William Preston: Uma ilustração do homem, seus métodos e seu trabalho (I / II)
Palestra Prestoniana de 1927 (Parte I de II)
Trata-se de uma pesquisa minuciosa realizada por Gordon P. G. Hills, Antigo Venerável Mestre da renomada Loja Quatuor Coronati, Nº 2076, e Bibliotecário da Grande Loja Uni’da da Inglaterra.
O trabalho homenageia William Preston, figura central na sistematização do ensino maçônico no século XVIII.
Apresentado
originalmente como Palestra Prestoniana de 1927, o texto está dividido em duas partes que analisam sua vida, métodos pedagógicos e influência duradoura.
Destaca-se a forma como Preston organizou e difundiu o conhecimento maçônico por meio de suas obras, especialmente “Ilustrações da Maçonaria”.
O estudo revela como seu sistema de instrução transformou as lojas em escolas de moral e filosofia.
Hills examina com rigor histórico o impacto de Preston na formação da Maçonaria especulativa moderna.
A tradução foi cuidadosamente elaborada pelo Irmão Alexandre Fortes, 33º grau, membro do CIM e da ARLS Cícero Veloso nº 4543 – GOB-P.
Esta obra é um tributo ao legado intelectual e educacional que ainda inspira os maçons contemporâneos.
Um documento essencial para quem busca compreender a evolução do simbolismo e da doutrina maçônica.Deixe-me começar o meu discurso com um exemplo do carácter do irmão Preston: No momento mais desesperador da sua carreira maçónica, quando, como consequência da sua defesa dos direitos imemoriais da Loja da Antiguidade, o irmão Preston foi expulso pela Grande Loja, mas mesmo assim ele escreveu: “Para a instituição da Maçonaria, sempre terei um apego caloroso e sincero; conheço o seu valor e estou convencido da sua utilidade. À Sociedade dos Maçons Livres, professo ser um amigo verdadeiro e fiel.”.
Dez anos mais tarde veio uma reintegração igualmente honrosa para todas as partes envolvidas, e quando finalmente, depois de muitos mais anos alegremente dedicados ao serviço da Arte, essa vida útil foi encerrada, descobriu-se que o irmão Preston tinha deixado belos legados como promessas do seu apego duradouro à instituição, incluindo a fundação da Prestonian Lectureship, em cuja perpetuação tenho a honra de me dirigir a vocês esta noite.
Portanto, irmãos, agora reivindico a sua atenção enquanto me esforço para delinear, dentro dos limites de uma palestra, o que a personalidade do Irmão William Preston significa para a Arte, por meio de uma tentativa de apresentar o Homem, os seus Métodos e o seu Trabalho.
As nossas principais fontes de informação são os escritos do próprio irmão Preston e as notas biográficas daquele sincero amigo e admirador, o irmão Stephen Jones, em que extensamente de ambas as fontes eu citarei.
Além disso, disponibilizamos muitas informações prontamente acessíveis em dois belos volumes de história da Loja da Antiguidade, nos quais o Irmão Capitão Firebrace forneceu uma sequência digna aos trabalhos do Irmão Rylands. Sinto uma obrigação especial em relação às pesquisas sobre o assunto realizadas pelos irmãos Hextall e Wonnacott, ambas agora perdidas para nós, como todos os estudantes maçónicos devem lamentar. Ao irmão Songhurst, cuja ajuda sempre pronta me permitiu pegar emprestados tantos volumes raros da nossa Biblioteca Quatuor Coronati, e ao meu colega, irmão Makins, que tão prontamente me ajudou a encontrar os tesouros da Biblioteca da Grande Loja, também estou muito grato e obrigado.
William Preston nasceu em Edimburgo em 20 de Julho de 1742, o segundo filho e único filho sobrevivente de William Preston, Escritor do Signet, em exercício naquela cidade. O pai, abençoado com a vantagem de uma educação liberal, um bom estudioso de grego e latim, e creditado por seus amigos com alguma facilidade poética, alcançou uma posição reconhecida na sua profissão. Como seria de esperar, um cuidado especial foi dedicado à educação do filho.
Dizem-nos que “a fim de melhorar a sua memória (uma faculdade que lhe foi de infinita vantagem ao longo da vida), o menino aprendeu, ainda no quarto ano, alguns versos de Anacreonte no original grego, que ele foi encorajado a recitar para a diversão dos amigos do seu pai, quando a novidade dessa performance foi reforçada pelo facto de que não implicava que o jovem génio entendesse com que maravilhosa precisão ele pronunciava.”. Diz-se que, aos seis anos de idade, o jovem Preston fez tantos progressos na sua educação inglesa que lhe permitiu ingressar na Escola Secundária de Edimburgo, onde fez progressos consideráveis na língua latina. Daí ele foi para a faculdade e aprendeu os rudimentos do grego.
Enquanto estava na universidade, os seus hábitos de estudo e aptidão atraíram a atenção do Sr. Thomas Ruddiman, então considerado o estudioso representativo da Escócia, que devido à cegueira precisava de um assistente no seu trabalho, e ele deixou a faculdade para assumir as funções de amanuense, secretário deste cavalheiro, a cuja tutela ele foi entregue com a morte do seu pai em 1751. A perda de propriedades consideráveis em Edimburgo devido à má gestão dos curadores, e o envolvimento em dificuldades devido ao seu apego a amigos que abraçaram a Causa Stuart em 1745, causou reveses de fortuna e problemas de saúde que levaram à morte do mais velho William Preston. Ruddiman também tinha tendências políticas semelhantes, mas resistiu satisfatoriamente ao estresse daquela crise.
O jovem Preston foi aprendiz do irmão do seu patrono, Walter Ruddiman, sócio da sua gráfica em Edimburgo, mas passou a maior parte do seu mandato auxiliando o Sr. Thomas Ruddiman. Isso foi um grande diferencial e ampliação de suas oportunidades educacionais, pois se dedicava à leitura para o estudioso cego, transcrevendo obras ainda não concluídas e corrigindo as que estavam no prelo. Estas ocupações o impediram de adquirir grande proficiência no ramo prático da sua vocação, mas após a morte do Sr. Ruddiman ele foi para o escritório e trabalhou como compositor por cerca de doze meses, durante os quais terminou uma bela edição latina de Thomas i Kempis (em 18 meses), e uma edição da obra padrão de Ruddiman, os Rudimentos da Língua Latina, enquanto suas habilidades literárias foram posteriormente exibidas num catálogo que ele preparou da biblioteca do seu amigo sob o título Biblioteca Romana.
Assim preparado por nascimento e educação, William Preston seguiu para Londres em 1760, munido de cartas de recomendação e apresentação do seu mestre e de outros amigos para aqueles que provavelmente o ajudariam a iniciar uma carreira na metrópole do sul. Aqui a boa sorte o acompanhou, pois, ao apresentar as suas credenciais ao seu compatriota, Sr. William Strahan, o impressor do rei, ele prontamente encontrou emprego naquela gráfica, ligação mantida até o fim da sua vida. O Dr. Johnson, que mantinha uma amizade cordial com Strahan, disse que a sua gráfica era a melhor de Londres.
Uma nota biográfica na Freemason’s Magazine, de Março de 1795, refere-se a ele assim: “A saúde e a felicidade ininterruptas que o acompanharam durante meio século na capital provam que a honestidade é a melhor política, a temperança o maior luxo e os deveres essenciais da vida a sua diversão mais agradável.”. Logo após a chegada de Preston a Londres, vários irmãos maçónicos de Edimburgo desejaram fundar uma Loja sob uma Constituição da Grande Loja da Escócia. Eles foram informados de que isso não poderia ser feito, pois seria uma violação dos direitos da Grande Loja Inglesa, mas os peticionários foram encaminhados à Grande Loja dos Antigos em Londres. Este corpo concedeu aos Irmãos uma dispensa para se reunirem como Loja, e William Preston foi o seu segundo iniciado, provavelmente numa Reunião em 20 de Abril de 1763, realizada em White Hart em Strand, quando a Loja foi formalmente constituída pelos Grandes Oficiais e tornou-se o número 111 na lista dos Antigos. O Irmão Preston e alguns outros membros, insatisfeitos com o status do seu corpo governante, logo se tornaram membros de uma Loja reunida em Talbot Inn, em Strand, sob a outra Grande Loja da Inglaterra, e persuadiram os seus amigos do nº 111 dos Antigos a transferirem a sua fidelidade à Grande Loja mais antiga. Assim, sob o Grão-Mestrado de Lord Blaney e pela segunda vez, em 15 de Novembro de 1764, a Loja foi constituída de forma ampla como N°. 325 “a Loja Caledoniana”, sob cujo nome floresce como N°. 134 no rol da Grande Loja até hoje.
O irmão Stephen Jones diz-nos que as circunstâncias se combinaram para levar o irmão Preston a voltar a sua atenção para as palestras maçónicas; e explica como, para chegar às profundezas da Ciência, antes da qual não pretendia parar, não poupou esforços nem despesas.
“Onde quer que a instrução pudesse ser adquirida, para lá ele dirigia o seu curso, e com a vantagem de uma memória retentiva e uma extensa conexão maçónica, somada a uma diligente pesquisa literária, ele até agora teve sucesso no seu propósito de se tornar um Mestre competente no assunto. Para aumentar o conhecimento que tinha adquirido, ele solicitou a companhia e a conversa dos maçons mais experientes de países estrangeiros, e no decorrer de uma correspondência literária com a Fraternidade no país e no exterior, fez tal progresso nos Mistérios da Arte, que se tornou muito útil nas conexões que ele formou. Ele frequentemente foi ouvido dizer que, no ardor das suas investigações, ele explorou as moradas da pobreza e da miséria e, quando menos se esperava, adquiriu fragmentos de informações muito valiosos, em troca, temos certeza, não tinha motivos para pensar que o seu tempo ou talentos foram mal concedidos”.
O irmão Preston costumava reunir-se com os seus amigos uma ou duas vezes por semana, para apresentar a sua versão das palestras (prelecções); cujas ocasiões foram iniciadas objecções e foram dadas explicações com o propósito de melhoria mútua. Por fim, com a ajuda de alguns amigos zelosos, ele conseguiu organizar e preparar, de forma satisfatória, toda a Primeira Palestra (Prelecção).
Chegado a esta fase em 1772 organizou um Encontro de Gala para submeter o trabalho à aprovação dos Grandes Oficiais e líderes da Arte. Uma Oração que ele proferiu nesta ocasião foi tão bem recebida que ele decidiu imprimi-la e, com uma descrição dos procedimentos e outros assuntos, formou a primeira edição das suas Ilustrações da Maçonaria, que foi publicada no mesmo ano. Encorajado pela recepção bem sucedida deste primeiro empreendimento, o nosso Irmão prosseguiu com os seus planos de completar as Palestras (Prelecções) para os três Graus.
Tendo conseguido isso, foram emitidas propostas para a sua entrega como Palestras públicas sobre a Maçonaria, que aconteceram na Mitre Tavern, Fleet Street, durante 1774. Em apoio adicional a esses trabalhos revisados, um panfleto foi publicado, intitulado “Palestras Privadas sobre Maçonaria de William Preston”, dando um relato das Três Palestras que, ligeiramente elaboradas, formaram o assunto principal da Segunda Edição das Ilustrações de Maçonaria publicada no ano seguinte (1775). Enquanto isso, neste prospecto, por meio das observações preliminares dirigidas aos Incentivadores e Promotores da Maçonaria Livre, ele apresentou os seus ideais e objectivos no seguinte efeito: “Nunca subsistiu nenhuma sociedade que tenha sido erguida sobre um princípio melhor ou uma base mais sólida do que a Maçonaria… É de facto verdade que em algumas Lojas o TRABALHO DA MAÇONARIA é muito negligenciado, e pouca ou nenhuma consideração é mostrada aos princípios fundamentais da Sociedade; decorrente em parte da inexperiência e em parte da incapacidade daqueles Irmãos que têm a honra de presidi-los… Assim, os HOMENS de LETRAS foram desencorajados de prosseguir um estudo que de outra forma poderia ter se mostrado de utilidade pública, dando sanção à Sociedade e empregando o seu génio na elucidação de Mistérios, os maiores Monarcas não tiveram vergonha de aprovar.
Como a negligência se deve, em grande parte, à falta de método, que um pouco de aplicação pode facilmente remediar, o Irmão Preston é induzido a oferecer a sua assistência a TODOS OS MAÇONS REGULARES desejosos de fazer progresso na Arte… Se o Irmão Preston tiver sucesso nas suas expectativas de dar aos seus Irmãos uma ideia justa da Maçonaria, ou de promover uma uniformidade nas Lojas sob a Constituição Inglesa, ele ficará perfeitamente feliz na tentativa que fez, e não poupará esforços para cumprir fielmente os seus compromissos com todo cavalheiro que esteja inclinado a encorajar o seu projecto”.
Em anexo estavam as seguintes CONDIÇÕES.
- Cada Grau consistirá em Doze Cursos.
- Um guinéu será pago na admissão em cada curso.
- Qualquer Irmão que não seja perfeito em nenhum Grau ao término dos Doze Cursos terá o privilégio de frequentar mais seis, sem qualquer despesa adicional.
- Os livros dos Cursos serão entregues a cada Irmão no início das suas instruções.
- As instruções serão dadas três vezes por semana em horário determinado.
Já expliquei que o livro Illustrations of Masonry, do irmão Preston, teve origem na Grande Apresentação de Gala da Primeira Palestra em 21 de Maio de 1772.
A primeira edição do livro difere consideravelmente dos seus muitos sucessores e é hoje um volume muito raro. A página de título traz as seguintes linhas do Dr. Blacklock:
“O Homem cuja mente voltada para a virtude Persegue alguma intenção muito boa, Com objectivo não desviado; Sereno contempla a multidão furiosa Nem podem os seus clamores ferozes e altos, a Sua teimosa honra domar.”.
A citação é maravilhosamente adequada dadas as circunstâncias, pois, como o próprio Preston escreveu, os métodos adoptados já tinham despertado em alguns “uma aversão absoluta” pelo que consideravam inovações, e em outros “um ciúme” que os princípios da Maçonaria deveriam ter controlado.
O volume trazia o selo impresso da Grande Loja sobre as assinaturas do Grão-Mestre Lord Petre, Vice-Grão-Mestre, Vigilantes e Secretário.
No Prefácio explica-se que o primeiro desígnio era apenas publicar a Oração proferida na Reunião de Gala, mas sendo a animação repetida anualmente, alguns detalhes foram registados para servir de precedente para futuras exposições do mesmo género. Sendo o plano assim estendido para além dos limites de um panfleto, Preston explica: “Resolvi seleccionar alguns dos melhores artigos sobre o assunto que pude encontrar”.
A Segunda Edição das Ilustrações da Maçonaria apareceu em 1775, novamente com o selo de impressão do Grão-Mestre e os seus Oficiais.
Nesta edição os detalhes dos procedimentos da Grande Gala de 1772 “são inteiramente omitidos para dar lugar a assuntos mais úteis”, assim diz o prefácio, e de ser denominado um “entretenimento a repetir anualmente”, é posto de lado “por se tratar de um assunto temporário”.
O livro agora começa com “Uma reivindicação da Maçonaria incluindo uma Demonstração da sua Excelência”, que em edições posteriores passou a ser intitulada “A Excelência da Maçonaria Explicada”; em seguida, siga “Observações sobre a Maçonaria, incluindo uma apresentação das palestras”, e uma grande quantidade de matéria nova, especialmente sob o título de “História da Maçonaria na Inglaterra”, que a leva desde os dias dos Druidas até o G. M. Senhor Petre. Ênfase especial foi dada ao projecto de construção do Hall, no qual o irmão Preston teve grande interesse. Ao contrário do uso das publicações maçónicas da época, nenhuma canção, excepto aquelas cantadas na Reunião de Gala, acompanhava a Primeira Edição, mas “como a descrição daquela apresentação foi agora omitida, várias outras que geralmente são cantadas no decorrer das cerimónias foram explicadas nesta Obra”.
Na forma assim alcançada, o livro do irmão Preston alcançou o seu sucesso e fez um grande trabalho para a Arte, reunindo matéria dispersa num todo harmonioso e tornando-a geralmente disponível e, apresentando a instituição de uma maneira sublime, tornando-a aceitável mesmo para aqueles que não eram membros da Sociedade. Não há dúvida de que contribuiu muito para elevar a estima geral da Maçonaria, e embora devamos divergir de algumas das suas afirmações da história e da teoria, muitas lições úteis são inculcadas e igualmente aplicáveis aos nossos dias. Permanece, também, acima de tudo, um entusiasmo envolvente, um amor genuíno pela ordem e pelos Irmãos e pelo espírito que a permeia, que está nas próprias raízes da nossa instituição e deve sempre assegurar entre os maçons um sentimento afectuoso de gratidão ao nosso digno Irmão pelo seu trabalho.
O livro teve doze edições em inglês durante a vida do seu autor e, então, sob a direcção do irmão Stephen Jones e finalmente do Dr. Oliver, alcançou a décima sétima edição em inglês em 1861. Foram publicadas também a partir de 1776 traduções para o alemão, reedições americanas (1801, etc.) e uma tradução para o holandês até 1848, mas nenhuma edição em francês parece ter sido necessária. Na Arte Inglesa era frequentemente dado aos iniciados e tornou-se um bem quase indispensável da Loja, ficando apenas atrás do V. L. S. e o Livro das Constituições. Cópias antigas evidenciam, pelo seu estado bem manuseado, o seu uso constante para leitura das antigas lições na abertura e no fechamento da Loja.
Durante o Grão-Mestrado do Duque de Beaufort (1767-1771), o Irmão Preston foi contratado pelo Grande Secretário para auxiliar na organização dos Regulamentos Gerais da Arte e na revisão da correspondência estrangeira e nacional. Isso o levou mais tarde a ser nomeado Assistente ou Grande Secretário Adjunto com um salário de 20 libras por ano (à época) sob o comando do Irmão Heseltine em 1769. Este cargo não equivalia a Grande Ofício, mas o nome de Preston foi associado aos dos Grandes Oficiais como “Impressor da Sociedade”; mesmo assim, ele executou a parte principal da correspondência secretarial, lavrou actas, participou de comissões, completou e corrigiu os calendários com a história de ocorrências notáveis e preparou um Apêndice Histórico ao Livro das Constituições publicado em 1776. Todo esse trabalho deu-lhe acesso a fontes especiais de informação que ele pôde recorrer em boa conta em assuntos históricos introduzidos nas edições posteriores das suas Ilustrações.
O Irmão Preston participou activamente dos procedimentos como membro do Comité Hall da Grande Loja, e a este período pertencem suas subscrições de 20 libras (á época) ao Fundo Hall e quantias semelhantes à Caridade Maçónica para Meninas.
Ele renunciou ao cargo de secretário no Natal de 1777.
Fora da Arte Maçónica, o irmão Preston prosperou no seu negócio como impressor e corrector de imprensa em conexão com a empresa do Sr. William Strahan, em cuja morte em 1785 ele recebeu uma anuidade de 30 libras vitalícios (à época) e assumiu o cargo de leitor-chefe e superintendente do filho, Sr. Andrew Strahan, quem sucedeu nos negócios. É claro que a sua capacidade literária era considerável. Dizem-nos:
“A sua habilidade crítica como corrector de imprensa levou os literatos a se submeterem à correcção de estilo: e tal foi o sucesso de William Preston na construção da linguagem, que os mais ilustres entre eles o homenagearam com a sua amizade com cópias de apresentação na sua biblioteca, incluindo nomes como Robertson, Hume, Gibbon, Johnson e Blair deram testemunho”.
Dentro da Ordem, como vimos, o Irmão Preston havia agora alcançado uma posição honrada, ou o que ele teria chamado de posição “verdadeiramente respeitável”, e era conhecido por suas diversas actividades num amplo círculo enquanto a Ordem existia. Ele frequentou várias Lojas de Instrução para propagar o seu sistema. Ele já havia sido Mestre de diversas Lojas quando circunstâncias, que devemos considerar com algum detalhe, o levaram à Presidência da Loja da Antiguidade (Lodge of Antiquity).
Entre aqueles que tomaram um papel de liderança na assistência ao Irmão Preston na sua Apresentação de Gala da Palestra do Primeiro Grau em 1772 estava o Irmão John Bottomley, Mestre da Loja dos Grandes Comissários na época, que foi Mestre da Loja da Antiguidade de 1771 a 1774, quando o comparecimento era muito fraco e a Loja em péssimas condições. Outro membro foi o irmão John Noorthouck, que ingressou em 1771, foi Primeiro Vigilante de 1772 a 1774. A filiação do irmão Bottomley datava de 1768.
O Irmão William Preston
O irmão Noorthouck, filho de um conhecido livreiro londrino de origem holandesa, tinha uma vida muito semelhante à do irmão Preston, na verdade, como ele, em grande parte empregado dos Strahans, e alguns anos depois recebeu uma anuidade de 20 libras (à época) com a morte do Strahan mais velho, quando 30 por ano foram deixados para “meu actual superintendente” William Preston.
Esses dois irmãos, Bottomley e Noorthouck, conceberam a ideia de introduzir o irmão Preston na Loja da Antiguidade para recuperar a sua fortuna por meio das suas actividades e zelo.
O Irmão Preston parece já ter participado de uma reunião da Loja da Antiguidade em Fevereiro de 1772, como visitante vindo da Loja da Prosperidade, quando em 2 de Março de 1774 foi proposto como membro associado. Ele foi devidamente eleito Membro em 1º de Junho, quando não estava, no entanto, presente, e por isso não foi, como frequentemente afirmado, eleito membro e Mestre da Loja no mesmo dia. Foi no próximo Encontro da Antiguidade, no dia 15 de Junho, que fez a sua primeira presença como Deputado e foi homenageado pela eleição para Presidente.
Sob o comando de Preston, a prosperidade da Loja foi rapidamente restaurada. Ele ficou muito impressionado com a importância da sua posição como Mestre da primeira Loja sob a Constituição Inglesa e se jogou de corpo e alma no trabalho no que ele concebeu ser os melhores interesses da Loja. Ele estudou os seus registos passados e tentou estabelecer uma posição pela qual as prerrogativas mais completas de uma Loja agindo por constituição imemorial pudessem ser preservadas intactas sob a sua fidelidade à Grande Loja. Infelizmente, as actividades deste novo membro não encontraram a aprovação dos mesmos que foram responsáveis por sua introdução, e quando o descontentamento do seu partido dentro e fora da Loja se transformou num ataque ao Irmão Preston, encontramos o Irmão Noorthouck escrevendo para reclamar que
“o Irmão Preston, depois de não apenas ser admitido, mas honrado com a Cátedra de Mestre, reuniu-se numa sucessão de jovens maçons, transferindo totalmente todo o poder da Loja para ele e o seu novo conhecido e permitindo que ele mantivesse a posse da Cátedra de Mestre por três anos e meio… Durante esse tempo, o Irmão Preston manteve reuniões semanais privadas desses jovens Irmãos, sob o nome de Loja de Instrução, em cujas reuniões, ele ocasionalmente, como os seus memorialistas foram informados, propagava questões de poderes originais peculiares que residiam na sua Loja, isentos da autoridade da Grande Loja, pretensões das quais os seus Memorialistas e os outros Antigos Membros da Loja nunca antes tiveram qualquer ideia… .”
Parece pouco generoso que o Irmão Preston seja culpado por manter o título de Venerável Mestre durante um período de três anos e meio felizes e prósperos, quando o seu antecessor, o Irmão Bottomley, ocupou a Cátedra por um período exactamente semelhante sob as circunstâncias deprimentes que prevaleciam na Loja. A versão do Irmão Noorthouck sobre os procedimentos fala por si, e é divertido notar que ele evidentemente não compareceu à Loja de Instrução, pois o seu procedimento era apenas boato para ele e os seus amigos. Que as palestras não eram do seu gosto e pode ser claramente demonstrado por sua carta ao Mestre, sucessor do Irmão Preston, nesta crise, na qual ele escreveu: “Sou apenas um estudante obtuso e desajeitado nas minhas respostas, mas, no entanto, afirmo ter algum POUCO conhecimento dos PRINCÍPIOS da Ordem: e estes vão além dos meros catecismos, que exigem apenas uma mente desapegada com uma memória retentiva”.
Evidentemente, o trabalho do irmão Preston com as palestras e os poderes de memória incomodavam o irmão Noorthouck.
Em uma reunião em Outubro de 1776, Preston recebeu os agradecimentos da Loja por ter mantido a precedência da Loja da Antiguidade nº 1 numa Loja que ele havia visitado, onde ela havia sido contestada por um membro da Loja dos Stewards, então nº 60. A opinião do irmão Bottomley como P. G. Stwd. não aparece.
Podemos concluir, então, que havia uma corrente de dissensão dentro e fora da Loja esperando apenas por uma oportunidade para desabafar. O pretexto surgiu quando alguns dos Irmãos da Loja foram à Igreja de St. Dunstan, Fleet Street, para celebrar o Dia de São João, 27 de Dezembro de 1777, ouvindo um sermão do seu Capelão. Eles vestiram as suas Roupas Maçónicas na Sacristia e sentaram-se juntos no mesmo banco; um, pelo menos, Preston por seu próprio relato, chegou atrasado e vestiu as suas Roupas Maçónicas quando entrou no banco reservado. Eram apenas alguns passos do outro lado da rua até os aposentos da Loja na Mitre Tavern, pois a Igreja então se projectava na estrada consideravelmente ao sul da sua posição actual, e então, após o serviço, o Mestre perguntou se eles deveriam tirar as suas roupas ou usá-las para ir à taverna? Preston conta-nos que ele disse: “Eu certamente deveria, eu não tinha vergonha disso, eu estava então investido e não deveria me desfazer até que os trabalhos maçónicos do dia estivessem concluídos… Assim, retornamos à taverna com jóias e roupas como representantes da Loja, precedidos pelos funcionários paroquiais, mas sem nenhuma procissão formal como maçons”.
Os irmãos Noorthouck e Bottomley não estavam presentes, mas eles e os seus amigos alegaram que os procedimentos constituíam uma procissão pública de maçons com as suas vestes maçónicas (paramentos maçónicos), e fizeram disso o assunto de reclamação à Grande Loja. Infelizmente, o irmão Preston tentou justificar o que, na pior das hipóteses, era um mero erro de julgamento alegando direitos inerentes peculiares à Loja da Antiguidade. Não devo agora tentar expor a história do que se seguiu; fazê-lo adequadamente e fazer justiça a todos os envolvidos é uma longa história e de forma alguma agradável, e tem tanto a ver com a história da Loja, em cujos registos pode ser seguida, quanto com o nosso irmão. É com o irmão Preston que estamos lidando agora, e para resumir o assunto, eu diria que não há margem para dúvidas de que ele foi tratado de forma muito dura e injusta. Foi pela sua defesa dos direitos da Loja, como ele os concebeu, que ele sofreu; por si mesmo, ele não teve consideração, ele estava simplesmente determinado a não ser parte da traição da confiança daqueles privilégios imemoriais. Mesmo assim, a sua teoria era incompatível com a fidelidade à Grande Loja, como a sequência demonstrou claramente.
Procedimentos e formulários foram forçados contra Preston e os seus apoiantes, e finalmente, em 29 de Janeiro de 1779, eles foram expulsos pela Grande Loja. Ainda pior estava por vir, pois por sua acção em continuar a Loja independentemente e em aliança com a Grande Loja de Toda a Inglaterra em York, e ainda mais por se formarem numa nova Grande Loja para a Inglaterra ao Sul do Rio Trent, os infractores pareciam ter se colocado irremediavelmente além de qualquer chance de reconciliação futura.
As duas partes da Loja da Antiguidade seguiram os seus vários caminhos, e o Irmão Preston resumiu a sua versão do caso num panfleto datado de 3 de Junho de 1778, intitulado “Estado dos Factos”, no qual, apesar do seu recente tratamento severo, ocorrem aquelas palavras memoráveis que citei no início da minha palestra: “À instituição da Maçonaria, sempre terei um apego caloroso e sincero. Conheço o seu valor e estou convencido da sua utilidade. À Sociedade dos Maçons Livres, declaro-me um amigo verdadeiro e fiel”.
Na sua declaração, o Irmão Preston alega ter introduzido até trezentos iniciados na Ordem, e prossegue: “Estou empregado há mais de quatorze anos no estabelecimento de um sistema para a honra da Sociedade, no curso do qual consultei os melhores autores, antigos e modernos. Tenho agora na minha posse extractos de mais de dois mil volumes sobre o assunto. Pretendo organizá-los sob o título Adversaria, e publicar sob sanção, com algumas observações superficiais; mas acredito que a presente disputa efectivamente frustrou a minha intenção”. Outra “obra que há muito tempo tenho em contemplação” foi “Um resumo de todas as leis que subsistiram desde o estabelecimento da Grande Loja”. Um panfleto muito hostil do outro lado, Anedotas Maçónicas do Pequeno Salomão: um Cuidado à Fraternidade, apareceu por volta de 1788.
O nosso Irmão participou das actividades da sua secção da Loja da Antiguidade e da breve existência da recém-constituída Grande Loja para o Sul, mas evidentemente a reviravolta dos acontecimentos veio como um duro golpe e decepção. De facto, certa vez ele até decidiu dar “um completo adeus à Sociedade”. Por isso, descobrimos que ele não frequentava a Loja há mais de um ano quando, em 17 de Outubro de 1781, a sua renúncia foi apresentada, e noutros aspectos as suas actividades maçónicas estavam em suspenso, de modo que, como seu biógrafo curiosamente comenta, ele foi capaz de “direccionar a sua atenção para as suas outras actividades literárias que podem ser razoavelmente consideradas como tendo contribuído mais para a vantagem da sua fortuna”.
Enquanto isso, a Loja entrou em águas muito baixas, mas, por fim, os apelos sinceros dos seus amigos e, sem dúvida, o interesse caloroso que ele sentia pela Loja prevaleceram sobre ele para se juntar novamente. Isso foi em 23 de Outubro de 1786, e pela segunda vez a Antiguidade foi revivida pela ascensão do Irmão Preston às suas fileiras.
Esse interesse renovado no Ofício levou à organização de um esquema especial pelo qual o Irmão Preston determinou propagar o seu Sistema de Palestras, o chamado “renascimento” da Antiga e Venerável Ordem de Harodim, que era, na verdade, uma digna Loja de Instrução para dar as suas Palestras, inaugurada por uma Reunião na Mitre Tavern, Fleet Street, em 4 de Janeiro de 1787.
A Loja da Antiguidade aderindo à Grande Loja passou por suas vicissitudes, mas quando, numa Reunião em 2 de Dezembro de 1789, encontramos o Irmão Preston participando como visitante, um final feliz para a divisão estava em vista, pois Preston e os seus amigos, tendo feito um pedido de desculpas à Grande Loja “significando a sua preocupação de que, por meio de deturpação, eles deveriam ter incorrido no desagrado da Grande Loja … às Leis às quais estavam prontos para se conformar”, haviam sido restabelecidos e restaurados os seus privilégios na Maçonaria apenas um mês antes, como o próprio Preston reconheceu, “da maneira mais bela”. Depois disso, em Novembro de 1790, a reunião das duas Secções da Loja da Antiguidade foi realizada de forma mais auspiciosa.
Na nossa análise da carreira do irmão Preston até este ponto, revisamos alguns dos seus trabalhos e abordamos muitos dos seus métodos em geral, mas agora considerarei um pouco mais detalhadamente o que está registado da sua própria apresentação das palestras e o seu assunto.
Do seu próprio relato da maneira como a primeira Palestra foi proferida na Grande Gala em 1772, podemos ver que ele não poupou esforços para tornar a cerimónia tão impressionante quanto possível, e os acessórios musicais, tanto vocais quanto instrumentais, são particularmente dignos de atenção. A primeira edição das Ilustrações fornece detalhes completos com uma planta da sala que indica, além dos arranjos cerimoniais, uma ampla acomodação de mesa para o refresco líquido com o qual os brindes foram devidamente honrados.
A Loja foi aberta na devida forma por ordem do Grão-Mestre na Presidência, com o Irmão Preston oficiando como Mestre.
O Primeiro Vigilante ensaiou as Antigas Obrigações sobre a Gestão do Ofício (Craft) em Trabalho e depois leu as Leis para o Governo do Ofício Maçónico (Craft), seguidas do Brinde.
O irmão Preston fez o seu discurso, lançando assim a pedra fundamental das suas futuras Ilustrações da Maçonaria.
Brinde. O GRÃO-MESTRE é agraciado com Toques de Trombeta (trompas).
As Seis Secções da primeira Palestra foram então ensaiadas acompanhadas de canções, duetos e música instrumental com os brindes apropriados.
“O Rei e o Ofício (Craft)”, que foi homenageado com um “Floreio de Trombetas”.
No encerramento da Secção VI, uma Obrigação sobre o Comportamento dos Maçons (Charge on the Behaviour of Masons) foi ensaiada pelo irmão Preston, e então veio o brinde. Que as virtudes cardeais com os grandes princípios da Maçonaria sempre nos distingam; que sejamos felizes em nos encontrar, felizes em nos separar e felizes em nos encontrar novamente, seguido pelo Canto do Aprendiz, o primeiro verso, alterado para uma forma um pouco mais digna para a ocasião: Venham, vamos nos preparar, Nós, irmãos que estamos reunidos em nobres ocasiões: Vamos ser felizes e cantar, Pois a vida é uma Primavera Para um Maçom livre e aceito.
Então, o irmão Preston regista, “o Grão-Mestre na Cadeira expressou a sua grande aprovação da regularidade de todo o processo.” “A Loja foi fechada e os Grandes Oficiais precedidos pelos Stewards para a ocasião, e assistidos por várias personagens respeitáveis adiaram para o jantar, um entretenimento elegante foi fornecido às custas dos Stewards, e a noite foi concluída com a maior alegria e festividade”. Não havia, é claro, nenhuma novidade nas Palestras ou no uso do catecismo, que em dias antes dos livros estarem disponíveis era o único meio de transmitir instrução geral nas Artes e Ciências. Os antigos métodos pelos quais o lado especulativo ou teórico do Ofício havia sido ensinado, sobreviveram no “Trabalho” da Loja, embora, como as exposições demonstram, muito degenerados e rapidamente aproximando-se de um mero resíduo de testes e palavras de ordem. Também houve endereços, acusações, elogios como os que estavam conectados com os nomes dos Irmãos Oakley, Martin Clare, Dunckerley, Edmondes, Wellins Calcott e muitos outros. Palestras sobre Arquitectura e Geometria, Ciências e outros assuntos interessantes eram dadas em Lojas nas quais havia membros de alto nível intelectual.
A prevalência de tais costumes é confirmada pelas críticas do combativo Grande Secretário dos Antigos no seu Ahiman Rezon (1764) nesta data, onde ele reclama que, entre os Modernos degenerados, o antigo costume de estudar Geometria na Loja provavelmente daria lugar ao uso, em vez de materiais adequados, de uma boa faca e garfo nas mãos de um irmão hábil, e o uso dos globos poderia ser ensinado e explicado, entre os Modernos degenerados, tão clara e brevemente em duas garrafas quanto nos globos de 28 polegadas de diâmetro do Sr. Senex.
As Actas da Loja da Antiguidade de 1756 em diante registam Palestras em vários Graus, como quando (1757) “O Mestre deu uma palestra extraordinariamente alegre” ou (1762) quando “O R. V. M. teve o prazer de nos favorecer com uma Nobre Palestra no Terceiro Grau” ou a do Primeiro (1763) “foi dada de uma maneira mais Excelente e Explícita”, o que pode ser comparado a extractos de muitos outros antigos Livros de Actas.
O irmão Preston não inventou palestras, mas deu continuidade às antigas tradições, esforçando-se para corrigir, refinar e ampliar os antigos trabalhos, unindo palestras, discursos e elogios num sistema completo, de acordo com o seu método.
As Actas da Loja da Antiguidade registam uma apresentação da Palestra do Terceiro Grau com acompanhamentos musicais numa escala semelhante à configuração da primeira Palestra. Neste caso, no entanto, o Irmão Preston oficiou como Governante Chefe e foi apoiado por seus 1° e 2° Governantes Assistentes.
Para os Irmãos que não estudaram o assunto, os nomes dos principais Oficiais podem sugerir um passo além do Terceiro Grau, mas no trabalho antigo, como realizado pela Loja da Antiguidade e exemplificado na Loja da Promulgação e por sua propaganda, assim que os Irmãos provaram ser Maçons, os principais oficiais se tornam para isso, e para o Grau mais alto, um Governante Chefe e 1° e 2° Governantes Assistentes em vez de Venerável Mestre e Vigilantes. Estes usos desapareceram sob o funcionamento da Loja da Reconciliação.
Este é o único registo desta elaborada cerimónia sendo trabalhada que ocorre nas Actas da Antiguidade.
Nem o Irmão Bottomley nem o Irmão Noorthouck estavam presentes.
Foi quando, encorajado por seus amigos, o Irmão Preston decidiu retomar a sua actividade maçónica em que as suas Palestras receberam a elaboração completa do seu cenário no método do Capítulo Harodim. Dizem que o nosso Irmão “reviveu” a Antiga e Venerável Ordem de Harodim, isto é, de Harods ou Governantes, mas ainda temos de determinar a sua origem, possivelmente a cerimónia de ser “libertado de Harodim”, ainda nominalmente existente, pode apontar para uma fonte, mas devo deixar essa questão de lado por enquanto, nem posso me deter nos detalhes da sua organização, que são definidos em detalhes completos no Plano e Regulamentos da Grande Ordem de Harodim impressos em 1791. Foi descrito por um fervoroso defensor como uma “instituição que certamente reivindica respeito e merece encorajamento; na medida em que, enquanto preserva toda a pureza antiga da Ciência, refina o veículo pelo qual é transmitida ao ouvido; como um diamante não é menos diamante, mas é realçado no seu valor, por ser polido”.
O Capítulo Harodim morreu por volta de 1801, tendo servido ao seu propósito como um meio de propagar a versão das Palestras do Irmão Preston, que naquele período eram regularmente trabalhadas na Loja de Instrução anexa à Loja da Antiguidade e apresentadas nas Reuniões da Loja.
Resta-me brevemente delinear o que foram essas famosas palestras. As próprias Palestras de Preston necessariamente cobrem muito do terreno daquelas com as quais estamos familiarizados hoje, mas há uma boa dose de diferença em ‘Assim definimos as saudações amigáveis que confiamos entre os maçons’, e ‘Assim demonstramos esta verdade que aos olhos dos maçons as belezas do Céu nunca são ocultadas’.
A cláusula 5 define a chave que abre os nossos Tesouros e que todo Irmão fiel carrega consigo.
SECÇÃO II. em seis Cláusulas conduz o Iniciado da preparação até o fim da Obrigação: a verborragia e a ordem do assunto, e há, além disso, porções consideráveis que não têm correspondentes exactos hoje.
A Primeira Aula consiste em Seis Secções, a Segunda em Quatro, e a Terceira Aula é prolongada para não menos que Doze Secções. Cada Secção é ainda subdividida em Cláusulas.
Cada uma das três palestras é precedida por parágrafos de dissertações preliminares que foram publicados nas Ilustrações e que aparecem impressos em conexão com o funcionamento das palestras em voga hoje.
Após tal introdução, a primeira palestra começa no método usual de perguntas e respostas, e somos ensinados: Que um Maçom nunca é sábio demais para aprender que os sábios buscam conhecimento e mais viajam para encontrá-lo do Oeste ao Leste.
O Mestre é colocado no Leste.
Porque sempre foi, continua sendo e sempre será a situação do Mestre quando ele age nessa capacidade.
“Por que ele foi colocado ali?” e outras perguntas surgem: Porque o Homem foi criado ali à Imagem do seu Criador; ali também se originaram o conhecimento e a aprendizagem, e ali as artes e as Ciências começaram a florescer… Outros homens podem ganhar conhecimento por acaso ou acidente, mas os maçons devem adquiri-lo, caso contrário, não podem obter promoção… o melhor uso é feito pelos maçons porque o conhecimento que adquiriram eles irão melhorar para a melhor vantagem, e, portanto, uma vez melhorado, eles evidentemente o dispensarão para o bem geral.
As cláusulas 2, 3 e 4 tratam de assuntos familiares e a última amplia o simbolismo do Sol nas suas várias estações. O 2° Vig. “colocado no Sul na altura 12 (do Meio-dia) convida os Irmãos para a sombra fresca, para lá desfrutarem de descanso e refresco.” No Oeste, o Terceiro Grande Objecto Natural é “ainda o Sol numa cena igualmente agradável se pondo no Oeste, fechando o dia e embalando, por assim dizer, toda a natureza para repousar”.
O 1° Vigilante rende a cada irmão a justa recompensa por seus méritos, para que ele possa desfrutar de um repouso confortável, além dos melhores efeitos da tarefa honesta, quando aplicados correctamente.
Cada cláusula termina com um resumo como o que está anexado a este: Assim demonstramos a nossa posse regular dos segredos incalculáveis e inestimáveis da Maçonaria e as vantagens derivadas da fiel observância deles.
SECÇÃO III. em seis Cláusulas continua a Cerimónia. Na Cláusula 3: A Vestimenta Antiga de um Maçom é descrita como luvas brancas e avental de couro branco, o primeiro denotando Pureza e o segundo Inocência, ambos considerados como o emblema da Inocência e o vínculo da Amizade.
Na próxima cláusula, a vantagem de lançar uma pedra fundamental é explicada: se a devastação do tempo ou da violência destruir toda a superestrutura, esta pedra, quando descoberta, provará que tal edifício existiu, o nome do seu fundador e o propósito da sua construção.
Como isso pode se aplicar ao recém-chegado do Nordeste? Porque se a influência da virtude cessar de operar em meio à corrupção dos homens e à depravação dos costumes, os princípios originais que foram impressos na sua mente naquele local nunca serão obliterados, mas o protegerão dos perigos da infecção e preservarão o seu coração imaculado na corrupção geral do mundo. As cláusulas 5 e 6 atravessam o discurso do Mestre ao Candidato e à Obrigação: Os maçons vivem para melhorar e melhorar para desfrutar. Assim, a admiração que é excitada pela exibição de talentos e virtudes é uma sensação agradável; a curiosidade é gratificada ao marcar os passos da fortuna; as visões dos homens são ampliadas ao traçar os efeitos da conduta e o coração é melhorado quando contempla os princípios de onde procedem as boas acções.
Na SECÇÃO IV:
A cláusula 1 se refere aos métodos dos egípcios, as grandes luzes. Na cláusula 2, a forma da Loja, um paralelogramo, é explicada.
As cláusulas 3, 4 e 5 tratam da Localização, da situação do edifício e a sua construção, da cobertura do edifício e os seus suportes, levando à descrição da Escada Mística na Cláusula 6.
Na SECÇÃO V:
As três primeiras Cláusulas explicam os ornamentos internos, os móveis e as jóias, a quarta a Dedicação da Loja e as duas divisões finais exemplificam a questão da natureza dos encargos.
Na SECÇÃO VI:
Cláusula 1, aprendemos que nos encontramos no nível e parte no esquadro, e onde encontrar um irmão.
As cláusulas 2, 3 e 4 tratam do Amor Fraternal, Alívio e Verdade, as Virtudes Cardeais, e na Cláusula final, Dia, Noite e o como o Vento na Maçonaria são considerados.
As dissertações sobre Amor Fraternal, Alívio e Verdade que apareceram nas Ilustrações são familiares aos trabalhadores das palestras de hoje.
Somos ensinados com relação ao Mestre que: O Mestre deve ser saudado com homenagem e respeito como Mestre da Arte, vestido com Vestes Reais de azul, roxo e escarlate, para que por este testemunho ele possa exibir a sua habilidade e talento diante do mundo… Com a graça apropriada ele receberia tudo isso…, mas a Loja tão logo formada, ele deixaria tudo de lado pelo Distintivo da Inocência e Amizade.
A SEGUNDA PALESTRA é dividida em QUATRO SECÇÕES
As Cinco Cláusulas da Primeira SECÇÃO tratam do progresso do Companheiro desde a sua preparação até à sua responsabilidade no canto Sudeste da Loja. Na Segunda SECÇÃO, a Cláusula 1 trata do número de Graus, o estabelecimento da Ordem, qualificações e serviço.
Na Segunda Cláusula “definimos a loja mantida e o número do qual ela foi originalmente composta”, e alguns pontos interessantes surgem: A Loja no 1º grau é dita ser reunida porque há uma assembleia de todos os graus da ordem virtualmente representados.
A Loja no 2º grau é dita ser reunida porque somente uma delegação da Loja Geral pode ser autorizada a manter tal Loja, e nenhum Aprendiz Inscrito tem permissão para se reunir.
Cinco são necessários para manter uma Loja de Franco-Maçons, três Mestres Maçons e dois Companheiros Franco-Maçons que representam todos os ausentes do 2º e 3º Graus e fazem alusão à divisão da Ciência em cinco ramos e aos cinco anos empregados na aprendizagem dos rudimentos dessas Ciências, que era o tempo fixado para constituir uma Loja de Franco-Maçons; há também uma alusão aos cinco sentidos (visão, audição, tacto, olfacto e paladar), pois eles são os canais pelos quais os objectos externos são obtidos e, como os sinais na linguagem natural, têm o mesmo significado em todos os climas e em todas as nações.
O lugar do Mestre da Loja (VM) é no Leste, onde ele denota a Sabedoria, representada pela coluna que tem a luz no Leste, que era antes de todas as coisas e está sobre todas as obras da Criação.
A Cláusula 3 trata de Geometria.
A Cláusula 4 com O Levantamento das Ordens [de Arquitectura]. e a Cláusula conclusiva exemplifica os “Cinco Sentidos”.
A TERCEIRA SECÇÃO inclui cinco Cláusulas dedicadas a:
- Aulas no Templo.
- Períodos de trabalho e divisão do Tempo.
- Os dois grandes pilares.
- A escadaria e a fundação do sistema.
- O Símbolo Sagrado no centro da Loja.
A QUARTA SECÇÃO tem a intenção de exemplificar as Ciências como simbolizadas no Templo; e as cinco Cláusulas ilustram:
- A descrição geral do Templo.
- O Templo religiosamente considerado.
- O Templo moralmente considerado.
- O Templo cientificamente considerado levando à origem do actual estabelecimento na sua construção.
Várias dessas Secções contêm uma grande quantidade de matéria desconhecida à qual somente uma citação ampla poderia fazer justiça.
A TERCEIRA PALESTRA, de acordo com a 2ª Edição das Ilustrações do Irmão Preston, consistia em Doze Secções. Mais tarde, a sua matéria parece ter sido reorganizada para ser composta por sete Secções. A duração da palestra deve ser contabilizada pela inclusão da Cerimónia de Instalação, Consagração de uma Loja e funções públicas além da História Lendária e cerimónias reais do Grau.
O Trabalho é muito cerimonioso e lento no desenvolvimento; os títulos principais devem ser suficientes para o nosso propósito actual. Uma Secção introdutória é sucedida pela SEGUNDA SECÇÃO, que contém uma História da Ordem, em sete Cláusulas, de carácter muito especulativo:
- História da corrupção da Humanidade.
- Progresso da Instituição para remediar ou prevenir essa corrupção.
- Remédios adaptados a cada um desses males.
- Quais tipos foram adoptados para ensinar a natureza da nossa Alma.
- Como o Sistema da Sociedade foi purificado na construção do Templo.
- Organização da Sociedade na construção do Templo.
- Explica como o Sistema foi adulterado desde aquele período.
Nas SECÇÕES III e IV, cada uma das sete Cláusulas, a História do Grau é apresentada num método que, embora aumente consideravelmente o recital, não acrescenta materialmente às informações.
A SECÇÃO V, em sete Cláusulas, novamente trata do Mistério do Terceiro Grau, a Loja, Ornamentos, Tábua de Delinear, Degraus, Circunvoluções, queda e elevação.
A SECÇÃO VI trata do Governo da Sociedade na Constituição e Consagração de uma nova Loja, explicação das jóias e Instalação de Mestres.
A SECÇÃO VII se refere a Cerimónias públicas, a Colocação de uma Pedra Fundamental, Dedicação de um Salão Maçónico, Serviço de Enterro de um Maçom, com a conclusão da História do Terceiro Grau.
E agora, com mais algumas palavras sobre o nosso próprio Irmão, devo encerrar as minhas observações.
O irmão Preston foi por muitos anos editor do London Chronicle e, como foi mencionado, desde 1804 um sócio da firma que ele serviu tão bem. Foi dito que ele poderia ser designado um “pioneiro na literatura”, tendo conduzido através da Imprensa da casa de Strahan algumas das obras mais celebradas dos escritores do século XVIII. Ele certamente foi um pioneiro no seu trabalho maçónico.
Um excelente Retrato do Irmão Preston no auge da vida foi pintado por Samuel Drummond e gravado mais de uma vez. Ele apareceu na Freemasons’ Magazine de 1795 para ilustrar a nota biográfica do Irmão Stephen Jones. Esta gravura omite a jóia do Past Master de 1778 que apareceu no original; mostra um belo rosto intelectual com uma boca determinada. Outro retrato em giz de cera, que estava pendurado na sua sala de estar na época da sua morte, retrata-o um pouco mais suavizado pelo tempo, com uma expressão muito feliz, e há ainda outra pintura a óleo de Drummond, da qual foram publicadas gravuras, uma imagem muito agradável dos seus últimos dias mostrando-o como um velho cavalheiro cheio de vigor e alerta, da qual gravuras apareceram na European Magazine, 1811, e em edições subsequentes das Illustrations of Masonry. Os originais nos dois últimos casos estão em posse da Lodge of Antiquity (Loja da Antiguidade) no Freemasons’ Hall.
A Loja também tem um busto de gesso baseado numa máscara mortuária, tirado dois dias após a morte de Giannelli, de Snow Hill, sob a supervisão do Irmão Sir F. C. Daniel.
Os últimos anos do irmão Preston na Maçonaria estavam ligados à história da Antiguidade, à qual ele serviu tão diligentemente até que problemas de saúde limitaram os seus poderes. A partir de 1790, ele foi eleito anualmente Vice-Mestre, excepto quando outro assumiu o seu lugar por motivo de doença em 1802 e 1807, e quando em 1809 o Duque de Sussex aceitou o título de Mestre, ele nomeou-o seu Vice-Mestre. Foi em 1813 que William Preston, Cidadão e Escritor, fez o seu Testamento, quando os seus legados maçónicos de 500 libras (à época) para a Escola de Meninas, a mesma quantia para o Fundo Geral de Caridade e 300 libras (à época) para fundar a Presto’an Lectureship, mostraram a ele, como ele havia professado, o verdadeiro e firme amigo do Ofício Maçónico até o fim da sua vida.
A sua última presença na Loja da Antiguidade foi na Reunião de Instalação, em 17 de Janeiro de 1816.
Após uma doença de quase cinco anos, o irmão Preston faleceu na sua residência, nº 3 Dean Street, Fetter Lane, em 1º de Abril de 1818. O funeral ocorreu na Catedral de St. Paul, onde ele foi enterrado em 10 de Abril. Um aviso apreciativo na Gentleman’s Magazine termina descrevendo o funeral como “da mais bela descrição … Em consequência da chuva, as órfãs pertencentes à Freemasons’ Charity em St. George’s Fields não puderam seguir em procissão, mas se reuniram na Igreja sob os cuidados do Tesoureiro … e retornaram à casa do falecido, onde compartilharam vinho e bolo”.
Vamos encerrar com uma citação de uma carta que o Mui Venerável Grão-Mestre daqueles dias, Sua Alteza Real o Duque de Sussex, dirigiu-se à Loja da Antiguidade em 1813, transmitindo uma apreciação pelo Irmão Preston e um elogio ao seu exemplo igualmente aplicável para nós hoje: “Há muito tempo a Loja da Antiguidade é notável por seu zelo na Maçonaria, e essa Loja e o Ofício são muito gratos à diligência e ao exemplo do meu digno Irmão, Past Master Preston, cujo nome deve ser querido por todo admirador e simpatizante da nossa antiga Ordem. Portanto, só tenho a recomendar que você siga os seus passos, quando eu puder antecipar o mais glorioso Resultado”.
Gordon P. G. Hills, Antigo Venerável Mestre – Loja Quatuor Coronati, Nº 2076; Bibliotecário da Grande Loja.
Tradução do Irmão Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-P

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











