O Sentido: O Tato - Reflexões sobre a Percepção e a Sabedoria Maçônica
Se me perguntassem, há alguns anos, qual dos cinco sentidos considerava mais relevante para a formação maçônica, eu certamente apontaria a visão – pela luz – ou a audição – pela palavra. O tato, confesso, parecia-me um sentido menor, quase instintivo, associado à simples fisicalidade do toque, desprovido da profundidade simbólica que os outros sentidos carregavam.
Foi essa percepção limitada que se desfez quando iniciei esta investigação, e compreendi que o tato – o mais primitivo e, paradoxalmente, o mais íntimo dos sentidos – é, na verdade, o veículo através do qual o maçom aprende a reconhecer não apenas a textura da pedra, mas a aspereza da própria alma.
Ao mergulhar no simbolismo do tato, fui surpreendido pela constatação de que ele não se limita à percepção física do frio, do calor, da rugosidade ou da lisura – ele é, antes de tudo, uma metáfora para o discernimento e a sensibilidade que o obreiro deve cultivar em sua jornada.
Através dele, aprendemos a tocar a "pedra bruta" que somos, identificando as arestas a serem polidas, as imperfeições que necessitam de correção, e o trabalho incessante de desbaste que nos conduz à pureza.
Percebi, então, que o ato de tocar não é passivo, mas profundamente ativo: ao estender a mão para o outro, o maçom não apenas sente a presença do irmão, mas também oferece o próprio ser, num gesto de fraternidade que transcende a palavra e se enraíza na carne.
Neste artigo, compartilho as reflexões que esta pesquisa despertou em mim acerca do tato como sentido fundamental para a Maçonaria – um sentido que me ensinou que o aperfeiçoamento moral não se conquista apenas com o olhar ou com a escuta, mas com o toque honesto e atento sobre o mundo e sobre os outros.
Convido o leitor a acompanhar-me nessa redescoberta, pois o tato, uma vez compreendido em sua plenitude, revela-se não apenas uma porta para a percepção física, mas um caminho para a verdadeira amizade, para a solidariedade silenciosa que nos une, e para a sabedoria que se aprende quando se tem a coragem de tocar e deixar-se tocar pelo que há de mais profundo em cada ser.

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