A Loja de São João XXXIV
O problema das origens maçônicas acha-se delineado e resolvido sinteticamente em poucas palavras na pergunta ritual do Ven. Mestre a todo irmão visitante: De onde vens?, e na resposta deste: De uma Loja de S. J. justa e perfeita.
Esta pergunta é fundamental para o Aprendiz e, à semelhança de Édipo, deve esforçar-se em respondê-la satisfatoriamente, buscando em si mesmo a solução do problema das origens: a origem de seu ser e do universo que o rodeia.
Que representa, pois, para os maçons a expressão “Loja de S. J.” ?
Já sabemos que a Tradição Maçônica guarda uma relação profundamente íntima com a Tradição Joanita ou mística do Cristianismo (como é claramente demonstrado pela superposição de nossos instrumentos sobre a primeira página do Evangelho de S. J., que representa a Tradição Cristã mais pura, assim como as Tradições Gnósticas e iniciáticas anteriores).
Igualmente sabemos que S. J. foi tomado como patrono pelas Corporações Construtoras da Idade Média, e conhecemos também, o uso – que remonta a uma época remotíssima – de festejar os dois solstícios, cujas datas coincidem respectivamente com as festas cristãs de S. J.
Estas mesmas festas celebravam-se também antes do cristianismo, sendo, em época próxima aos romanos, em honra a Janus, o deus de duas faces que muito bem simboliza a Tradição, estando uma das faces constantemente voltada ao passado e outra ao futuro.
Este nome relaciona-se etimologicamente com o latim janua, “porta”, de onde vem igualmente o latim januarius, “janeiro”. (4) É interessante notar a este respeito que “porta” é também o significado originário da letra grega delta (do semítico daleth), representa por um triângulo, e que a antiga porta das iniciações, era triangular.
Este deus presidia todos os inícios (em latim initium, de onde também initiare, “iniciar”) e, em particular, o do ingresso do Sol nos dois hemisférios celestes, e a própria iniciação cuja chave possuía e guardava. Agora, é evidente que o nome Janus tem também em sua forma latina, uma semelhança singular com João (Johannes) e não foi por acaso que este último foi colocado no exato lugar do primeiro.
Por outro lado, o hebraico Jeho-hannam ou João significa “Graça ou favor de Deus”, isto é, homem iluminado ou iniciado. Assim é que a justo título pode este último ser chamado irmão ou discípulo de S. J.. A importância iniciática desta escolha tornar-se mais evidente por esta dupla ou bifronte etimologia: a primeira pagã ou voltada ao passado (tradição iniciática da qual constitui a porta ou passagem, e a outra, cristã ou voltada para o futuro (os eleitos ou favorecidos de Deus que continuam e darão prosseguimento à tradição por todos os séculos).
A expressão Loja de S. J. vem a ser assim, um nome simbólico de toda união ou agrupamento de iniciados, de homens iluminados e favorecidos espiritualmente, aplicando-se, em sua acepção mais geral, a todos os que são admitidos nos Mistérios e mais particularmente aos verdadeiros II S. J., os Mestres da Sabedoria que constituem a Grande Loja Branca, a mais justa e perfeita “Loja de S. J.”, na qual devemos buscar a inspiração e a origem profunda e verdadeira de nossa Ordem.

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











