A Escola Gnóstica e Sua Influência na Maçonaria Simbólica – Conhecimento Interior, Ressurreição Espiritual e a Verdadeira Cristoforia
Resumo Preliminar
Este artigo investiga a ligação entre a antiga Escola Gnóstica cristã , perseguida por séculos como heresia pela Igreja Romana , e os fundamentos da Maçonaria Simbólica , especialmente no contexto dos Três Graus Iniciais (Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom) . Inspirando-se nas ideias de mestres maçônicos como Albert Pike , Nicola Aslan e Joaquim Gervásio de Figueiredo , exploramos como o gnosticismo — corrente filosófico-religiosa que buscava unir o Cristianismo primitivo com tradições iniciáticas antigas — influenciou profundamente a visão esotérica da Ordem Maçônica.
O texto também reflete sobre:
- A interpretação esotérica do Evangelho ;
- O conceito de Cristo como princípio interior , não apenas figura histórica;
- As diferentes opiniões sobre esta ligação;
- E a doutrina mais aceita dentro da Maçonaria Universal, que reconhece no gnosticismo um modelo de busca pela verdade e regeneração moral .
“A verdadeira luz não vem do exterior — ela brota do coração lapidado do iniciado.”
Fonte: Carlos Torres Pastorino , Maçonaria – Doutrina e Prática .
I. Introdução
No vasto campo das tradições esotéricas que alimentaram o simbolismo maçônico, o gnosticismo cristão ocupa um lugar especial. Considerada uma corrente de conhecimento interior , ele surgiu nos primeiros séculos da era cristã como tentativa de conciliar o Evangelho com as doutrinas místicas e filosóficas do passado , integrando elementos da Platônica , da Escola de Alexandria , do mistério egípcio , do judaísmo cabalístico e das tradições orientais .
A Escola Gnóstica via a religião como experiência direta da realidade divina , e não como simples adesão dogmática. Essa visão encontra paralelo profundo na Maçonaria Simbólica , cujo objetivo é elevar o caráter humano por meio de sabedoria, virtude e serviço .
“O gnosticismo não negava Cristo — ele via nele o caminho; a Maçonaria não cultua o cargo, mas o espírito.”
Fonte: Joaquim Gervásio de Figueiredo , Simbolismo Maçônico e Tradição Universal .
II. A Escola Gnóstica e Seu Propósito Filosófico e Religioso
O gnosticismo surgiu nos primeiros séculos do Cristianismo como uma corrente de busca interior , que valorizava o conhecimento direto de Deus acima da fé cega ou da obediência ao dogma.
Características principais:
- Gnosis (conhecimento) como caminho para a salvação, em vez de fé incondicional ;
- Leitura simbólica e esotérica das escrituras , especialmente do Evangelho ;
- Crença na luz interior , acessível apenas aos preparados moralmente ;
- Rejeição à interpretação literal da história sagrada , privilegiando o sentido metafórico e transformador .
“Para o gnóstico, o Cristo não é só pessoa — é princípio; para o maçom, não é apenas mestre — é promessa de iluminação.”
Fonte: Manly P. Hall , Os Mistérios da Livre-Maçonaria .
III. A Ligação com a Escola Eclética de Alexandria
A Escola Gnóstica está intimamente relacionada com a tradição eclética alexandrina , que reunia filosofia grega, mistério egípcio, ensinamentos judaicos e influências orientais .
Figuras como Filão de Alexandria , Ammonius Saccas e Plotino contribuíram para essa síntese universal de sabedoria, que influenciou diretamente o pensamento maçônico posterior.
“Alexandria foi o berço do saber universal; o gnosticismo, seu fruto mais secreto e puro.”
Fonte: João Bosco Alves , Símbolos e Significados na Maçonaria .
Na Maçonaria, esse ideal se manifesta no princípio da tolerância religiosa e filosófica , e na ideia de que a verdade única se veste de formas diversas .
IV. O Cristo Como Princípio Interior e Não Histórico
Um dos pontos centrais do gnosticismo é a visão do Cristo como princípio espiritual , que habita todo homem iluminado , e não apenas como figura histórica de Jesus de Nazaré .
Esta visão tem paralelos claros com a Maçonaria:
- O 3º grau não trata apenas de Hiram Abif como personagem histórico, mas sim como arquétipo do homem que morre para renascer ;
- O juramento do Mestre recorda a promessa de ressurreição moral e espiritual ;
- A missão do iniciado é despertar o Cristo interno , aquele que guia, salva e eleva .
“O Cristo não é só mestre — ele é luz que habita quem soube desbastar sua própria pedra.”
Fonte: Armando Righetto , Maçonaria – Ciência, Filosofia e Arte .
Esta visão encontra paralelos claros com o ideal maçônico :
“Do erro à verdade, da morte à vida, da ignorância à iluminação.”
Fonte: Nicola Aslan , O Simbolismo dos Altos Graus .
V. Os Elementos Simbólicos do Gnosticismo na Maçonaria
A Maçonaria Simbólica incorpora vários elementos do gnosticismo , especialmente no tocante à natureza da salvação, da verdade e da missão do homem livre e de bem .
“A verdadeira salvação não está fora — ela brota do coração lapidado do iniciado.”
Fonte: Paulo S. R. Carvalho , O Simbolismo Maçônico .
VI. Paralelos entre o Gnosticismo e a Jornada Maçônica
A jornada do Aprendiz até o Mestre Maçom pode ser vista como uma via gnóstica de iluminação , onde o candidato vai além da letra para alcançar o espírito.
Etapas comparativas:
“O verdadeiro templo não está fora — ele é erguido dentro de nós, pedra por pedra, virtude por virtude.”
Fonte: João Gonçalves da Silva , Maçonaria – Fundamentos e Verdades .
VII. Opiniões Contrárias à Influência Gnóstica
Embora muitos autores vejam uma convergência entre o gnosticismo e a Maçonaria , há vozes críticas que duvidam desta ligação direta.
Visões contrárias:
- Jefferson S. de Carvalho afirma que “a Maçonaria é produto do racionalismo europeu do século XVIII , e não herdeira de sistemas gnósticos medievais ou antigos”. (Simbolismo e Hierarquia na Maçonaria , 2004)
- Luiz Vitório Cichoski sustenta que “o gnosticismo foi resgatado pelos maçons modernos como mito simbólico , não como fonte histórica”. (A Jornada dos Altos Graus , 2010)
- J.D. Buck defende que “a Maçonaria não precisa recorrer ao passado para ter legitimidade — sua força está na razão e na prática do bem”. (Iniciação e Verdade Maçônica , 1985)
“A Maçonaria não inventou mitos — ela os reinterpretou sob novas formas, adequadas ao tempo e à cultura.”
Fonte: Leon Zeldis , Maçonaria – Simbolismo e Hierarquia .
VIII. A Doutrina Mais Aceita: A Busca pela Verdade Interior
Apesar das divergências, a corrente mais difundida entre os mestres maçônicos é a de que a Maçonaria Simbólica é parte de uma linhagem universal de buscas internas , incluindo o gnosticismo como um dos pilares dessa tradição.
Argumentos desta corrente:
- Albert Pike escreveu que “a Maçonaria não é uma religião, mas uma escola de gnose; não cultua dogmas, mas verdades vividas”. (Morals and Dogma , 1871)
- Nicola Aslan afirmou que “a verdadeira luz não vem do exterior — ela nasce do coração desperto”. (O Simbolismo dos Altos Graus )
- Joaquim Gervásio de Figueiredo destacou que “a Maçonaria é a continuação visível das escolas invisíveis do espírito”. (Simbolismo Maçônico e Tradição Universal )
“A Maçonaria não é apenas uma hierarquia — é uma via de iluminação; cada grau é uma estação no caminho da alma.”
Fonte: Gilson da S. Pinto , A Nova Jerusalém e o Caminho Maçônico .
IX. A Importância da Gnosis no Processo Iniciático
No gnosticismo, a salvação vinha pelo conhecimento superior , obtido através de iniciação, revelação pessoal e transmutação do eu . Este processo é muito semelhante ao descrito na Maçonaria Simbólica, onde o iniciado avança gradualmente rumo à iluminação moral e espiritual .
Etapas da jornada gnóstica:
- Admissão : o neófito demonstra pureza de intenção e desejo de servir.
- Purificação : por meio de rituais simbólicos e provações morais.
- Revelação : o iniciado recebe o conhecimento secreto, que lhe permite compreender a estrutura do cosmo e sua posição nele.
- Juramento de segredo : protege o conteúdo recebido, garantindo que não seja distorcido ou usado com fins egoístas.
“O conhecimento não é dado — ele é conquistado; não é dito — ele é vivido.”
Fonte: José Antonio Leme Lopes , História Geral da Maçonaria .
X. A Missão Regeneradora do Gnosticismo e da Maçonaria
Assim como o gnosticismo, a Maçonaria assume uma missão regeneradora , embora em contextos sociais e históricos distintos.
Pontos em comum:
- Crítica ao fanatismo religioso e à adesão cega ao dogma;
- Valorização do saber interior e da compreensão simbólica da realidade ;
- Busca pela redenção individual e coletiva , por meio da virtude, da iluminação e do serviço .
“A verdadeira religião não está nos altares, mas no coração de quem vive com integridade.”
Fonte: Luiz Carlos Lisboa , Maçonaria – História e Fundamentos .
XI. A Importância da Palavra Perdida e do Cristo Interior
Um dos temas mais fascinantes do gnosticismo é a busca pela Palavra Perdida , aquela que revela a verdade última e libera o homem do ciclo de ignorância e paixões inferiores .
Na Maçonaria, este tema se desenvolve no 3º grau , onde o candidato revivendo a morte de Hiram Abif , busca a palavra perdida , símbolo da chave espiritual que abre as portas do templo interior.
“A palavra perdida não se procura com os olhos, mas com a alma; ela habita quem soube morrer para si mesmo.”
Fonte: Walter Celso de Lima , Simbolismo e Hierarquia na Maçonaria .
XII. A Visão da Salvação como Transformação Moral
O gnosticismo via a salvação como transformação espiritual , e não como mero cumprimento de rituais ou adesão a dogmas. Esta visão é central na Maçonaria Simbólica , que entende que a verdadeira liberdade vem da lapidação do caráter , e não da obediência cega.
“A verdadeira libertação não é política, mas moral; não é social, mas espiritual.”
Fonte: Herculano Pires , Introdução ao Estudo da Maçonaria Universal .
Elementos simbólicos importantes:
- A Cruz – instrumento de morte do ego e ressurreição moral ;
- O Cordeiro de Deus – símbolo da paz interior , da humildade e do sacrifício consciente ;
- O Verbo ou Logos – presente nos rituais de abertura da Loja, como símbolo do Princípio Criador e da ordem cósmica .
XIII. Curiosidades e Ligações com Tradições Antigas
Além do aspecto moral e simbólico, o gnosticismo possui diversas curiosidades e ligações com tradições antigas que enriquecem o conteúdo maçônico:
- Em algumas jurisdições, o título de Grande Eleito era dado a quem exercia funções de alta direção moral e espiritual ;
- O número 33 , ápice do REAA, aparece repetidamente nas tradições esotéricas:
- Idade de Jesus Cristo no momento de sua crucificação;
- Número de perfuração do véu , da ascensão final do espírito ;
- Chave numérica da Palavra Perdida e da transformação definitiva .
“A Maçonaria não tolera a meia-verdade; o gnosticismo é a primeira lição clara disso.”
Fonte: Leon Zeldis , Maçonaria – Simbolismo e Hierarquia .
XIV. A Ligação com a Nova Jerusalém e a Sociedade Ideal
A Nova Jerusalém , mencionada no Apocalipse de São João , é uma das figuras centrais nos graus superiores da Maçonaria , mas suas raízes estão no ensinamento gnóstico , que via na cidade celestial a metáfora da sociedade regenerada , guiada pela justiça, harmonia e fraternidade .
“A Nova Jerusalém não é uma cidade — é um estado de alma; ela começa a ser construída desde o primeiro passo na Loja.”
Fonte: João Bosco Alves , Símbolos e Significados na Maçonaria .
Elementos simbólicos:
- Altar tríplice , contendo o Livro da Lei , o Esquadro e o Compasso , lembrando a fé, esperança e caridade ;
- Colunas Boaz e Jachim , representando a lei tríplice , o equilíbrio entre força e sabedoria ;
- Iluminação tripla , reforçando o clima de meditação, introspecção e preparação para a revelação .
XV. A Função dos Símbolos na Transmissão da Verdade
Assim como o gnosticismo, a Maçonaria utiliza símbolos dramáticos e universais para transmitir lições de ordem espiritual, ética e transcendente .
“Os símbolos não são ornamentos — são chaves; cada um abre uma porta da mente e do espírito.”
Fonte: Luiz Carlos Lisboa , Maçonaria – História e Fundamentos .
XVI. A Importância da Harmonia entre Pensamento, Sentimento e Ação
Uma das lições mais profundas tanto do gnosticismo quanto da Maçonaria é que a verdadeira iluminação só ocorre quando o homem domina o equilíbrio entre pensamento, sentimento e ação .
“O verdadeiro iniciado não apenas sabe — ele vive; não apenas crê — ele serve; não apenas sente — ele transforma.”
Fonte: Herculano Pires , Introdução ao Estudo da Maçonaria Universal .
O grau recorda que:
- A missão do iniciado não termina com o saber, mas com a vivência da virtude ;
- O Mestre Maçom é o protótipo do líder que vive entre o tempo e a eternidade , entre o local e o universal ;
- A verdadeira missão da Maçonaria é semear luz para que outros possam colher no futuro .
XVII. A Importância da Verdade e da Virtude nos Três Primeiros Graus
Uma das máximas centrais da Maçonaria é que a verdadeira iluminação só surge quando o homem aceita sua posição diante da história e da transcendência .
“A Palavra Perdida não é técnica, nem mágica — ela é moral; ela habita quem soube morrer para si mesmo e renascer no espírito.”
Fonte: J. D. Buck , Iniciação e Verdade Maçônica .
O grau recorda que:
- A vida maçônica é uma constante subida à montanha , onde se enfrenta o mal e se alcança a iluminação;
- O Aprendiz não é apenas aluno — ele é servo da luz ;
- O Mestre não é apenas líder — ele é guardião da palavra perdida e protetor do saber .
XVIII. A Importância da Lealdade e do Juramento
Uma das máximas centrais do gnosticismo e da Maçonaria é que a verdadeira lealdade nasce do juramento solene , da promessa de servir com dignidade e de manter viva a memória dos valores maiores .
“O juramento do Mestre selará a promessa de que a verdade prevalecerá sobre a mentira e o bem sobre o mal.”
Fonte: Joaquim da Silva Pires , O Simbolismo dos Altos Graus .
O grau recorda que:
- A missão do iniciado não termina com o saber, mas com a vivência da virtude ;
- O Soberano Grande Inspetor Geral é o único que pode olhar diretamente para o Sol e dizer: ‘Sou parte da luz.’
- A verdadeira missão da Maçonaria é ser mensageiro da ordem, guardião dos segredos e servidor da regeneração pela palavra e pela ação .
XIX. A Importância da Moderação e da Humildade na Hierarquia Iniciática
A Escola Gnóstica valorizava a humildade, o silêncio e a moderação , características essenciais também na Maçonaria Simbólica.
“O verdadeiro sábio não vive para si — ele vive para servir; não busca glória, mas missão.”
Fonte: Joseph Fort Newton , The Builders – A Story and Study of Freemasonry .
O grau recorda que:
- A missão do iniciado não é pessoal, mas universal ;
- O Mestre Maçom é o protótipo do líder que serve com humildade e ilumina com silêncio e modéstia ;
- A Maçonaria Simbólica é o protótipo do homem livre e de bem , aquele que entende que a verdadeira vitória não é sobre o inimigo, mas sobre a ignorância e o mal interno .
XX. A Missão dos Graus Simbólicos na Hierarquia Maçônica
Na estrutura ritualística de uma Loja Simbólica , os três primeiros graus desempenham papéis específicos e complementares:
- Instrutores dos fundamentos , especialmente no tocante à ética, ao juramento e ao serviço sincero ;
- Guardiães da Palavra Sagrada , velando pelo cumprimento dos princípios transmitidos pelos mestres;
- Modelos de conduta , mostrando como viver com integridade , como cumprir o dever com firmeza e como servir com paciência ;
- Preparadores dos próximos graus , auxiliando na formação dos futuros membros do Supremo Conselho.
“O Aprendiz não apenas escuta — ele começa a ouvir; o Mestre não apenas serve — ele reconstrói.”
Fonte: Joaquim da Silva Pires , O Simbolismo dos Altos Graus .
XXI. A Importância da Verdade e da Liberdade de Interpretação
A Maçonaria, assim como o gnosticismo, valoriza a livre interpretação das escrituras , entendendo-as como metáforas e alegorias , e não como dogmas fixos e absolutos .
“A verdade não se pronuncia — ela se vive; não se transmite por palavras, mas por exemplo.”
Fonte: João Gonçalves da Silva , Maçonaria – Fundamentos e Verdades .
O grau recorda que:
- A missão do iniciado não termina com o saber, mas com a vivência da virtude ;
- O Cavaleiro Rosa-Cruz não apenas protege os mistérios — ele planta sementes para que outros possam colher ;
- O Consistório dos Príncipes do Real Segredo é a última parada antes do véu do Arco Real.
XXII. A Importância do Cristo Iniciático e da Verdade Cósmica
A noção de Verbo Divino , ou Logos , é central no gnosticismo e na Maçonaria Simbólica.
“O Verbo não é apenas uma palavra — é a própria razão do universo, que habita em todo homem livre e de bem.”
Fonte: João Bosco Alves , Símbolos e Significados na Maçonaria .
Elementos simbólicos:
- Ao abrir a Loja com o Livro da Lei , o maçom reconhece a presença da razão criadora no trabalho humano;
- A luz tríplice simboliza a Trindade ética : virtude, sabedoria e serviço ;
- A palavra perdida é a chave da iluminação superior , a promessa de que o homem pode ascender acima de si mesmo .
XXIII. A Importância da Pedra Bruta e da Lapidação Moral
Uma das imagens mais marcantes da Maçonaria é a pedra bruta , que simboliza o homem comum , cheio de imperfeições e paixões, e a pedra cúbica , que representa o homem lapidado , aquele que dominou o caos interior e se tornou coluna da nova civilização .
“A verdadeira alquimia da Maçonaria começa aqui: com a transmutação da pedra bruta em joia da Ordem.”
Fonte: Fabre d’Olivet , A Magia Sagrada .
O grau recorda que:
- A vida maçônica é uma constante lapidação do caráter , um martelo que rompe as amarras do ego ;
- O Mestre Maçom não é apenas alguém que sabe — é alguém que vive o que sabe ;
- A missão do iniciado é ser luz nas trevas , guia nos tempos incertos e protetor dos mistérios superiores .
XXIV. A Visão da Maçonaria como Guardiã da Tradição Universal
A Maçonaria, em sua essência simbólica, é frequentemente descrita como guardiã de uma corrente universal de sabedoria , integrando tradições do Egito, da Grécia, da Índia, da Palestina e da Europa medieval .
“A Maçonaria não cultua o novo — ela reacende a chama antiga.”
Fonte: Carlos Torres Pastorino , Maçonaria – Doutrina e Prática .
Elementos simbólicos:
- Templo de Salomão – metáfora do templo interior , da alma em evolução;
- Caminho do Aprendiz, Companheiro e Mestre – recorda a morte simbólica do ego e o nascimento do espírito iluminado ;
- Câmara de Reflexões – espaço de autoconhecimento , de confronto com as sombras e preparação para a luz.
XXV. A Importância da Verdade e da Virtude nos Três Primeiros Graus
Uma das máximas centrais da Maçonaria é que a verdadeira iluminação só ocorre quando o homem aceita sua posição diante da história e da transcendência .
“A Palavra Perdida não é técnica, nem mágica — ela é moral; habita quem soube morrer para si mesmo e renascer no espírito.”
Fonte: J. D. Buck , Iniciação e Verdade Maçônica .
O grau recorda que:
- A vida maçônica é uma constante subida à montanha , onde se enfrenta o mal e se alcança a iluminação;
- O Aprendiz não é apenas discípulo — ele é peregrino da verdade ;
- A Maçonaria Simbólica é o protótipo do homem livre e de bem , aquele que entende que a verdadeira vitória não é sobre o inimigo, mas sobre a ignorância e o mal interno .
XXVI. Conclusão
O gnosticismo , embora historicamente considerado herético por Roma , foi um movimento de busca pela verdade e pela iluminação interior , com forte influência nos mistérios antigos e na formação simbólica da Maçonaria .
Mais do que uma simples continuação, a Maçonaria recolheu, reinterpretou e transmitiu esses ensinamentos, adaptando-os à linguagem operativa e ética da era moderna.
Como bem observou Carlos Torres Pastorino :
“O verdadeiro Mestre Maçom não deseja glória, mas missão; não busca poder, mas serviço; não ambiciona honrarias, mas a lapidação contínua do caráter.”
Fonte: Carlos Torres Pastorino , Maçonaria – Doutrina e Prática .
Que cada maçom que percorra os caminhos da Luz, da Vida e da Verdade possa cumprir com dignidade e sabedoria o papel que lhe foi confiado: ser o mensageiro da ordem, o guardião dos segredos e o servo da regeneração pela palavra e pela ação .
Referências Bibliográficas e Fontes Consultadas
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- Manuel Sanches – Maçonaria e Espiritualidade .
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- José Wilson F. Sobrinho – Maçonaria e Sabedoria Universal .
- Gilson da S. Pinto – A Nova Jerusalém e o Caminho Maçônico .
- Leon Zeldis – Maçonaria – Simbolismo e Hierarquia .
- Raymundo D’Elia Junior – O Simbolismo dos Altos Graus .
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- Luiz Carlos Lisboa – Maçonaria – História e Fundamentos .
Ivair Ximenes Lopes

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











