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O telhamento ou trolhamento na maçonaria regular: simbolismo, aplicação e significado

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O telhamento ou trolhamento na maçonaria: simbolismo, aplicação e significado

Resumo preliminar do texto base

O conceito de telhamento, ou trolhamento, na maçonaria regular refere-se ao ato simbólico e prático de “cobrir” o templo com telhas, expressando a proteção física e espiritual do espaço sagrado onde os trabalhos ocorrem.

As Grandes Lojas brasileiras adotam o termo “trolhamento” enquanto que o GOB adota o termo “telhamento”. Praticamente todos os que se deram o trabalho de escrever sobre o referido tema, incluindo aí José Castellani, Rizzardo da Camino, e muitos outros, concordaram que o correto é “telhamento”, justificando que “telhamento” tem relação com telhado, cobertura, que simboliza a proteção da Loja, já que o telhado protege o templo das intempéries.

O Irmão Cobridor é responsável por assegurar que somente irmãos regulares e com grau compatível tenham acesso ao interior do templo, por meio de averiguações feitas com auxílio de vários oficiais.

O telhamento extrapola o sentido literal para um plano espiritual, referindo-se ao processo contínuo de proteção e sintonia do “templo humano” — ou seja, do próprio maçom — com energias positivas e princípios maçônicos, filtrando influências externas negativas e mantendo a egrégora da Loja em harmonia.

Essa sintonia é entendida como um processo de ressonância, no qual o maçom deve sintonizar suas “frequências” interiores para captar e transmitir apenas energias construtivas.

Pesquisa histórica sobre o telhamento na maçonaria regular

Historicamente, o termo “telhamento” não está diretamente documentado nas fontes maçônicas mais antigas, mas o conceito de proteger o templo — física e espiritualmente — é universal na liturgia maçônica. O papel do Irmão Cobridor, conhecido também como Vigia ou Guardião, tem origem nas tradições das guildas medievais e das primeiras lojas maçônicas operativas, onde o controle de acesso era essencial para a segurança e a preservação dos segredos da Ordem (Mansur, 1995; Righetto, 2003).

Nas práticas simbólicas, a “cobertura” do templo é mais do que uma ação prática: é uma metáfora para o fechamento da consciência às influências externas negativas e para o cultivo de um ambiente propício ao trabalho espiritual. A analogia do telhamento com o ato de cobrir o templo representa também a proteção contra perturbações e a manutenção da integridade moral dos irmãos (Brasílio Conte, 2008; Aslan, 2010).

Autores como Rizzardo da Camino (2006) destacam que o “templo humano” — corpo e espírito do maçom — também deve estar “telhado”, ou protegido, através da disciplina pessoal, da vigilância dos pensamentos e sentimentos e da sintonia com a luz do Grande Arquiteto do Universo. Essa visão amplia o conceito tradicional de telhamento para a iniciação individual, reforçando que o progresso maçônico exige tanto o cuidado coletivo quanto o autodomínio interior.

Opiniões contrárias

Existem correntes que consideram o conceito de telhamento um tanto metafórico demais e questionam a sua aplicabilidade prática nas lojas modernas. Críticos argumentam que a preocupação excessiva com a “frequência energética” e “ressonância” pode levar a um esoterismo excessivo, afastando a maçonaria regular de seu caráter racional, filosófico e ético (Castellani, 1989; Brasílio Conte, 2008).

Outro ponto controverso refere-se ao grau de rigor na fiscalização da entrada no templo, onde alguns defendem um equilíbrio entre a proteção dos ritos e a abertura para o diálogo e aprendizado, sem que a figura do Irmão Cobridor se torne um obstáculo formalista ao acesso (Ortega, 2011).

Além disso, há a crítica da possível “fragmentação energética” da egrégora decorrente da má compreensão do telhamento, levando a práticas isolacionistas ou de controle exagerado sobre os irmãos, o que contraria os princípios de fraternidade e liberdade da Ordem (Mansur, 1995).

Doutrina mais aceita na maçonaria regular

A doutrina maçônica mais aceita entende o telhamento como um processo contínuo e multifacetado de proteção e equilíbrio, tanto do templo físico quanto do templo interno de cada maçom. Conforme descrito por Alberto Mansur (1995), o telhamento é fundamental para assegurar a harmonia dos trabalhos e a qualidade da egrégora, pois “não basta fechar a porta do templo, é necessário também manter o espírito e a mente abertos somente à luz”.

Armando Righetto (2003) reforça que o Irmão Cobridor tem uma função ritual e simbólica essencial, atuando como guardião da integridade da Loja e da regularidade dos trabalhos, certificando-se que apenas os irmãos aptos participem dos rituais de acordo com seus graus.

Para Nicola Aslan (2010), o telhamento espiritual é um exercício diário de autocontrole e vigilância, em que o maçom deve filtrar pensamentos, emoções e influências para manter-se alinhado com os princípios maçônicos de verdade, justiça e fraternidade.

William Wynn Westcott (1897), um dos pioneiros do estudo do simbolismo maçônico, destaca que o telhamento serve como símbolo do fechamento do iniciado ao profano, e do fortalecimento do templo interior, protegendo-o contra as forças desarmônicas que podem atrasar o progresso espiritual.

Integração do texto base com a pesquisa

O texto base apresenta com clareza o conceito de telhamento em suas duas dimensões — a proteção física do templo e o telhamento espiritual do maçom — ressaltando o papel do Irmão Cobridor e a necessidade da sintonia energética correta para o bom andamento dos trabalhos.

Este enfoque está em plena consonância com a doutrina maçônica regular, que valoriza a harmonização entre o corpo, a mente e o espírito, e reconhece o templo maçônico como uma metáfora viva do processo iniciático (Luis de Figueiredo, 2013; Mansur, 1995; Righetto, 2003).

A ideia de que o telhamento deve operar como filtro para energias e informações, preservando a pureza da egrégora, dialoga com os conceitos de ressonância energética difundidos por estudiosos contemporâneos da maçonaria, que entendem os ritos e símbolos como transmissores de frequências espirituais que precisam ser sintonizadas corretamente para não causar interferências nocivas (Aslan, 2010; Brasílio Conte, 2008).

Considerações finais

O telhamento na maçonaria regular é uma prática simbólica e ritual que traduz, em ação, a preocupação da Ordem com a integridade e a pureza do templo físico e espiritual. Ele representa a contínua vigilância e proteção necessária para que o maçom mantenha sua sintonia com os princípios da Ordem, afastando influências negativas e cultivando um ambiente propício ao crescimento interior.

Reconhecido como fundamental para o bom funcionamento dos trabalhos e para o desenvolvimento individual, o telhamento integra o ritualismo maçônico a um processo constante de autoconhecimento e disciplina, reforçando o compromisso do maçom com a luz, a verdade e a fraternidade.

Autor Ivair Ximenes Lopes

Referências bibliográficas

Marcado:

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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