministério de instrutor dado a cada Vigilante da Loja maçônica.

Na Maçonaria de Ofício (antecessora da Maçonaria dos Aceitos), na época dos canteiros medievais quando não existiam ainda nem ritos e nem templos maçônicos, os maçons se reuniam literalmente nos canteiros de obras, nos adros das igrejas e nas tabernas.

Naqueles tempos, quando da admissão de um novo membro na guilda de construtores – isso ocorria geralmente no solstício de verão europeu, dia de São João, o Batista – costumeiramente era o Segundo Vigilante que recebia o candidato à admissão e lhe ministrava as primeiras instruções e informações.

Instruído e informado, o candidato era então conduzido até o Primeiro Vigilante que fazia uma prece em seu favor.

Em seguida o candidato era recebido na forma de costume pelo Mestre da Obra (na época um Companheiro experiente) que lhe tomava a “obrigação” diante do Evangelho de São João entregando-lhe em seguida as luvas e o avental operativo. O candidato então era constituído Aprendiz Admitido no Ofício e o Segundo Vigilante o conduzia até os instrumentos de trabalho para lhe ensinar os segredos da profissão.

Para receber aumento de salário, o que viria ocorrer somente após ter sido cumprido o seu tempo de aprendizado (geralmente de três ou cinco anos), o Aprendiz era então proposto e instruído como Companheiro de Ofício.

Nessa oportunidade, quem o recebia era o Primeiro Vigilante, ocasião em que verificava e comprovava a sua habilidade no exercício da profissão. Certificando-se, o Primeiro Vigilante lhe ministrava as instruções finais e o recomendava ao Mestre da Obra para que ele fosse constituído Companheiro de Ofício (Fellow Craft).

Essa é uma síntese de como era o processo ancestral da Iniciação e do aumento de salário de um maçom operativo, bem como o de quem o instruía no trabalho.

É oportuno lembrar, entretanto, que naquela época a Maçonaria de Ofício era constituída apenas por duas classes de trabalhadores – a dos Aprendizes e a dos Companheiros. Elas eram classes profissionais e não graus especulativos como hoje os conhecemos, a despeito ainda de que o Mestre da Obra era um Companheiro escolhido entre os mais experientes da Guilda.

Dado a esse roteiro ancestral é que genuinamente o Segundo Vigilante era quem recebia e instruía os Aprendizes e o Primeiro Vigilante, os Companheiros, destacando que na época o processo iniciático não era como o que hoje conhecemos e nem mesmo se dava em recintos decorados por liturgias específicas. A Loja era literalmente uma oficina (canteiro de obras) onde trabalhavam os artífices da pedra de cantaria.

Assim, no intuito de se preservarem os costumes do passado, é que alguns ritos da Moderna Maçonaria procuraram preservar a tradição (a exemplo do REAA) atribuindo emblematicamente ao Segundo Vigilante a missão de instruir os Aprendizes e ao Primeiro os Companheiros, destacando-se que os Aprendizes ocupam o Norte do recinto e o Segundo Vigilante o Sul, enquanto que os Companheiros ocupam o Sul e o Primeiro Vigilante o Norte.

Nesse caso a questão não é a de que os Vigilantes necessariamente precisem ser os instrutores nas suas respectivas Colunas, mas a de tradição e hierarquia, até porque esse tem sido apenas um elemento figurado de interpretação, pois a qualquer Mestre do Quadro é dado o ofício de instruir.

É verdade, porém, que existem ainda muitos rituais escoceses em vigência adotados pelas Obediências que às vezes não seguem essa regra autêntica, contradizendo equivocadamente as verdadeiras origens e costumes da Ordem. Infelizmente eles existem e muitos deles são legalmente adotados.

Outro aspecto relevante para ser observado é que na Moderna Maçonaria a regra que envolve os Vigilantes, e deles qual instrui, não é universal quando se tratar de Ritos e Rituais, pois nem todos eles seguem essa particularidade, já que originariamente muitos ritos nasceram cada qual com a sua própria liturgia.

Em síntese, não se deve generalizar procedimentos na Maçonaria achando que nela tudo é igual.

Mesmo nos rituais escoceses brasileiros encontramos inúmeras contradições nesse sentido que geralmente foram adquiridas através de cópias (tesoura e cola) de rituais anacrônicos do passado, mas que continuam se espalhando como ervas daninha no solo da cultura maçônica.

Não me canso de mencionar que infelizmente muitos Irmãos, sem qualquer critério, ficam por aí defendendo teses ritualísticas, principalmente em grupos na Internet e fazendo comparações como: “era assim no passado”, “eu tenho muitos rituais antigos”, etc. Infelizmente, esses se esquecem de que antes de se proferir considerações laudatórias, primeiro é prudente se certificar da veracidade dos fatos escritos. Afinal, nem tudo que reluz é ouro.

Outro enorme problema relacionado aos que apenas se prendem nos escritos de rituais anacrônicos é o de que muitos deles não compreendem a razão existencial de cada prática ritualística e a sua simbologia. Sintetizando, a questão não é apenas a de estar escrito, mas sim a razão dela existir na liturgia do rito – isso é básico para a compreensão de um arcabouço doutrinário.

Concluindo, são esses os apontamentos relativos às instruções e quem é o responsável por ministra-las aos Aprendizes e Companheiros, particularmente no Rito Escocês Antigo e Aceito.

A questão de quem deve instruir e de quem deve receber a instrução é somente de caráter figurado para preservar tradições, mas não de obrigatoriedade, já que é dever de todo o Mestre Maçom ministrar preleções instrutivas em Loja, daí nem sempre a incumbência de prover instruções inseridas nos rituais estarem direcionadas exclusivamente para esse ou aquele Vigilante.

Conforme os rituais, delas geralmente participam, além dos Vigilantes, o próprio Venerável, o Mestre de Cerimônias, os Diáconos, etc. – tudo conforme o Rito adotado. O mais tradicional no que diz respeito à incumbência dos Vigilantes para esse mister é mesmo o das instruções que visam promover aumento de salário.

Como prática dos “antigos”, vide o Craft inglês que aqui no Brasil é conhecido como Rito de York. Nele a Pedra Bruta fica junto ao Segundo Vigilante no Sul e os Aprendizes no lado oposto no nordeste da sala da Loja, enquanto que a Pedra Cúbica fica junto ao Primeiro Vigilante no extremo do Ocidente e os Companheiros no lado Sul da Loja. Esse é um fato que demonstra perfeitamente não haver necessidade de coincidência de lado (coluna) entre o que instruí e o que é instruído.

Resumo Preliminar:

Na Maçonaria, o papel dos Vigilantes, especificamente o Primeiro e o Segundo Vigilante, é fundamental no processo de instrução dos membros, especialmente no Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA). A tradição maçônica do REAA designa ao Segundo Vigilante a responsabilidade de instruir os Companheiros, enquanto o Primeiro Vigilante assume essa função para os Aprendizes.

Essa prática remonta à Maçonaria Aceita, onde o Segundo Vigilante era o responsável pelo aprendizado inicial dos Companheiros, antes de serem promovidos a mestres. A divisão de responsabilidades reflete a estrutura hierárquica da Loja e o simbolismo dos pontos cardeais, com os Aprendizes ocupando o Norte e os Companheiros o Sul da Loja. Essa prática, no entanto, pode variar em diferentes rituais maçônicos.

Pesquisa Histórica sobre os Vigilantes e a Instrução dos Aprendizes:

A origem do papel do Segundo Vigilante como instrutor remonta à Maçonaria operativa medieval, onde os maçons se reuniam em canteiros de obras e não em templos elaborados. O Segundo Vigilante era o responsável por receber os novos candidatos e instruí-los nas artes do ofício de pedreiro, um aprendizado que ocorria geralmente no dia de São João, durante o solstício de verão.

Após o aprendizado inicial, o candidato era conduzido ao Primeiro Vigilante, que verificava a habilidade do novo Aprendiz e fazia as preces antes da aceitação formal como Companheiro.

A prática de instrução por parte do Segundo Vigilante, portanto, não é apenas uma questão de hierarquia na Loja, mas uma tradição preservada desde os tempos medievais. Durante a transição da Maçonaria operativa para a especulativa, os papéis de instrução foram formalizados nos rituais modernos, como no REAA, onde a atribuição de funções simbólicas e práticas de ensino se alinha com a estrutura hierárquica da Loja (do Primeiro Vigilante instruir os Aprendizes e do segundo Vigilante instruir os Companheiros).

Opiniões Contrárias:

Embora o Segundo Vigilante seja na Maçonaria Operativa, reconhecido como o instrutor dos Aprendizes, existem críticas dentro da Maçonaria moderna sobre a rigidez de manter essa divisão de responsabilidades.

Alguns argumentam que os rituais modernos, com suas variações, podem ser mais flexíveis e permitir que o Primeiro Vigilante desempenhe um papel instrucional. Esse ponto de vista defende que a instrução maçônica não deve ser restrita a uma função hierárquica específica, uma vez que todos os Maçons têm o dever de transmitir o conhecimento.

Outro ponto de discordância é a tradição que coloca os Aprendizes no Norte e os Companheiros no Sul. Embora essa divisão tenha um forte fundamento simbólico, alguns argumentam que ela não reflete mais a realidade das práticas maçônicas atuais, onde a geografia da Loja e as convenções de orientação não têm mais a mesma importância funcional. Para esses críticos, a ênfase deve estar no conteúdo e na profundidade do ensino, mais do que na posição física dos membros dentro da Loja.

Doutrina Mais Aceita:

A doutrina amplamente aceita na Maçonaria, especialmente no REAA, é que o Segundo Vigilante tem a missão de instruir os Companheiros, enquanto o Primeiro Vigilante é responsável pelos aprendizes de sua coluna. Essa prática está profundamente enraizada nas tradições da Maçonaria dos aceitos, e a hierarquia na Loja reflete a ordem e a função de cada um dos membros.

A distribuição das funções de instrução baseia-se não só na antiguidade dos graus, mas também na simbologia dos pontos cardeais, onde o Norte é associado ao aprendizado e à iniciação, e o Sul ao conhecimento mais avançado e à experiência dos Companheiros.

A preservação dessas tradições visa manter o simbolismo e a ordem que caracterizam os rituais maçônicos. A instrução fornecida pelo Primeiro Vigilante para os Aprendizes é considerada essencial para o desenvolvimento do maçom, que deve aprender as virtudes e os segredos do ofício com paciência e dedicação. Essa prática é amplamente apoiada por doutrinadores tradicionais, como Alberto Mansur e Arthur Edward Waite, que defendem que a estrutura hierárquica da Loja serve para fortalecer a disciplina e o compromisso dos maçons com o aprendizado contínuo.

Conclusões:

A questão de quem instrui o Aprendiz, se o Primeiro ou o Segundo Vigilante, está diretamente ligada à tradição da Maçonaria operativa e em seguida da aceita, onde o Segundo Vigilante tinha a responsabilidade de guiar os novos membros no início de sua jornada. Embora alguns rituais maçônicos modernos tenham adaptado esses papéis, a prática tradicional do REAA, que atribui ao Segundo Vigilante o dever de instruir os Companheiros, continua a ser a mais aceita.

No entanto, há uma crescente flexibilidade na interpretação desses rituais, especialmente em ritos não escoceses ou variantes locais, como no Brasil, onde as interpretações podem variar.

O aspecto simbólico e histórico da divisão de funções entre os Vigilantes reforça a hierarquia da Loja e os princípios de ensino, disciplina e respeito pelas tradições da Maçonaria. A flexibilidade no ensino e na participação de outros mestres no processo de instrução pode ser um reflexo das mudanças e adaptações que a Maçonaria moderna tem experimentado, mas a conexão com o passado permanece um ponto importante de referência para os maçons em todo o mundo.

Autor Ivair Ximenes Lopes

Fontes e Referências:

Essas fontes oferecem uma visão profunda sobre a prática da Maçonaria, abordando não só a história dos Vigilantes e suas funções, mas também as variações nos rituais e a adaptação dos antigos ensinamentos à realidade contemporânea da fraternidade.

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

Deixe uma resposta

A Maçonaria Regular

3
4
1
2

 

A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

MS Maçom


Nossas TAGs

Assine a Newsletter

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Junte-se a 9.607 outros assinantes

Desclpa! Você não pode copiar conteúdo desta página.

Descubra mais sobre MS MAÇOM

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading