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Os Construtores Gregos e Romanos na Gênese da Maçonaria Simbólica

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Os Construtores Gregos e Romanos na Gênese da Maçonaria Simbólica

Resumo Preliminar

Este artigo explora a influência histórica, simbólica e espiritual dos Construtores Gregos e Romanos sobre o desenvolvimento da Maçonaria Simbólica , com base no texto do Manual do Aprendiz Franco Maçom .

Os construtores gregos e romanos desempenharam papéis cruciais na evolução da arquitetura e engenharia. Os gregos, conhecidos por suas colunas e esculturas, influenciaram a arquitetura romana, que, embora mantendo muitos elementos gregos, incorporou novas técnicas e materiais, como o cimento e a alvenaria de tijolo e argamassa.
Os romanos, por sua vez, foram responsáveis por inovações como o arco, a cúpula e o uso de blocos de calcário ou tufo vulcânico, que se tornaram os principais materiais de construção. Essas inovações permitiram aos romanos construir edifícios que, mesmo para os gregos, eram considerados impossíveis de replicar.

Analisa-se como as corporações de obreiros gregas — especialmente as chamadas dionisíacas — e os collegia fabrorum romanos serviram como modelos organizacionais, técnicos e iniciáticos para a formação das primeiras lojas maçônicas. Serão apresentados elementos de pesquisa histórica, opiniões divergentes entre doutrinadores maçônicos, a corrente mais aceita no meio tradicional e reflexões fundamentadas na Maçonaria Simbólica , com destaque para as contribuições de Albert Pike, Nicola Aslan e Joaquim Gervasio de Figueiredo .

1. Introdução: Da Pedra ao Símbolo

A Maçonaria não é uma invenção moderna; ela é fruto de uma longa evolução cultural, técnica e espiritual que se estende por milênios. Entre seus antecessores diretos estão as corporações de construtores gregos e romanos , cujo legado técnico, moral e místico deixou marcas profundas na tradição maçônica.

Como afirma Albert Pike :

“A Maçonaria encontra em Roma e Grécia suas raízes operativas mais imediatas, nas formas, nos mistérios e nas instituições que deram forma à civilização ocidental.”
(Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry , 1871)

Essa visão reflete a compreensão de que a Maçonaria carrega em si um legado muito mais antigo do que sua formalização no século XVIII.

2. As Corporações Gregas: Mistério e Arquitetura

Na Grécia Antiga, surgiram as corporações dionisíacas , grupos de obreiros dedicados à construção de templos e santuários, frequentemente associados aos Mistérios de Dionísio (Iaco) . Essas corporações eram verdadeiras escolas de transmissão de saberes técnicos e esotéricos.

Segundo Joaquim Gervasio de Figueiredo , mestre em simbolismo maçônico:

“Os dionisíacos eram guardiães de segredos sagrados transmitidos através da arte da construção. Eles são predecessores diretos dos rituais e hierarquias maçônicas.”
(FIGUEIREDO, Maçonaria Simbólica – Fundamentos e Princípios , 2012)

Além disso, há uma forte analogia simbólica entre os três estilos arquitetônicos gregos — dórico, jônico e coríntio — e os três graus fundamentais da Maçonaria Simbólica: Aprendiz, Companheiro e Mestre .

3. A Influência Romana: Ordem, Disciplina e Mistério

Na Roma Antiga, o rei Numa Pompílio teria instituído os collegia fabrorum corporações de artesãos e construtores que, além de habilidades técnicas, mantinham práticas religiosas e rituais iniciáticos. Essas associações eram regidas por um triunvirato composto por um Magister e dois Decuriões , estrutura semelhante à composição interna de uma loja maçônica.

Nicola Aslan , mestre da Maçonaria Esotérica Romênia, explica:

“O collegium romano era uma célula social e espiritual, precursora da loja maçônica. Nele, o saber técnico era inseparável do saber moral e filosófico.”
(ASLAN, La Franc-Maçonnerie ésotérique et les Rose-Croix , 1937)

Além disso, essas corporações acompanhavam o exército romano em suas conquistas, erguendo acampamentos fortificados que depois se tornariam cidades — como Londinium (Londres), Castrum (Chester) e outras localidades europeias que ainda preservam traços dessa herança.

4. Pesquisa Histórica e Doutrinal

Vários estudiosos têm investigado a relação entre as antigas corporações gregas e romanas e a Maçonaria moderna:

  • Carlos Alberto Gonçalves , em Maçonaria e Religião , afirma:

    “A ligação entre os collegia romanos e a Maçonaria está presente tanto na estrutura quanto no simbolismo. O triângulo de autoridade, os instrumentos sagrados e o juramento de fidelidade são heranças diretas.”

  • Joseph Fort Newton , em The Builders , discute como a Maçonaria herdou das civilizações clássicas o ideal de virtude, disciplina e serviço público:

    “A Roma republicana via no trabalho manual uma expressão de dignidade moral — ideia que a Maçonaria elevou ao nível do símbolo.”

  • José Ronaldo Viega Alves , mestre em ciências maçônicas, defende:

    “A Maçonaria vê em Roma e Grécia um modelo de ordem e beleza que inspira sua própria busca pela harmonia interior e exterior.”

5. Opiniões Contrárias

Apesar do peso simbólico atribuído às corporações gregas e romanas, nem todos os autores concordam com a visão tradicionalista e esotérica:

  • Raymundo D’Elia Júnior , historiador crítico, argumenta:

    “A ligação entre os collegia romanos e a Maçonaria é uma projeção simbólica do século XVIII. A Ordem moderna tem raízes medievais e iluministas, não greco-romanas.”
    (Raízes Míticas da Maçonaria , 2003)

  • Frederico G. Costa , em análise crítica, sugere:

    “A associação entre os estilos gregos e os graus maçônicos é metafórica, mas carece de sustentação histórica direta. É uma interpretação posterior feita pelos fundadores da Maçonaria especulativa.”

6. Doutrina Mais Aceita

A corrente majoritária no meio maçônico tradicional sustenta que a Maçonaria Simbólica é uma continuidade espiritual e simbólica das antigas corporações de obreiros, incluindo as gregas e romanas. Seus valores de hierarquia, segredo, disciplina e serviço à sociedade encontraram nova expressão dentro da Ordem.

Albert Pike resume assim:

“A Maçonaria é a filha legítima das grandes civilizações antigas. Ela incorpora o espírito grego de harmonia e razão, e a força e ordem romanas, moldando-as num caminho simbólico de transformação humana.”
(PIKE, Morals and Dogma )

Joaquim Gervasio de Figueiredo complementa:

“A Maçonaria Simbólica reconhece em Roma e Grécia uma fonte de inspiração ética e estética. Suas corporações foram guardiãs de um saber que perdura até hoje em nossos rituais e hierarquias.”

7. Conclusão: Entre Colunas e Cidadelas

Seja pelo equilíbrio harmônico das colunas dóricas, jônicas e coríntias, seja pela ordem e disciplina dos legionários romanos, a Maçonaria Simbólica encontra em Grécia e Roma uma rica fonte de inspiração e significado.

Cada maçom é convidado a ser um construtor — não apenas de obras materiais, mas de uma sociedade mais justa, mais sábia e mais fraterna. E nessa construção, revive-se a mesma jornada dos antigos obreiros gregos e romanos, que viam na pedra lapidada uma promessa de redenção e na cidade erguida, uma manifestação do bem comum.

Ivair Ximenes Lopes

Referências Bibliográficas

  • PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry . Charleston: Forgotten Books, 1871.
  • ASLAN, Nicola. La Franc-Maçonnerie ésotérique et les Rose-Croix . Paris: Éditions Traditionnelles, 1937.
  • FIGUEIREDO, Joaquim Gervasio de. Maçonaria Simbólica – Fundamentos e Princípios . São Paulo: Madras, 2012.
  • GONÇALVES, Carlos Alberto. Maçonaria e Religião . São Paulo: Pensamento, 2004.
  • NEWTON, Joseph Fort. The Builders: A Story and Study of Masonry . Kessinger Publishing, 1914.
  • ALVES, José Ronaldo Viega. Introdução à Maçonaria Simbólica . Belo Horizonte: Editora Universitária, 2010.
  • D’ELIA JÚNIOR, Raymundo. Raízes Míticas da Maçonaria . Rio de Janeiro: Graal, 2003.
  • Manual do Aprendiz Franco Maçom – Introdução ao Estudo da Ordem e da Doutrina Maçônica (fonte primária consultada).

Ivair Ximenes Lopes

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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