As colunas na Maçonaria: significado, simbolismo e papel na Loja
Resumo preliminar do texto base
O texto base apresenta uma ampla visão sobre o conceito de colunas dentro da Maçonaria Regular, destacando suas múltiplas interpretações simbólicas e funcionais no Templo Maçônico.
A descrição das Colunas do Templo de Salomão estão contidas e dois livros do Antigo Testamento, no Primeiro Livro dos Reis e no Segundo Livro das Crónicas.
No primeiro Livro dos Reis quem o escreveu começou por descrever a edificação do Templo, partindo das dimensões do mesmo, depois passa pela descrição do pórtico, segue descrevendo o corpo central da casa, e termina descrevendo o santuário. Depois descreve os Querubins e a construção do palácio e só depois fala das duas colunas. Fala destas colunas como se a descrição tivesse sido interrompida para falar da construção do palácio, e voltasse a trás. Toda a descrição é feita como sendo uma viagem em que entramos no Templo, passamos pelo pórtico, paramos por instantes no corpo central da casa para admirar e a seguir vamos ver o santuário e os querubins, depois voltamo-nos para ocidente e sem sair de dentro do Templo temos a descrição das colunas e é indicada a sua localização.
“Colocou estas duas colunas junto do pórtico do templo, á da direita chamou Jaquin e á da esquerda”(o nome que só os companheiros e mestres conhecem). – Antigo Testamento, Primeiro Livro dos reis, capítulo 7, versículo 21.
Desde as colunas arquitetônicas tradicionais (jônica, dórica, coríntia) que simbolizam sabedoria, força e beleza, até as colunas específicas do Templo de Salomão — Boaz e Jaquim —, que representam polaridades essenciais. Também são descritas colunas menos evidentes, como as da harmonia, funerária, gravada e zodiacal, que enriquecem o contexto ritualístico e simbólico.
O texto conclui ressaltando que a verdadeira coluna de um templo maçônico são seus obreiros, edificadores da própria moral e do mundo melhor.
Pesquisa histórica sobre as colunas na Maçonaria Regular
A simbologia das colunas na Maçonaria Regular remonta às tradições arquitetônicas clássicas da Antiguidade e ao simbolismo do Templo de Salomão, figura central do imaginário maçônico desde sua institucionalização no século XVIII. O historiador maçônico Albert Pike, em sua obra “Morals and Dogma” (1871), destaca que as colunas Boaz e Jaquim simbolizam os pilares da sabedoria e da força, respectivamente, que sustentam o conhecimento e a virtude, essenciais para a construção moral do homem livre e de bons costumes (Pike, 1871).
Na Maçonaria Inglesa, especialmente sob a égide da Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE), as colunas arquitetônicas clássicas — jônica, dórica e coríntia — são associadas a três grandes virtudes humanas, presentes na organização hierárquica da Loja: o Venerável Mestre, o 1º Vigilante e o 2º Vigilante. Essa tripartição não apenas reforça o simbolismo, mas também estabelece as funções e responsabilidades dentro do templo, conforme ressaltado por Arthur Edward Waite (Waite, 1921) e mais recentemente por Armando Righetto (Righetto, 2002).
O simbolismo das colunas Boaz e Jaquim, originário do Templo de Salomão, é interpretado também como a dualidade presente no universo: luz e sombra, masculino e feminino, calor e frio, conforme registrado nas tradições herméticas e maçônicas. Fabre d’Olivet (1823) e Nicola Aslan (2010) reforçam essa dualidade como essencial para a compreensão do equilíbrio no homem e na construção moral, destacando a polaridade como princípio fundamental para o crescimento espiritual.
As colunas zodiacais, embora menos mencionadas, refletem a influência da astrologia e do cosmos nos rituais maçônicos, alinhando o microcosmo humano ao macrocosmo celeste, conforme estudado por Manly P. Hall (Hall, 1928) e Carlos Alberto Gonçalves (Gonçalves, 2001).
Opiniões contrárias
Apesar da unanimidade sobre o simbolismo das colunas, algumas correntes dentro da Maçonaria questionam o uso excessivo de elementos simbólicos que, para eles, podem levar a interpretações esotéricas subjetivas que desviam o foco da prática moral e ética da ordem. Essa visão, presente em parte da literatura crítica maçônica e em discursos de obreiros mais pragmáticos, ressalta que o simbolismo das colunas deveria ser mais funcional e menos mitológico, para não obscurecer a finalidade prática do ritual, conforme apontado por Jefferson S. de Carvalho (Carvalho, 1998) e R. Schmidt-Patier (Schmidt-Patier, 2010).
Outra crítica comum refere-se à complexidade e o grau de abstração da simbologia zodiacal e das colunas menos evidentes como a funerária e a gravada, que podem gerar confusão nos iniciados e dificultar o acesso à essência moral e filosófica do rito.
Doutrina mais aceita
A doutrina predominante, adotada pela Maçonaria Regular, especialmente sob a égide da UGLE, reforça o simbolismo clássico das colunas como arquétipos indispensáveis para a educação moral do maçom e a organização do trabalho em loja. O reconhecimento do Venerável Mestre, do 1º e 2º Vigilantes como as colunas jônica, dórica e coríntia, respectivamente, é universalmente aceito, assim como a importância das colunas Boaz e Jaquim, em sua significação ritualística e esotérica.
Segundo Alberto Mansur (Mansur, 1995), as colunas são mais que meros símbolos arquitetônicos; são a representação da tríade fundamental que sustenta o templo interior do maçom: sabedoria (mente), força (vontade) e beleza (ação). Essa tríade, expressa nas colunas, constitui o alicerce para a transformação pessoal e coletiva.
Para Herculano Pires (Pires, 1968), as colunas também remetem à dialética dos opostos, onde o equilíbrio entre forças contrárias gera harmonia e progresso, um princípio central no ensinamento maçônico.
Utilização do texto base no artigo
Podemos definir coluna como um elemento arquitetónico destinado a receber as cargas verticais de uma edificação. Em maçonaria, a palavra coluna possui derivações variadas, sendo as principais:
Coluna Jônica — simboliza a sabedoria personificada pelo Venerável, localizada no oriente sobre a prancheta do venerável.
Coluna Dórica — simboliza a força, personificada pelo 1º vigilante, representando os aprendizes, localizada sobre a mesa do 1º vigilante.
Coluna Coríntia — simboliza a beleza, personificada pelo 2º vigilante, representando os companheiros, localizada sobre a mesa do 2º vigilante.
Colunas Boaz e Jaquim — guarneciam a entrada do Templo de Salomão e simbolizam, respectivamente, força e estabelecimento divino. Boaz fica no ocidente ao norte, dirigida pelo 1º vigilante; Jaquim, ao sul, dirigida pelo 2º vigilante.
Essas colunas solsticiais representam polaridades universais, lembrando a dialética hermética onde “tudo é duplo”, conforme Hermes Trismegisto e reiterado por grandes mestres maçônicos.
Além disso, colunas como a funerária (registro dos irmãos falecidos), gravada (proposições e comunicações oficiais), zodiacal (doze colunas representando as constelações zodiacais), e da harmonia (obreiros que contribuem para o brilho dos rituais) ampliam o universo simbólico do templo.
A verdadeira coluna do templo, entretanto, são os seus obreiros — homens que se dedicam à construção do próprio caráter e da sociedade, sustentados pelo compromisso feito ao Grande Arquiteto do Universo.
Conclusão
As colunas maçônicas são mais que elementos arquitetônicos: são símbolos vivos do caminho iniciático, da moral, da organização e da filosofia da Maçonaria Regular. Elas representam as virtudes essenciais, o equilíbrio dos opostos e a sustentação do templo interior do homem. Assim, a Maçonaria utiliza essas imagens para educar, harmonizar e fortalecer seus membros, mantendo viva uma tradição milenar que une a arte, a ciência e a ética.
Autor Ivair Ximenes Lopes
Referências bibliográficas (seleção)
Pike, Albert. Morals and Dogma, 1871.
Waite, Arthur Edward. The Symbolism of Freemasonry, 1921.
Righetto, Armando. Símbolos da Maçonaria, 2002.
Mansur, Alberto. Simbolismo e Filosofia Maçônica, 1995.
Pires, Herculano. A Filosofia Maçônica, 1968.
Gonçalves, Carlos Alberto. Astrologia e Maçonaria, 2001.
Fabre d’Olivet. A Doutrina Secreta, 1823.
Aslan, Nicola. Simbolismo Hermético, 2010.
Hall, Manly P. The Secret Teachings of All Ages, 1928.
Carvalho, Jefferson S. de. Maçonaria: entre o esoterismo e a prática, 1998.
Schmidt-Patier, R. A simplicidade da Maçonaria, 2010.

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











