Contributos para uma breve Estória do REAA II
2.2- Do Rito de Perfeição ao Rito Escocês Antigo e Aceito
Em França, como noutros territórios europeus, mormente por parte da aristocracia ociosa e ciosa de motivos de prestígio interpares e da alta burguesia, mas também por iniciativa de alguns maçons empenhados na sua visão de uma maçonaria mais fiel às suas tradições, foi surgindo entre 1717 e o final do século uma grande multiplicidade de ritos com a prática de altos graus. Há textos que referem para esse período de tempo a criação de mais de oito dezenas desses ritos, sem incluir nesse número os ritos que já pressupunham Maçonaria de Adopção ou Mista.
Essa situação, o clima político-social do final do reinado de Luís XV e a agitação que no Reinado de Luís XVI levou à Revolução Francesa terão levado a que o nascimento oficial e o desenvolvimento do REAA se tenham verificado nas Américas do Norte e Central, mormente na América do Norte, apesar de a ele serem anteriores seis dos ritos ditos escoceses conhecidos, desenvolvidos em França e na Bélgica (Escocês Reformado com 7 graus, Primitivo de Narbona com 10 graus, Filosófico de Paris com 10 graus, Filosófico de Marselha com 15 graus, Perfeição com 25 graus, todos de origem francesa, e Primitivo de Namur-Bélgica) com a particularidade deste último ter 33 graus. 26
De forma muito breve veja-se como tal aconteceu.
Em 27 de Agosto 1761, o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, Soberanos Príncipes Maçons, terá atribuído através do Irmão Chaillon de Joinville, substituto Geral da Ordem, e mais oito Irmãos da alta hierarquia que também teriam assinado o documento, uma patente constitucional de Grande Inspetor do Rito de Perfeição a Etienne Morin, maçon judeu e comerciante na Ilha de Santo Domingo, Antilhas, que já teria sido iniciado nos altos graus por volta de 1744 e fundado uma “Loja Escocesa” naquela ilha em Cap Français.
A carta patente, atribuída antes da promulgação elaboração e das Constituições do Rito de Perfeição, nomeava-o “Grande Inspector para todas as partes do Mundo e autorizava-o a estabelecer e perpetuar a “Sublime Maçonaria” em todas as partes do Mundo” e investia-o de poderes para sagrar novos Inspectores.27,28
As Constituições de 1762, que atribuíam aos Grandes Inspectores a competência para “outorgar Cartas Constitutivas ou Regulamentos”, constituir como regulares “Conselhos ou Lojas de Perfeição” e desempenhar os poderes do Soberano Conselho na sua jurisdição
“ Se a petição for de um país estrangeiro, o Grande Inspecto da respectiva Jurisdição poderá criar, constituir, pribir, revogar e excluir, conforme achar conveniente, informando de tudo o Soberano Grande Conselho. … Para seu melhor desempenho poderão nomear Deputados que façam a s suas vezes, autorizando-os com Cartas Patentes que tenham força e valor”. 29
Mas há dúvidas se os poderes conferidos a Morin seriam tão alargados que abrangessem todos os Altos Graus do Rito de Perfeição, referindo a Wikipédia.fr:
“Des copies plus tardives de cette patente, qui ne visait probablement à l’origine que les loges symboliques, semblent avoir été embellies, peut-être par Morin lui-même, afin de mieux assurer sa prééminence sur les loges de hauts grades des Antilles»30
Morin regressou a Santo Domingo em 1762 ou 1763 e terá desenvolvido uma variante do Rito de Perfeição com 25 Graus com a designação de «Rito do Real Segredo» em que o grau 25 se designava «Sublime Príncipe do Real Segredo», e, graças à sua carta patente constituiu progressivamente lojas dos diferentes graus através das Antilhas e da América do Norte, tendo criado em 1770 um Grande Capítulo do seu Rito em Kingston, Jamaica, onde viria morrer em 1771.31
Morin parece não ter sido um modelo de moralidade e não ter sido muito escrupuloso na escolha dos seus inspectores e deputados. Terá havido segundo vários autores, “vendas de Graus e títulos”, o que face ao contexto maçónico e social da época não tem nada de surpreendente e também terá acontecido na Europa, tendo sido muito esquecidas as práticas rituais desenvolvidas para instrução sobre “os mistérios” pelo Soberano Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente que o nomeara Grande Inspector.
Mas foi a partir de um número significativo de designações de Inspectores Adjuntos por Morin, pelo seu Deputado Grande Inspector Geral Henry Andrew Francken, holandês naturalizado inglês que se estabeleceu em Nova York, que o seu Rito chegou à América do Norte.
Francken ajudou no desenvolvimento dos rituais de vários graus do Rito, concedeu esses graus e nomeou vários Inspectores-Gerais Adjuntos, entre eles a um negociante também judeu, Moses Michael Hays. Este, em 1781, nomeou por sua vez 8 outros Inspectores- Gerais Adjuntos para vários estados da América, dos quais quatro tiveram depois um papel importante na criação do Rito Escocês Antigo e Aceito em Charleston, Carolina do Sul.
Foram eles Isaac Da Costa, Deputado Inspector-Geral para a Carolina do Sul, Abraham Forst, D.I.G. para a Virgínia, e Barend M. Spitzer, D.I.G. para a Geórgia e Joseph M. Myers, D.I.G. para Maryland, a quem alguns autores atribuem a criação dos graus para além do 25º do REAA.
Com a morte Morin, com a Independência Americana a reforçar tendências autonomistas, com novas influências de ritos de altos graus que vinham da Europa, o Rito do Real Segredo criado a partir do Rito de Perfeição, de inspiração teísta católica inicial cruzado com influências filosóficas libertinas, levado para as Américas por um judeu, sofreu as inevitáveis influências da sociedade colonial francesa das Antilhas e da sociedade americana já então com uma população de grande diversidade de origens geográficas, culturais e religiosas da e iniciou a sua evolução que havia de levar ao Rito Escocês Antigo e Aceito em 1801, depois de passar por uma fase organizacional hierarquicamente caótica.
Durante o período de evolução caótica do Rito no seio dos maçons das Américas, dois europeus exerceram importante papel, ainda que ainda hoje não muito claro. Foram eles o Conde Alexandre de Grasse Tilly e seu sogro Jean Batiste Delahogue, tabelião em Santo Domingo.
Grasse de Tilly militar de carreira, filho de um almirante francês que lutara ao lado dos americanos na Guerra da Independência, chegou solteiro em finais de 1789 a aquela colónia de França, de onde terá levado conhecimento sobre os novos Ritos em desenvolvimento na Europa, onde tinha sido iniciado na Loja Saint Jean d’Écosse du Contrat social.32
Durante a revolta nas colónias francesas das Antilhas Grasse de Tilly cumpriu as suas obrigações militares nas forças francesas, mas o agravamento da situação obrigou-o e ao sogro, como à maioria dos franceses, a abandonar a ilha de Santo Domingo. Tilly e o sogro refugiaram-se em Charleston, na Carolina do Sul, em princípios de 1796.
A 24 de Julho de 1796, fundou com o sogro a Loja « La Candeur» em Charleston, que se filiou a 2 de Janeiro 1798 na Grand Lodge of Free and Accepted Masons of South Carolina. Saiu da primeira em 1799 para fundar uma outra, denominada «La Réunion française », sob a égide da Grand Lodge of South Carolina, Ancient York Masons.33
A Actividade maçónica de Grasse de Tilly e de seu sogro na última década do século XVIII não é clara, ainda que a ela haja referências em documentos da maçonaria americana. A esse respeito pode ler-se no site do Supremo Conselho do REAA de Espanha:
“Dentro de la actividad masónica de Grasse-Tilly y de Delahogue, que se encuentra suficientemente documentada históricamente en los archivos americanos, se halla la creación de una Logia de Altos Secretos, es decir, un Gran o Sublime Consejo del Grado
25 y Ultimo del Rito de Perfección (13/01/1797) en la ciudad de Charleston. Por estas mismas fechas, Grasse-Tilly envía una Patente del Grado 33 a Delahogue y a varios refugiados franceses en la ciudad de Charleston (estos hechos se hallan documentados, nuevamente, en los archivos americanos). Consecuentemente, para poder actuar de esta forma, Grasse-Tilly debía poseer, masónicamente hablando, el Grado 33 y por ello cabría preguntarse divulgativamente hablando: ¿De quién lo había obtenido?. A la pregunta no se ha podido dar respuesta histórica, pero lo que sí es cierto es que el 10/12/1797, firma una Patente del Grado 32 (Sublime Príncipe del Real Secreto) y lo hace en calidad de Soberano Gran Inspector General (grado 33) y como Soberano Gran Comendador del Supremo Consejo de las Indias Occidentales Francesas.
El anterior Supremo Consejo (1797, fecha de referencia de la Patente del Grado 32) debe entenderse como anterior al de Charleston (1801) y su existencia quedó confirmada por el Boletín Oficial del Supremo Consejo de Charleston (02/02/1802) que menciona a Grasse-Tilly como Soberano Gran Comendador y a Delahogue como Teniente Gran Comendador del Supremo Consejo de las Indias Occidentales Francesas. Así pues, históricamente, la paternidad del Rito escocista de estos dos personajes está suficientemente acreditada y, adicionalmente, que el Supremo Consejo de las Indias Occidentales Francesas, o también conocido como de las Islas Francesas de Sotavento y Barlovento existía ya en 1796, cuando Grasse-Tilly y Delahogue se refugiaron, por razón de la primera revuelta negra en la Isla Dominicana, en la ciudad de Charleston. Tampoco es menos cierto que existen documentos suficientes en los archivos americanos para afirmar que en la ciudad de Kingston (Isla de Jamaica), existía con anterioridad a 1801, un Supremo Consejo del Rito Escocés Antiguo y Aceptado para las Indias Occidentales Inglesas y tal afirmación se basa en el hecho histórico de la existencia de un manuscrito constituido por un Ritual del Grado 33 y un texto (¿) de las Grandes Constituciones de 1786.”34
Não se conhecendo a origem dos graus que Grasse de Tilly detinha, que estavam para além dos Rito do Real Segredo de Morin ou da sua origem Rito de Perfeição, ou quem lhos teria conferido, pode supor-se que na confusão/caos que reinava então nos “altos graus escoceses” esses graus tivessem a ver com os últimos graus do Rito Primitivo de Namur, já anteriormente referido, e que tivessem a ver com a redacção do texto das Constituições ditas de 1786 que ainda hoje, com as algumas alterações introduzidas pelo Congresso de Lausanne, em 1875 são a base do funcionamento do REAA.
Mas em relação às Grandes Constituições de 1786, as chamadas Constituições de Frederico II da Prússia, que validam e completam as Constituições de 1762 do Rito de Perfeição de 25 Graus criando os restantes oito graus até ao 33º há hoje enormes dúvidas sobre a sua autoria e data de conclusão de redacção, podendo mesmo dizer-se que aquilo sobre que há mais certezas é que Frederico II da Prússia nada teve a ver com elas e que seria mesmo uma adversário dos Altos Graus. É certo que as Constituições de 1786 no seu preâmbulo referem:
“NOS, FEDERICO, por la gracia de Dios, Rey de Prusia, Margrave de Brandeburgo, etc., etc., etc.: Soberano Protector, Gran Comendador, Gran Maestro Universal Conservador de la Antiquísima y Muy Respetable Sociedad de Antiguos Francmasones o Arquitectos Unidos, o sea, Orden Real y Militar del Arte Libre de Labrar la Piedra, o Francmasonería:…”35
Frederico II, um déspota iluminado que gostava de lidar com intelectuais como Voltaire, seu convidado habitual, e foi um bom administrador e comandante militar no seu Reino, foi secretamente iniciado Maçon para esconder o facto pai com quem tinha fortes desentendimentos, em 1738, antes de subir ao trono por morte do pai em 1740. A partir daí, embora de alguma forma protegesse a Maçonaria, deixou de ter actividade maçónica e a 1 de Maio de 1786 já se encontrava gravemente doente e incapaz de se deslocar de Potsdam a Berlim para assinar a promulgação das Constituições, tendo vindo a morrer três meses e meio depois dessa data. Motivos por que grande número de historiadores maçónicos dão hoje como provado que as mesmas nada têm a ver com Frederico II.
Parece hoje poder aceitar-se que, pelo menos o mito da promulgação das Constituições de 1786 por Frederico II, se deverá a Frederic Dalcho, cujo pai teria sido oficial do exército de Frederico, que o lançou num discurso de 8-12-1802, depois da constituição do Supremo Conselho do REAA da Jurisdição Sul-Charleston. Mito lançado como forma de valorização do Rito que pouco tempo tinha ainda de criação, sendo muito provável que as Constituições só tenham sido redigidas à data da criação do Supremo Conselho em 1801, pois não se conhecem referências seguras à sua redacção anteriores a essa data.36
Independentemente da questão da paternidade e data real de aprovação das Constituições ditas de 1786, Grasse de Tilly e o seu sogro, apesar de uma tentativa de regressar Santo Domingo em 1799, mantiveram-se em Charleston e tiveram uma activa colaboração na criação por John Mitchell e Frederic Dalcho do Supremo Conselho fundador do REAA e na configuração do Rito. Deve-se lhe, por certo, no meio do caos reinante nos altos graus nas Américas, a atribuição do grau 33 a vários maçons americanos no uso dos seus poderes de Soberano Comendador do Supremo Conselho das Índias Ocidentais Francesas de um Rito com 33 graus, permitindo assim as condições para a criação do 1º Supremo Conselho dos Grandes Inspectores Gerais do Rito Escocês Antigo e Aceito, que adoptou o lema “ORDO AB CHAO” face à sua aspiração de por ordem e coordenar os Altos Graus e o Rito, sem prejuízo do dignificado inicial de inspiração teísta da mesma expressão latina.
Tilly e o sogro integraram durante algum tempo o Supremo Conselho de Charleston, que o nomeou em 21 de Fevereiro de 1802 Grande Inspector Geral e Grande Comendador das Antilhas Francesas do Rito Escocês Antigo e Aceito.
Em 1804 Tilly regressou a Paris onde fundou o Supremo Conselho Francês do REAA, para o elevou ao grau 33 numerosos Irmãos, tendo também procedido à criação da Grande Loja Geral Escocesa de França do Rito Antigo e Aceito de que, na tradição aristocrática originária do Rito, se proclamou como Grão-Mestre o Príncipe Luis Napoleão, representado pelo Conde de Grasse Tilly.
Chegou assim à Europa um novo Rito, que tendo os seus antecedentes na mesma Europa, acabara por se nascer e organizar nas Américas. Um rito de características fortemente teísta, inicialmente de dominância católica à custa dos jacobitas37, levado para as Américas por um judeu, e a que outros judeus lá residentes deram um forte impulso.
E que sofreu as inevitáveis influências do ambiente colonial e depois independentista, em sociedades constituídas por populações com origens nacionais e tradições culturais, religiosas e de valores diferenciadas, mas com uma forte presença de varias correntes protestantes, que ajudaram a manter as características teístas do Rito e, com a participação dos maçons judeus da América, a manter as referências, nomeadamente na simbologia dos graus aos relatos e personagens do Antigo Testamento.
Para fazer jus às suas origens aristocráticas adoptou o nome de Escocês Antigo com o acrescento de “Aceito” que ainda hoje não tem acordo unânime em relação ao de Aceite e também não tem a concordância da Grande Loja da Escócia em relação à utilização da designação de Escocês.38
O REAA, que começara sem rituais próprios nos graus simbólicos, não teve até meados do século XIX uma grande expansão e relevância nos Estados Unidos e mesmo na Europa.
Nos Estados Unidos a paranóia da conspiração dos Illuminati fomentada pelos sectores religiosos ultraconservadores, no final do século XVIII, e a perseguição aos maçons na segunda metade da década de 20 e na década de 30 do século XIX travaram a Maçonaria e o crescimento do REAA durante algum tempo.39 Mas na segunda metade do século XIX, muito pela acção de Albert Mackey, autor da lista dos 25 Landmarks habitualmente associados ao REAA e sobretudo de Albert Pike, autor de Moral e Dogma, o Rito afirmou-se, o mesmo acontecendo também na Europa a partir de França, onde Tilly tinha criado o segundo Supremo Conselho do REAA do Mundo em 1804, data a partir da qual lá começaram a ser elaborados em rituais dos Graus Simbólicos do REEA.
Noutros países vários Supremos Conselhos começaram a surgir depois, surgindo o de Portugal, a partir de uma Carta Patente emitida pelo Supremo Conselho de Brasil, criando o Supremo Conselho dos Inspectores Gerais do 33º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito para Portugal e sua jurisdição, instalado em 1844, que foi o 13º Supremo Conselho do Mundo a ser criado.
A expansão do REAA e o surgimento de um número significativo de Supremos Conselhos levou à realização de tentativas de criação formas de coordenação, uma primeira em Paris em 1836 sem consequências visíveis, e uma segunda em 1875, em Lausanne com representação de 11 Supremos Conselhos, em que se incluía uma do Supremo Conselho Português, em que foram tomadas um conjunto de decisões que em grande parte ainda hoje vigoram, entre as quais se contam:
-A revisão das Constituições de 1786, tendo como base a chamada versão latina das mesmas, com alteração em diferentes artigos e introduzindo o princípio da eleição para os cargos e limites temporais ao mandato dos Soberanos Grandes Comendadores e Grandes Oficiais;
-A adopção de um Monitor Escocês contendo especificações para os 33 graus sobre as decorações de Loja, títulos dos oficiais, palavras sagradas e de passe, jóias, etc, deixando-se para os Supremos Conselhos Nacionais a definição dos pormenores litúrgicos e rituais.
– Consagração do princípio do reconhecimento de um só Supremo Conselho por País, a partir daquela, salvaguardando a situação dos Estados Unidos em que existiam dois, o fundador da Jurisdição Sul, em Charleston, e o da Jurisdição Norte, em Nova YorK;
-A assinatura de um Tratado de União, de Aliança e Confederação dos Supremos Conselhos e de uma Declaração de Princípios do Rito.40
-A orientação de que em cada país o Supremo Conselho reconhecido deveria assumir a administração exclusiva dos graus acima dos graus simbólicos.
A ratificação das conclusões e dos tratados e declarações não foi unânime nem totalmente pacífica pelos Supremos Conselhos de vários países.
A conferência de Lausanne ficou marcada por uma larga discussão sobre o tema que hoje continua actual, a discussão sobre a obrigação de invocação do Grande Arquitecto do Universo, que apesar da polémica reinante em França e na Bélgica cujos Grandes Orientes vieram a abolir essa obrigatoriedade por a considerarem violadora da liberdade de consciência, ficou consagrada ainda que com redacções ligeiramente diferentes no tratado e na Declaração de Princípios. Posteriormente, em 1877, numa reunião em Edimburgo dos Supremos Conselhos da Escócia, da Grécia, dos EUA (Jurisdição Sul), da Irlanda e da América Central houve uma tentativa de acentuar a feição mais teísta de inspiração judaico-cristã, na linha da Grande Loja Unida de Inglaterra, que acabou por ser tacitamente aceite em nome da unidade do Rito41, ainda que com leituras mais teístas ou mais deístas conforme as influências dominantes das várias correntes religiosas nos países de que os Supremos Conselhos são originários.
Em França e ma Bélgica, e em outros países Europeus de dominância religiosa católica, as sucessivas perseguições e condenações de Roma à Maçonaria provocaram um afastamento no sentido do Deísmo ou da Religião Natural, ou mesmo no de ignorar da necessidade da crença individual do GADU. Com a junção de Supremos Conselhos de alguns países mediterrânicos, como é caso da Turquia, há hoje um grupo que reclama a afirmação do laicismo, o que não deixará de ter consequências na obrigatoriedade da invocação do GADU.42
Nos países de predominância religiosa protestante o carácter mais fortemente teísta manteve-se, pois as boas relações dessas igrejas com a Maçonaria, de que muitos pastores eram e são membros de relevo, favoreceram a vertente teísta, pelo menos no plano formal e ritual.
Para além dessas acentuações rituais diferentes, a polémica da Regularidade/ Irregularidade, que soa a saudosismo imperial e a colonialismo requentado da Grande Loja Unida de Inglaterra, reflecte-se em divisões entre Supremos Conselhos do REAA, com reuniões separadas dos que se reconhecem como regulares e dos que integram a corrente adogmática e liberal que além não obrigarem os seus membros a acreditar num “deus revelado” assumem também o reconhecimento do direito à existência da Maçonaria Feminina.
Contra o que tinha sido acordado em Lausanne, em 1875, mesmo que a ratificação dos acordos desse Convent, não tenha sido pacífica e geral, constata-se a existência de mais de um Supremo Conselho em vários países, como é o caso de Portugal, em função da separação ditada pelo “critério”? da dita regularidade/irregularidade maçónica. Situação tanto mais surpreendente quanto a declaração dos critérios de regularidade da Grande Loja Unida de Inglaterra é de Setembro de 1929, mais de meio século depois dos acordos de Lausanne e a grande Loja e o seu Rito não têm Altos Graus.
Enfim, uma interpretação peculiar da fraternidade maçónica.
Citações
21 – Machado, Frederico II O Grande, palestra proferida na reunião do Colégio de Grandes Inspetores do REAA do Sul de Minas Gerais, em Outubro de 1998, Internet http://www.polibusca.com.br/texto.aspx?idTxt=139
22-Ismail, Kennyo-A àguia Bicéfala na Maçonaria, Internet – www.noesquadro.com.br/2011/07/aguia–bicefala–na– maconaria.html
23 -Bacelar, Mário – Os 33 Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito, Editora Mandarino, 4ª edição
24 – Bacelar, Mário – Os 33 Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito, Editora Mandarino, 4ª edição
25 -Figueiredo, Joaquim Gervásio, Dicionário de Maçonaria, Googlebooks
26 – Couto, Sérgio Pereira – Sociedades Secretas, Maçonaria, Google books
27- Joton, Maurice, texto citado e Grande Oriente de Mato Grosso, Ritos Maçónicos, O REAA.
28 – http://fr.wikipedia.org/wiki/Rite_%C3%A9cossais_ancien_et_accept%C3%A9
29 -Artº 15º, 26º e 27º das Constituições de 1762. Bacelar, Mário – Os 33 Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito, Editora Mandarino, 4ª edição
30 – http://fr.wikipedia.org/wiki/Rite_%C3%A9cossais_ancien_et_accept%C3%A9
31 – http://fr.wikipedia.org/wiki/Rite_%C3%A9cossais_ancien_et_accept%C3%A9
32 – http://fr.wikipedia.org/wiki/Auguste_de_Grasse-Tilly
33 – http://fr.wikipedia.org/wiki/Auguste_de_Grasse-Tilly
34 -http://www.supremoconsejomasonicoespana.org
35 -http://www.supremoconsejomasonicoespana.org
36 -A este respeito veja-se o interessante texto FREDERICO II DA PRUSSIA E AS GRANDES CONSTITUIÇÕES DE 1786 de William Almeida Carvalho, Director da Biblioteca do GOB e da Academia Maçónica de Letras do Distrito Federal, Brasil, disponível em http://www.freemasons-freemasonry.com/6carvalho.html .
37 – Há autores que contestam o papel stuartista/jacobita na criação da Maçonaria dos Altos Graus.
http://fr.wikipedia.org/wiki/Auguste_de_Grasse-Tilly
38-Joaquim Gervásio de Figueiredo, a esse respeito, refere no seu dicionário já referenciado anteriormente que “a Grande Loja da Escócia que, para evitar o emprego abusivo desse título, declarou textualmente em 1836 “A Grande Loja da Escócia não pratica mais graus que o Aprendiz, Companheiro e Mestre, denominados Maçonaria de São João”.
39- Kristin Henley, A Maçonaria na América, documentário érie Sociedades Secretas, nº3, Filmes Unimundos, Lisboa.
40 Os interessados poderão encontrar uma versão digitalizada em espanhol do Tratado de Confederação em http://www.supremoconsejomasonicoespana.org
41 -Carvalho, William Almeida – Génese e Expansão dos Supremos Conselhos- www.freemasons- freemasonry.com/3carvalho.htm
42 – No III Encontro Euro-Mediterrânico dos Altos Graus Escoceses realizado em Istambul de 24 a 26 de Maio de 2012 (o II
realizou-se em Lisboa em 2010) com a presença dos Supremos Conselhos da Turquia, Bélgica, Líbano, Marrocos, França, Itália, Espanha, Grécia e Luxemburgo, que teve como tema “A Democracia e a Laicidade no Mediterrânio na busca de um mundo melhor em relação com a lenda do 15º Grau do REAA”. Blog El Máson Aprendiz, http://www.masoneria- liberal.com/
Contributos Para Uma Breve Estória do REA
César-RLAS Fevereiro de 2013

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











