A força do perdão
Todos nós vivemos em um mundo feito de escolhas onde, muitas vezes, na ânsia de conquistar nossos sonhos, passamos por cima dos sentimentos dos, outros, não medimos o nosso ímpeto e acabamos por machucar, intencionalmente ou não, as pessoas a nossa volta. Então, em um lampejo de lucidez, nos damos conta de nossos excessos, e sentimos a necessidade de pedir perdão.
É importante ressaltar aos desavisados que pedir desculpa é bem diferente de pedir perdão. O pedido de desculpas é ato instantâneo e muitas vezes automático, sugerindo consciência de um ato falho sem ter, por outro lado, preocupação com a reação’ do ofendido, como se o prefixo” dês” que precede a “culpa” anulasse magicamente o deslize que cometemos.
É reação formal e nem sempre está acompanhada de sentimento.
Já pedir perdão é diferente: é um difícil processo de aceitação do erro cometido e responsabilidade por suas conseqüências. Envolve arrependimento e pressupõe a intenção de não reincidência nas mesmas falhas. É ato que requer coragem, grandiosidade, caráter, dignidade, honradez, humildade e principalmente amor no coração. Como disse (Gandhi) “o fraco jamais perdoa: o perdão é uma característica do forte!”
Aprendi com o tempo que perdoar é ato que não se demonstra em palavras ao vento. É arte que reflete a grandeza de quem somos, especialmente quando nos deparamos com o desafio de perdoar um inimigo, alguém que cometeu um crime bárbaro gerador de comoção pública ou quem tenha atentado de alguma forma contra nossa vida. Cito como testemunho o então Papa João Paulo Il que deu uma lição de vida a toda humanidade ao pêrdoar seu algoz, num gesto de total desprendimento.
Refletindo sobre a dificuldade humana de perdoar a quem não gostamos, vêm a minha mente três pontos fundamentais que partilho com vcê.
Em primeiro lugar precisamos aprender com o amor de pai Criador, que tem por nós uma misericórdia infinita e está sempre disposto a nos estender a mão e nos acolher, independentemente de nossos erros e deslizes.
Em segundo lugar, enxergar e assumir nossas imperfeições, misérias afetivas, atitudes egoístas e mesquinhas. Só não é capaz de perdoar quem acredita que tudo gira ao seu redor, quem controla a vida dos outros por acreditar que tudo precisa ser do seu jeito, mania de gente que se julga superior a tudo e a todos, guarda ressentimentos, não admite falhas e envenena a si mesmo com rancor.
Quando nos esvaziamos de toda essa superioridade, já estamos caminhando para a cura de nossas dores e recuperando o sentido da vida. Jogue a primeira, pedra quem nunca errou! Quem tem consciência da falibilidade humana entende o perdão como ato de humildade e aprende a amar, sentimento este que é o princípio básico do perdoar.
O terceiro ponto e não menos importante é estar pronto para mudar e aceitar que podemos sempre nos tornar melhores. Perdoar, neste contexto, é ser como disse Martin Luther king, agente catalisador para estabelecer-se, em meio ao conflito, um novo ponto de partida, um reinício, dar uma nova chance à paz e à felicidade. O perdão nos permite construir pontes de solidariedade e confraternização, escolher, o que é bom e o que nos transforma para o bem, o que, leva a ser puros decoração e senhores de nosso, destino.
Perdoar significa escolher viver e construir sua própria felicidade. É também urna questão de saúde pública, pois inúmeros estudos científicos afirmam que a mágoa, rancor e solidão se não causadores, são sérios agravantes de doenças em pessoas antes saudáveis, que se tornaram vítimas e cânceres, problemas cardíacos e depressão entre outros males do mundo moderno.
Ter a coragem de olhar no fundo dos olhos de quem nos ofendeu e de quem ofendemos com o coração limpo de ressentimentos é passaporte para um dia entrarmos na casa do Pai com a cabeça erguida e dizer: Sou hoje livre porque aprendi a amar e perdoar!
“E caso ele peque contra ti sete vezes por dia e sete vezes retornar dizendo ‘Estou arrependido’, tu o perdoarás”. (Lucas 17,4)
Fábio Augusto, médico, cantor. Compositor e escritor
CE Lírios do Campos- Campo Grande – MS
11/09/2011

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











