Hermes Rodrigues da Fonseca (1855–1923): biografia, carreira pública e o desafio da memóriamaçônica
1. Introdução
Hermes Rodrigues da Fonseca, oitavo Presidente da República do Brasil, foi uma das figuras centrais da Primeira República, destacando-se como militar de carreira, ministro da Guerra e chefe de Estado. Sua trajetória confunde-se com o processo de consolidação do regime republicano e com o protagonismo político das Forças Armadas no início do século XX.
Assim como ocorre com diversos personagens desse período, sua eventual vinculação à Maçonaria suscita debates historiográficos que exigem cautela metodológica.
Hermes Rodrigues da Fonseca nasceu em 12 de maio de 1855, em São Gabriel, RioGrande do Sul, no seio de uma família militar e politicamente influente. Era sobrinho do Marechal Deodoro da Fonseca, líder do movimento que proclamou a República em 1889.
Ingressou cedo na carreira das armas, formando-se na Escola Militar do Rio de Janeiro, destacando-se pela disciplina, competência técnica e lealdade institucional. Sua formação foi marcada pelo positivismo militar, corrente ideológica que influenciou profundamente o Exército brasileiro no final do século XIX.
Hermes da Fonseca construiu sólida carreira no Exército, alcançando postos elevados e reconhecimento interno. Sua projeção nacional intensificou-se após a Proclamação da República, quando passou a ocupar funções estratégicas.
Ministro da Guerra (1906–1909), no governo Afonso Pena
Responsável pela modernização do Exército brasileiro
Reformador do ensino militar e da estrutura administrativa da força
Sua atuação no Ministério da Guerra consolidou sua imagem como liderança militar de projeção nacional, abrindo caminho para sua candidatura à Presidência da República.
Eleito Presidente da República, Hermes Rodrigues da Fonseca governou o Brasil entre 1910 e 1914. Seu mandato ficou marcado por tensões políticas e pelo predomínio da chamada política das intervenções federais, especialmente durante o episódio conhecido como “política das salvações”, que consistiu na deposição de oligarquias estaduais consideradas hostis ao governo central.
Durante seu governo, enfrentou importantes crises internas, entre as quais:
Resistência de setores civis à influência militar na política
Apesar das dificuldades, seu governo buscou preservar a ordem republicana e a autoridade do Estado, refletindo sua formação essencialmente militar.
5. Atuação posterior e falecimento
Após deixar a Presidência, Hermes da Fonseca continuou exercendo influência política e militar. Foi eleito Senador da República, mantendo-se ativo nos debates nacionais.
Faleceu em 9 de setembro de 1923, no Rio de Janeiro, encerrando uma trajetória profundamente ligada ao Exército e à consolidação do regime republicano.
Durante a Primeira República, a Maçonaria manteve presença significativa entre militares, políticos e intelectuais. Muitos dirigentes republicanos possuíam filiação comprovada à Ordem, o que frequentemente leva à suposição de que todo protagonista do período também fosse maçom.
Contudo, a historiografia séria distingue ambiente de influência de filiação efetiva.
Hermes Rodrigues da Fonseca é frequentemente citado em tradições orais e obras secundárias como possível integrante da Maçonaria, sobretudo em razão de:
sua ligação familiar com Deodoro da Fonseca (maçom comprovado);
sua posição de destaque no Exército;
sua atuação política no período republicano inicial.
Entretanto, não há consenso documental absoluto.
6.3. Estado da documentação histórica
Até o momento, não se encontram amplamente divulgados, em acervos públicos consolidados:
Algumas obras maçônicas mencionam sua condição de maçom, mas sem apresentação de documentação primária reproduzida, o que exige prudência acadêmica.
6.4. Interpretação historiográfica
Diante das fontes disponíveis, a posição mais segura é a seguinte:
é plausível que Hermes Rodrigues da Fonseca tenha mantido proximidade institucional ou simbólica com ambientes maçônicos;
não é possível afirmar com plena segurança, em termos acadêmicos estritos, a Loja, data e grau de iniciação sem acesso a registros primários específicos.
Assim, sua vinculação à Maçonaria permanece como hipótese recorrente, mas não plenamente demonstrada sob os critérios da historiografia documental.
Hermes Rodrigues da Fonseca foi personagem central da Primeira Repúblicabrasileira, representando a confluência entre poder militar e governo civil em um momento decisivo da história nacional. Sua atuação como Presidente, Ministro da Guerra e senador revela compromisso com a ordem republicana e com a autoridade do Estado.
No que se refere à Maçonaria, impõe-se cautela: a ausência de documentação pública conclusiva impede afirmações categóricas, sendo necessário distinguir tradição memorialística de comprovação histórica.
O verdadeiro legado de Hermes da Fonseca reside em sua atuação institucional e política, independentemente de filiações simbólicas cuja comprovação permanece inconclusa.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).