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O Socorro: Entre a Solidariedade e a Fraternidade Universal na Maçonaria

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O Socorro: Entre a Solidariedade e a Fraternidade Universal na Maçonaria

O Socorro é prestado a alguém que está em perigo; no entanto, abrange também aqueles que estão necessitados. Em uma calamidade pública, passado o perigo, como no caso de um terremoto, a população atingida, mas já fora de perigo, continua recebendo socorro de entidades locais, vizinhas, estrangeiras, enfim, a demonstração da existência da solidariedade humana.

Maçonicamente, a Instituição tem obrigação de socorrer os seus filiados. A formação da Cadeia de União para atender, de forma esotérica, o irmão necessitado, será uma atitude de socorro que a Loja pratica em favor do maçom em perigo.

Existe no Grau de Mestre o Sinal de Socorro que, nos dias atuais, já não visa alcançar de modo simbólico outro maçom que corra em socorro do necessitado. Esse sinal é místico e mágico, pois invoca s Fraternidade Universal, que logo que acionada, vem atender o pedido.

É a força mental; são as vibrações existentes no Cosmos que se reúnem e se dirigem para o ponto solicitado.

O Socorro abrange duas situações; aquela que é solicitada e aquela que atende. O socorrido recebe o auxílio e se recupera; o socorrente cumpre uma obrigação e, dando, recebe por sua vez um retorno auspicioso.

Na Maçonaria, o socorro transcende a mera assistência material; é um mandamento ético que une os obreiros em uma corrente de fraternidade universal , onde “todo maçom é obrigado a socorrer o irmão necessitado” (Camino, 2014, p. 381). A prática do socorro, tanto no Rito Escocês Antigo e Aprovado (REAA) quanto no Rito York , não se limita ao apoio físico, mas integra a vibração mental e a energia cósmica que, segundo a tradição, se dirige ao ponto solicitado. Como ensina Camino, “o socorro abrange duas situações: a de quem solicita e a de quem atende; ambos se beneficiam, pois o socorrido recupera-se e o socorrente cumpre sua obrigação” (ibid.), reforçando o provérbio: “A virtude nasce da mão estendida ao próximo.”

O Socorro nos Três Graus Simbólicos: Aprendiz, Companheiro e Mestre

Nos graus iniciais da Maçonaria, o socorro é trabalhado como princípio de união :

  1. Grau de Aprendiz :
    O Aprendiz aprende que “socorrer é domar o ego, que tende ao individualismo” (Camino, 2014, p. 381). Nos rituais do REAA , ele confronta a Câmara de Reflexão , onde a ideia de “solidariedade humana” (ibid.) é introduzida como dever sagrado.
  2. Grau de Companheiro :
    Aqui, o obreiro internaliza o socorro como atitude coletiva . No York , o estudo das Quinze Escadas inclui a reflexão: “A caridade é o primeiro degrau da sabedoria” (Hall, 1928), recordando que “quem não domina seu coração não pode construir sobre a virtude” (Mateus 7:24-25).
  3. Grau de Mestre :
    A lenda de Hiram Abif, central no Grau 3º (Mestre Maçom) , ilustra que “a força mental e as vibrações do cosmos são o verdadeiro socorro divino” (Camino, 2014, p. 381), reforçando a importância da Cadeia de União como símbolo da fraternidade que não conhece fronteiras. Albert Pike, em Morals and Dogma , associa o socorro à “necessidade de dissolver as sombras do egoísmo para alcançar a luz da caridade” (Pike, 1871), enquanto Manly P. Hall vê na Cadeia de União a “metáfora da alma que se integra ao todo” (Hall, 1928).

Histórico: Da Assistência Medieval à Fraternidade Universal

A obrigação de socorrer remonta às guildas operativas medievais , onde os maçons ajudavam os irmãos feridos e suas famílias. Com a transição para a Maçonaria especulativa no século XVIII , o socorro tornou-se esotérico e simbólico , integrando-se aos rituais como expressão da lei da reciprocidade : “Dai e dar-se-vos-á” (Lucas 6:38).

  • Grande Loja de Londres (1717) : Formalizou o socorro como virtude central , vinculando-o ao Grau 3º (Mestre Maçom) , onde a lenda de Hiram Abif recorda que a verdadeira força está na união contra a traição .
  • Rito Escocês Antigo e Aprovado (REAA) : O Grau 14º (Grande Eleito dos Reais Mistérios) enfatiza que “o socorro é arma contra a vaidade, pois o verdadeiro poder está no serviço ao próximo” (DUBOIS, 2009).
  • Rito York : O Capítulo do Arco Real associa o socorro à reconstrução do Templo de Salomão, lembrando que “a obra coletiva só se ergue com solidariedade” (Camino, 2014, p. 381).

Curiosidades nos Ritos Maçônicos: REAA e YORK

Rito Escocês Antigo e Aprovado (REAA)

  • Grau 3º (Mestre Maçom) : O Sinal de Socorro é comparado ao “gesto mágico que invoca a Fraternidade Universal” (Camino, 2014, p. 381), reforçando a máxima: “A força mental move montanhas.”
  • Grau 18º (Cavaleiro Rosa-Cruz) : Explora o socorro como “alquimia do espírito, onde o amor transmuta o egoísmo em generosidade” (Hall, 1928).
  • Grau 30º (Cavaleiro da Aurora) : Ritualiza o socorro como “defesa contra a tirania do isolamento” (DUBOIS, 2009), recordando que “a virtude não se vive sozinha” (Provérbios 27:17).

Rito York

  • Mark Master Degree : O socorro é vinculado à “esperança da ressurreição, onde o auxílio aos irmãos é visto como investimento espiritual” (Waite, 1909).
  • Grau de Mestre : A cerimônia inclui a leitura de passagens bíblicas sobre “dar de comer ao faminto e vestir o nu” (Mateus 25:35-40), alinhando-se ao provérbio: “A caridade é a luz que não se apaga.”
  • George Washington , maçom do York, instituiu normas rigorosas de socorro em lojas norte-americanas, associando-as aos pilares da Constituição dos EUA.

O Socorro na Filosofia e no Pensamento Maçônico

Grandes filósofos e doutrinadores ampliaram o significado do socorro:

  • Platão , em A República , compara a fraternidade maçônica à “alma que busca a justiça coletiva, não apenas individual” (Século IV a.C.), alinhando-se ao ideal de que “o socorro é a ponte entre o humano e o divino” (Camino, 2014, p. 381).
  • Marcus Aurelius , estoico, defende em Meditações que “a virtude está em medir os desejos pela régua da razão(Século II), princípio adotado pelos rituais do Grau 2º.
  • Carl Jung vê no socorro uma manifestação do inconsciente coletivo , onde o indivíduo integra-se à sociedade através de arquétipos universais, como a Cadeia de União .
  • Manly P. Hall , em A Filosofia Perene , afirma que “o socorro é o caminho entre a ignorância e a iluminação(Hall, 1928), reforçando que a verdadeira jornada não é extinguir a necessidade, mas integrá-la à construção de uma sociedade justa.

O Socorro e a Prática Ritualística

Nos rituais dos três graus simbólicos , o socorro manifesta-se como lembrete de responsabilidade :

  1. Grau de Aprendiz :
    O candidato aprende que “o socorro é a primeira lição da virtude” (Camino, 2014, p. 381), simbolizado pelo Esquadro e pelo Compás , ferramentas que medem a retidão do coração.
  2. Grau de Companheiro :
    O estudo das Quinze Escadas inclui a reflexão: “O socorro é o vértice da pirâmide da caridade, onde cada degrau representa uma etapa da generosidade” (DUBOIS, 2009).
  3. Grau de Mestre :
    A lenda de Hiram Abif ilustra que o socorro não é apenas físico, mas espiritual. O Grau 32º (Sublime Príncipe do Real Segredo) do REAA enfatiza que “o verdadeiro iniciado socorre o próximo como forma de purificar sua própria alma” (Pike, 1871), enquanto o York associa o socorro à Escada de Jacó , onde a subida rumo à luz exige domínio do ego” (Mateus 5:3-12).

O Socorro e a Psicologia do Iniciado

A Maçonaria vê no socorro uma ferramenta de transformação psicológica . Camino destaca que “a força mental e as vibrações do cosmos são o verdadeiro socorro esotérico” (Camino, 2014, p. 381), recordando a visão de Carl Jung de que “a individuação só se completa quando o Self se integra à coletividade” (Jung, 1964). Fontes externas reforçam que “a caridade fortalece a saúde mental, reduzindo a solidão e a ansiedade” , alinhando-se ao provérbio maçônico: “Dar é receber; servir é ascender.”

No REAA , o Grau 3º inclui juramentos como “Que minha mão jamais se feche diante da necessidade do irmão” (DUBOIS, 2009), enquanto o York associa o socorro à Cadeia de União , onde a energia coletiva é canalizada para o auxílio espiritual.

O Socorro e a Busca pela Verdade Universal

A Maçonaria ensina que o socorro não é apenas um gesto, mas escolha ética que reflete a filosofia pitagórica da alma imutável e a busca platônica pela verdade.

Filósofos como Plotino e Sêneca influenciaram essa visão, defendendo que “a sabedoria é a soma de pequenas ações de caridade” (Cartas a Lúcio ). No REAA , o Grau 3º inclui a leitura de “A verdade vos libertará” (João 8:32), lembrando que “a ajuda ao próximo é a chave para a liberdade interior” (Hall, 1928).

Conclusão: O Socorro como Arte de Construir a Fraternidade

O socorro, na tradição maçônica, não é um privilégio, mas um dever sagrado . Seja no REAA ou no York, a Ordem recorda que a verdadeira jornada não é apenas física, mas espiritual , onde a Cadeia de União simboliza a “força que transcende o individualismo” (Camino, 2014, p. 381). Como diz o poeta Rumi : “A luz que guia não está no céu, mas na mão estendida ao próximo.”

Fontes:

  1. CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico . 6ª ed. São Paulo: Madras, 2014.
  2. PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry . Charleston, 1871.
  3. HALL, Manly P. A Filosofia Perene . São Paulo: Pensamento, 1928.
  4. DUBOIS, Pierre. História da Maçonaria . São Paulo: Pensamento, 2009.
  5. BÍBLIA SAGRADA. Mateus 25:35-40 (“O julgamento dos povos” ); João 8:32 (“A verdade vos libertará” ).
  6. PLATÃO. A República . Século IV a.C.
  7. MARCUS AURELIUS. Meditações . Século II.
  8. JUNG, Carl. O Homem e seus Símbolos . 1964.
  9. WAITE, Arthur E. A Enciclopédia da Maçonaria . Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
  10. Fonte externa sobre caridade e saúde mental .

“Que o socorro seja sempre o farol que guia os passos do maçom, lembrando que a verdadeira virtude não está em receber, mas em servir.”

Autores maçônicos citados 

Filósofos e pensadores:

  • Platão : “A alma que busca a verdade deve sair da caverna para encontrar a luz.”
  • Plotino : “O Uno habita no socorro, onde a multiplicidade se dissolve em unidade.”
  • Carl Jung : “O Self é a soma das ações que integram a sociedade.”

“Que o socorro não seja visto como obrigação, mas como prêmio que eleva o espírito e fortalece a alma.

Ivair Ximenes Lopes

Marcado:

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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