Aspectos Religiosos das Monarquias Asiáticas e Africanas
Quando penso em monarquias, minha mente, por muitos anos, viajou automaticamente para a Europa – para os palácios de Versalhes, as coroas de Windsor e os castelos bávaros que povoam o imaginário ocidental.
Foi por isso que, ao iniciar esta pesquisa, fui tomado por um choque de realidade ao descobrir que a Europa não é, de longe, o continente com o maior número de monarquias contemporâneas.
A verdade, que me escapara durante tanto tempo, é que a grande maioria das casas reais que ainda governam ou exercem funções cerimoniais está fora dos limites do Velho Continente: a Ásia, com as suas treze monarquias soberanas, é o verdadeiro coração do sistema monárquico moderno, seguida pela Oceania, pelas Américas – onde as monarquias estão vinculadas à Coroa Britânica – e por três nações africanas que mantêm viva a tradição régia em solo continental.
Ao mergulhar na geografia dessas monarquias, percebi que o que realmente as distingue não é apenas a sua distribuição geográfica, mas a profunda diversidade religiosa que as sustenta e lhes confere identidade. No Oriente Médio e no Sudeste Asiático, o Islão é a fé dominante, com reis e sultões que se veem como guardiães da tradição islâmica e, em alguns casos, como legítimos sucessores do Profeta.
No Japão, a monarquia mais antiga do mundo, o xintoísmo entrelaça-se com a figura do imperador de uma forma que não encontra paralelo em nenhum outro lugar do planeta. Na Tailândia, o budismo Theravada confere ao rei uma aura de sacralidade que transcende a política, enquanto no Butão, o budismo Mahayana e a monarquia constitucional caminham lado a lado. E, na Ásia do Sul, o hinduísmo – embora a Índia seja hoje uma república – ainda molda a compreensão que os países vizinhos, como o Nepal, têm da realeza.
Foi surpreendente constatar que, em África, o cenário é igualmente diversificado, embora menos numeroso: com três monarquias soberanas – Marrocos, Lesoto e Essuatíni –, o cristianismo e as tradições locais se entrelaçam com as estruturas de poder de maneiras que desafiam a visão ocidental de separação entre religião e Estado.
Na Oceania, o cristianismo predomina, com a exceção notável de Tonga, que mantém uma relação complexa com a fé metodista e com a sua própria herança polinésia. Neste artigo, compartilho os resultados dessa minha viagem pelo mapa religioso das monarquias não europeias – uma pesquisa que me levou a compreender que a sacralidade do poder real não é um privilégio ocidental, mas um fenômeno universal que se adapta às cores, aos deuses e às tradições de cada povo.
Convido o leitor a acompanhar-me nessa travessia, pois compreender as afiliações religiosas das monarquias asiáticas e africanas é compreender como a fé, o poder e a história se entrelaçam de formas que a Europa, com todas as suas glórias, jamais conheceu.

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