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O Tratado de Madri (1750) e os Acordos que Redefiniram as Fronteiras da América Portuguesa

tratado de madrid

O Tratado de Madri (1750) e os Acordos que Redefiniram as Fronteiras da América Portuguesa

O Tratado de Madri, assinado em 13 de janeiro de 1750 entre Portugal e Espanha, representou uma profunda revisão das bases territoriais estabelecidas pelo Tratado de Tordesilhas (1494).

Ao reconhecer a ocupação efetiva como critério de soberania, o acordo redefiniu as fronteiras sul-americanas e marcou um novo paradigma jurídico e político na delimitação territorial das colônias ibéricas.

Contexto Histórico

Desde o século XVI, a linha de Tordesilhas mostrava-se impraticável para a realidade americana. A expansão territorial portuguesa, impulsionada pelas bandeiras, pela exploração econômica e pela ocupação contínua do interior do continente, avançou muito além dos limites originalmente previstos.

Ao mesmo tempo, a Espanha enfrentava dificuldades para manter o controle efetivo sobre vastas áreas pouco povoadas. Esse cenário tornou inevitável a revisão dos acordos anteriores, culminando no Tratado de Madri.

O Tratado de Madri (1750)

O Tratado de Madri foi fundamentado no princípio jurídico do uti possidetis, segundo o qual a posse efetiva do território prevalece sobre títulos meramente formais.

Esse critério substituiu a antiga linha imaginária de Tordesilhas por fronteiras naturais, como rios, serras e divisores de águas.

Entre seus principais pontos destacam-se:

  • Reconhecimento da soberania portuguesa sobre extensas áreas do atual território brasileiro;

  • Troca da Colônia do Sacramento, que passou à Espanha, pelos Sete Povos das Missões, destinados a Portugal;

  • Estabelecimento de comissões mistas para demarcação das fronteiras.

Apesar de inovador, o tratado enfrentou forte resistência, especialmente dos jesuítas e das populações indígenas missioneiras, resultando na Guerra Guaranítica (1754–1756).

Anulação e o Tratado de El Pardo (1761)

As dificuldades práticas e políticas na execução do Tratado de Madri levaram à sua anulação por meio do Tratado de El Pardo, em 1761. Esse novo acordo restaurou, em tese, a vigência dos termos anteriores, embora sem resolver definitivamente as disputas territoriais.

Na prática, porém, a ocupação efetiva portuguesa continuou a avançar, consolidando o controle sobre grande parte do território.

O Tratado de Santo Ildefonso (1777)

A redefinição mais consistente ocorreu com o Tratado de Santo Ildefonso, assinado em 1777. Esse acordo retomou muitos dos princípios do Tratado de Madri, confirmando a predominância portuguesa sobre extensas áreas do interior, enquanto a Espanha manteve o controle sobre a região do Rio da Prata.

O tratado também estabeleceu bases mais claras para a delimitação das fronteiras no sul do continente.

O Tratado de Badajoz (1801)

O processo de definição territorial foi concluído com o Tratado de Badajoz, em 1801, que confirmou definitivamente a incorporação portuguesa da região dos Sete Povos das Missões. Esse acordo consolidou o desenho geral das fronteiras do Brasil, que permanecem, em grande parte, até os dias atuais.

Importância Histórica e Jurídica

O Tratado de Madri e os acordos subsequentes tiveram impacto decisivo na formação territorial do Brasil. Eles introduziram conceitos modernos de direito internacional, como a valorização da ocupação efetiva e a utilização de fronteiras naturais.

Esses tratados também evidenciam a transição de uma lógica medieval de partilha do mundo para uma abordagem diplomática mais pragmática, alinhada aos interesses estratégicos e econômicos das potências coloniais.

Considerações Finais

A sequência de tratados iniciada em 1750 não apenas redefiniu os limites entre os domínios português e espanhol na América, mas também lançou as bases jurídicas e territoriais do Brasil contemporâneo. Trata-se de um capítulo fundamental para compreender a formação do Estado brasileiro e a evolução do direito internacional.

Pesquisa Ivair Ximenes Lopes

Fontes Bibliográficas

  • BOXER, C. R. O Império Marítimo Português.

  • FAUSTO, Boris. História do Brasil.

  • HOLANDA, Sérgio Buarque de. Caminhos e Fronteiras.

  • PRADO JR., Caio. Formação do Brasil Contemporâneo.

  • RUSSELL-WOOD, A. J. R. The Portuguese Empire, 1415–1808.

  • VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil Colonial.

Marcado:

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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