A Escatologia
A escatologia é o estudo dos últimos eventos na história do mundo e do destino final da humanidade. Derivada do grego “eschaton” (último) e “logia” (estudo), a escatologia aborda temas como a morte, o juízo final e o fim do mundo, sendo uma parte importante da teologia e filosofia.
Ela investiga tanto as profecias que já se cumpriram quanto aquelas que ainda estão por vir, refletindo sobre os propósitos eternos de Deus para a humanidade.
A palavra escatologia só passou a ser usada a partir de 1844.
Na interpretação final, o termo significa a “ciência que estuda as últimas coisas ou doutrina das coisas finais”.
Tecnicamente, é a área da teologia que estuda os temas relacionados à morte, o estado da alma depois da morte, a “Grande Tribulação”, a segunda Vinda de Cristo, a ressurreição dos mortos,
o Juízo Final, o Céu e o Inferno, e todos os assuntos relacionados com o destino final da humanidade, todavia, a linguagem escatológica não difere muito da linguagem teológica. A teologia
é sempre segunda, nunca primeira, no nível dialético. Só existe porque há perguntas feitas à fé: primeiro tem a fé que pergunta, depois a teologia que responde; assim, a teologia é sempre uma resposta, mesmo que depois se “esqueça” das perguntas que ela responde.
Quando as perguntas se esgotam, perdem vigor e vigência, a Teologia corre o risco de “caducar”.
Teologizar, portanto, é produzir respostas às perguntas feitas à fé. É nesse contexto dialético, que aparece a escatologia como tentativa de resposta (como opção de esperança) para aqueles que debruçaram toda a sua existência, não sobre as “últimas realidades”, mas sobre a “última de todas as realidades”.
Não são os eventos futuros que realmente importam, mas o evento do “Futuro Absoluto”. O cristão de coração sábio não se debruça com curiosidade sobre os eschata (plural grego: coisas
últimas), mas sobre o eschaton (singular grego neutro: Futuro Absoluto), ou talvez mais exatamente sobre o Eschatos (singular masculino) – Jesus Cristo: plenitude ou evento escatológico
por excelência, que coloca toda nossa existência sob juízo, que diz respeito, em última instância, a nosso ser, a nosso destino definitivo.
O núcleo central da mensagem de Jesus é também escatológico, sob a forma do juízo iminente de Deus. Por isso, a figura que melhor traduz a atividade de Jesus, na sua consciência e na percepção de seus ouvintes, é a de “mensageiro escatológico”, ainda que num sentido positivo.
Em termos cristãos, a escatologia é uma disciplina holística. Ela permeia toda a revelação bíblica e contempla todas as dimensões da alma.
Moltmann justifica esta afirmação ao dizer que: O cristianismo é escatologia, é esperança, olhar e andar para frente e transformar o presente. O escatológico não é um dos elementos da
Cristandade, mas é o agente da fé cristã em si, a chave à qual tudo está ajustado […] Por isso, escatologia não pode ser apenas uma parte dadoutrina cristã. Antes, a perspectiva escatológica é uma característica de toda a proclamação cristã, de cada existência cristã e de toda a Igreja.
A Igreja Cristã nasceu envolvida pelo véu escatológico da esperança iminente da vinda do Senhor. Este ambiente se exprime pela tradição judaica, pela literatura interstamentária, pela prática
de Jesus com refeições escatológicas (eucaristia), com curas significativas, com o acolhimento dos pecadores em atitude perdoante, pelas parábolas, pelas bem aventuranças, pela oração do Pai-Nosso, pelos sermões escatológicos e pela insistência de celebrações e orações convidativas à vinda do Senhor glorioso.
Em tudo isso está presente a esperança escatológica dos primeiros cristãos.
Teologia, escatologia e ciência: resgatando os eixos de aproximação Por que a pesquisa teológica tem sido considerada, por muitos,irrelevante e desnecessária? Por que muitos consideram a curiosidade acadêmica e a pesquisa teológica inúteis à vida espiritual?
Por que a investigação, a busca pela evidência bíblica e o aprofundamento teológico têm sido tão desconsiderados por alguns segmentos da comunidade cristã?
Porque representa uma atitude dualística, sustentando a ignorância e falta de profundidade nas Escrituras. É óbvio que não devemos nos esquecer jamais que a pesquisa teológica tem o
seu limite; este limite está determinado pela declaração “Assim diz o Senhor”. Entretanto, o enfoque dualístico tenta distorcer a revelação bíblica, criando um espírito antiacadêmico, contrário
a qualquer expectativa de progresso e aprendizagem; isso ocorre porque sua ação é dificultada onde as Escrituras são analisadas, proclamadas e ensinadas,trazendo conhecimento aos
ouvintes. Portanto, quanto maior o nosso conhecimento, menor a possibilidade de sermos enganados.
Mais ainda, o conhecimento acerca de Deus constituise para nós em um fator libertador. Libertar o conhecimento é produzir a nossa própria “libertação em Cristo”.
Ninguém tem reclamado das pesquisas científicas destinadas a melhorar a saúde ou bem estar físico. Em geral, a sociedade não está apenas solicitando pesquisas científicas em diferentes áreas
como está investindo nelas grandes somas em dinheiro. Os cientistas sentem-se honrados por viverem suas vidas analisando plantas, insetos, o corpo humano, o espaço etc. [Isto] para
melhorar a qualidade de vida em nosso planeta.
Um médico pesquisador pode gastar cinco a dez horas em seu laboratório antes de descobrir a fórmula de algum remédio ou vacina; ele deverá ser chamado de fanático devido ao seu entusiasmo? Não, ele será valorizado e honrado por seu trabalho. Este trabalho não é considerado irrelevante por ser uma pesquisa científica.
Mas o mesmo tratamento não é dado ao teólogo. Se ele gasta cem mil ou mais horas fazendo um estudo profundo da palavra de Deus, é considerado um extremista ou fanático pela sua própria comunidade, sendo criticado por não dedicar esse tempo a outros “assuntos de maior importância”. Qual a razão de tamanho descaso? Cremos que se deve ao fato de que a comunidade cristã foi, ao longo da sua história, contagiada pelo “vírus” do biblicismo e espírito anticientífico.
Há muito que a teologia divorciou-se da ciência, percorrendo o seu caminho de maneira “marginal”. A escatologia, por sua vez, divorciou-se da teologia e também construiu o seu caminho de maneira “marginal”.
Uma das razões dessa separação deve-se ao fato de que as pesquisas científicas tiveram um avanço extraordinário no século XX, mas a teologia permaneceu circunscrita ao campo da ortodoxia e, consequentemente, distante do universo científico. À medida que o saber progrediu, as ortodoxias religiosas foram tornando-se menos aceitáveis, menos definíveis, menos concebíveis.
Outro aspecto que provocou a exclusão da teologia do círculo das ciências foi o seu dogmatismo que, para a ciência, tem um sentido dominador. O pesquisador de física nuclear Nabeel Kassis reforça este argumento ao dizer que “as religiões que querem dominar tudo têm a tendência de se sentir as mais questionadas pela pesquisa científica”. Portanto, a teologia divorciou-se da ciência e a escatologia divorciou-se da teologia, passando a residir nas raias do surrealismo e na imaginação popular. Esta ruptura produziu o enfraquecimento da escatologia, uma vez que esta deixou de dialogar com a teologia e a ciência: dois polos fundamentais para solidificar a “construção” do “edifício” da escatologia.
Portanto, trazer a escatologia de volta à teologia é um grande desafio; e um desafio ainda maior é estabelecer um diálogo entre a escatologia e a ciência.
O grande humanista e cientista Albert Einstein entendeu a necessidade de uma integração entre a religião e a ciência ao fazer a seguinte afirmação:
[…] ainda que os domínios da religião e da ciência estejam, por si mesmos, nitidamente demarcados, existem, contudo, entre ambos, fortes relações e dependências recíprocas. […] a ciência só pode ser criada por aqueles que estão totalmente imbuídos da aspiração pela verdade e pelo entendimento. Esta fonte de sentimento, contudo, nasce da esfera da religião. […] a ciência sem a religião é aleijada, a religião sem a ciência é cega.
Corroborando a argumentação de Einstein, Richard Block, presidente e executivo-chefe da World Union for Progressive Judaism, em Israel, sintetizou o relacionamento entre ciência e religião com a frase “E Deus disse: E = mc²”, ou seja, a Bíblia circunda a ciência e, por sua vez, a teologia. Qualquer pessoa que pretenda dizer algo de relevante sobre a Bíblia como resposta às perguntas pós-modernas não pode ignorar a informação científica e os resultados da pesquisa teológica; tampouco deve limitar-se, apenas, a um método de interpretação. Ao contrário, o espírito científico incentiva a aplicação de vários métodos, desde que o objetivo final seja alcançar a verdade.
Nesse contexto, a pesquisa histórica é de suma importância, uma vez que a história subjaz todos os métodos de interpretação bíblica devido à sua peculiaridade factual. Aplicado ao livro de Apocalipse, por exemplo, o método histórico-científico busca interpretá-lo situando-o no conflito da Igreja do primeiro século com o estado romano. Para tanto, lança mão dos fatores religiosos, culturais, sociais, políticos etc., que lhe deram origem. Uma interpretação atual, conseguida pelo preço da desinformação histórica, corre o sério risco da heresia, pois, com grande probabilidade, dirá outra coisa diferente do que João, em seu tempo, disse ou pretendeu dizer. Por isto, a interpretação do Apocalipse, bem como a dos demais escritos da Bíblia, necessita do esforço científico e da informação histórica.
É um Engano Pressupor que o Espírito Santo Menospreza a Ciência
Pelo contrário, ele a exige. Todavia, não devemos nos esquecer de que, embora a ciência explique muitas coisas relacionadas à Bíblia, ela não sabe interpretá-las. Para isto, ela necessita do Espírito Santo. A exegese científica, por si só, não chega a vislumbrar a palavra de Deus.
Estudar a escatologia é resgatar os “elos” perdidos que uniam a teologia à ciência que, em outras palavras, é a religião em essência. Cremos que é possível reconciliar a teologia com a ciência, e talvez a escatologia seja o principal agente dessa reconciliação.

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











