O pensamento, a palavra e a ação no aperfeiçoamento do maçom
a) Resumo preliminar do texto base
O texto base apresenta a tríade fundamental do pensamento, da palavra e da ação como elementos integrados que devem estar alinhados com os mais altos ideais e convicções do maçom. O pensamento deve ser “reto”, isto é, orientado pelo esquadro do juízo, visando o bem, o belo e a verdade.
As palavras precisam ser medidas com rigor para evitar que expressem paixões negativas, ressentimentos ou ilusões, sendo guiadas pela benevolência e sinceridade.
Finalmente, as ações devem estar em harmonia com pensamentos e palavras, guiadas pelas leis morais da equidade e da justiça, simbolizadas pelo uso do esquadro horizontalmente para as palavras, e verticalmente para os pensamentos, e complementadas pelo nível e prumo para as ações.
b) Pesquisa histórica sobre o trinômio pensamento, palavra e ação na maçonaria regular
Historicamente, a tríade pensamento, palavra e ação tem raízes profundas no simbolismo maçônico, associada à construção do “Templo interior” do iniciado. A origem desses conceitos remonta às práticas das corporações de pedreiros medievais, onde o rigor técnico e a precisão da obra refletiam valores morais de retidão, honestidade e responsabilidade, conceitos estes transpostos para a Maçonaria especulativa do século XVIII.
Segundo Albert Pike em Morals and Dogma (1871), o esquadro simboliza a retidão do pensamento e da conduta moral, e o rigor em medir palavras e atos é fundamental para a integridade do maçom. O pensamento positivo, livre das ilusões e das paixões desordenadas, é a base para um discurso e uma ação corretos, conformes à luz da verdade e do bem.
Nicola Aslan destaca que o controle da palavra, simbolizado pelo esquadro sobre a garganta, é uma prática ética fundamental, pois “a palavra manifesta a verdade do coração” e deve refletir a sinceridade e o ideal do indivíduo. A linguagem é instrumento para a construção da harmonia entre os homens, devendo ser usada para edificar, jamais para destruir.
O uso do esquadro (para medir palavras e pensamentos), do nível (para equilibrar as ações) e do prumo (para alinhá-las à vertical da verdade) constitui uma simbologia complementar que expressa a coerência interna que o maçom deve cultivar, conforme ressaltado por Joaquim Gervásio de Figueiredo e Armando Righetto.
c) Opiniões contrárias
Nem todos os autores concordam na rigidez dessa tríade. Carlos Torres Pastorino e Frederico G. Costa apontam que a prática do controle absoluto dos pensamentos e palavras pode gerar um formalismo excessivo, que inibe a espontaneidade e a autenticidade do indivíduo.
Alguns críticos afirmam que a busca de uma linguagem sempre benevolente e positiva pode tornar-se um ideal inatingível e até hipócrita se não acompanhada de um trabalho interno profundo, alertando para o risco de censura interna que cause repressão emocional ou intelectual.
Paulo S. R. Carvalho também lembra que o equilíbrio entre sinceridade e benevolência é delicado e que a verdadeira maestria no uso da palavra só pode ser alcançada com maturidade emocional e intelectual, e não apenas por rigor simbólico.
d) Doutrina mais aceita na maçonaria regular
A doutrina amplamente aceita, conforme defendida por autores como Leon Zeldis, Joaquim Gervásio de Figueiredo, e Rizzardo da Camino, sustenta que o domínio consciente do pensamento, da palavra e da ação é condição sine qua non para o progresso do maçom.
O pensamento deve estar ancorado na Verdade e no Bem, evitando as ilusões e paixões negativas. A palavra deve ser uma expressão sincera do coração, sempre medida pelo esquadro da justiça e da benevolência, e as ações devem se manifestar em harmonia com esses dois, guiadas pelo nível e prumo, para garantir retidão e equilíbrio.
Esta tríade é o fundamento do compromisso maçônico, que promove a harmonia entre o que se pensa, fala e faz, evitando contradições que comprometam a integridade moral do iniciado.
e) Integração do texto base com a pesquisa
O texto base esclarece a importância do pensamento, da palavra e da ação como um trinômio imprescindível à vida do maçom, e essa perspectiva é fundamentada e enriquecida pela pesquisa histórica e doutrinária da Maçonaria Regular.
A metáfora do esquadro que “mede” os pensamentos e as palavras, apoiando-se sobre a garganta, tem profunda base simbólica e prática, reforçada pelo entendimento dos grandes estudiosos que afirmam que a coerência entre esses três aspectos é vital para a construção do “Templo interior”.
As críticas e ponderações apresentadas enriquecem o debate, mostrando que a prática desse domínio deve ser acompanhada de maturidade e flexibilidade, para não transformar a busca em um rigorismo opressivo.
Assim, a maestria no trinômio pensamento, palavra e ação torna-se um exercício diário e consciente, indispensável para que o maçom progrida na senda da luz e da perfeição moral.
Autor Ivair Ximenes Lopes
Referências bibliográficas
Pike, Albert. Morals and Dogma. 1871.
Aslan, Nicola. Ritual e Iniciação. Ed. Aurora.
Figueiredo, Joaquim Gervásio de. Dicionário Maçônico. Ed. A Trolha.
Righetto, Armando. Simbolismo Maçônico. Ed. Maçônica.
Zeldis, Leon. A Maçonaria Explicada. Ed. A Trolha.
Carvalho, Paulo S. R. Maçonaria e Tolerância.
da Camino, Rizzardo. A Tradição Maçônica e sua Filosofia Iniciática. Ed. Madras.

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MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
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