O Ritual Maçônico na Inglaterra e nos Estados Unidos
P. Qual é o costume na Inglaterra relacionado á distribuição e manutenção da forma padrão do ritual maçônico? Existem muitas variações na prática dos Estados Unidos, gostaríamos de saber como você compara as duas práticas.
R. A Grande Loja Unida da Inglaterra não publica e nem dá autorização a qualquer forma específica de ritual, seja escrita, impressa ou falada. Por muitos anos, antes da União das duas Grandes Lojas rivais, em 1813, foram feitos esforços nos bastidores no sentido de uni-las.
Em 1809, o premier da Grande Loja (Modernos) deu o maior passo nessa direção, pela formação da loja de Promulgação, 1809-1811. Seus associados consistiam sete Grandes Oficiais seniores daquele ano, junto a um certo número de Irmãos eleitos, todos estes considerados peritos nos temas ritualísticos.
A tarefa deles era estudar os Landmarks, as práticas esotéricas e recomendar as mudanças que seriam feitas no ritual, trazendo-o para uma forma que deveria ser aceita por ambos os lados.
Em 7 de dezembro de 1813, vinte dias antes da união, a Loja de Reconciliação foi reconhecida pelos modernos, e um corpo similar foi erguido no mesmo dia (por Desígnio) para os Antigos. Quando da União, em 27 de dezembro de 1813, com a combinação dos dois corpos, o principal dever era ensinar e demonstrar as cerimônias oficialmente adotadas. A parte o Grão-Mestre e outros oficiais seniores das duas Grandes Lojas, agora os principais afiliados consistiam de 18 peritos em ritual e procedimentos, i.e., nove apontados por cada lado.
Documentos remanescentes da época posterior á união indicam que o ritual da Reconciliação não era idêntico às recomendações da Promulgação, visto algumas mudanças terem sido feitas, porém, nenhuma cópia do material novo e aprovado foi impressa. Em Londres, a Loja de Reconciliação deu várias demonstrações para o grande público representativo tanto das Lojas de Londres quanto das Provinciais, e foi fechada em 1816.
Depois, alguns dos peritos tomaram para si a tarefa de demonstrar as novas formas rituais às Lojas da área de Londres, fazendo o mesmo em visitas às Províncias. Isso foi, é claro, um processo muito lento, e considerando que nenhuma versão oficial havia sido impressa com base de instrução, os numerosos modos de trabalho hoje existentes por toda a Inglaterra alcançaram grau verdadeiramente notável de padronização. Sem dúvida, existem poucas diferenças na fraseologia, no modo de comunicação dos sinais e alguma variação marcante nas “palavras” do Terceiro Grau.
Ocasionalmente, no norte e no oeste da Inglaterra existem amplas variações, grande parte das quais em virtude da retenção da práticas antigas, por exemplo, “Trabalho de Bristol”, porém, mesmo com essas exceções, pode ser dito que o padrão de uniformidade é muito alto, especialmente quando nos lembramos de que a Grande Loja não interfere nessas questões, além de não exercer controle oficial.
An Exposure of Freemasonry
O primeiro ritual posterior à união a aparecer impresso foi An Exposure of Freemasonry, por Richard Carlile, que era o tipógrafo e editor do semanário The Republican, Ele foi um personagem pitoresco, livre-pensador e grande ativista em favor da liberdade de imprensa. Carlile não tinha sobretudo, respeito pelas pessoas, servindo-se dos baixos termos dos presídios para publicar “jornalecos escandalosos, ímpios, blasfemos e profanos”.
Seus rituais para os Graus do Ofício, em Lições e seus próprios comentários, começaram a aparecer semanalmente em seções do The Republican, a partir de 8 de julho de 1825, quando ele ainda estava preso.
O texto de sua publicação espúria era extremamente interessante, porém, a série como um todo era um grosseiro ataque à Maçonaria. Seu ritual, tosquiado do material antimaçônico, foi publicado como The Manual of Freemasonry, em 1831, 1836 e 1843, alcançando uma rápida venda.
O primeiro ritual “respeitável” posterior à união foi publicada por George Claret em 1838, sem aprovação oficial, é claro. Ele havia comparecido a pelo menos seis encontros da Loja de Reconciliação, atuando como candidato aos três graus em uma daquelas demonstrações. Clarets Ritual (121 páginas) foi impresso em linguagem clara, com traços e pontos para indicar palavras e letras necessariamente omitidas. Seu livro alcançou numerosas edições e foi indubitavelmente o ancestral da maioria dos “pequenos livros azuis” usados hoje na Inglaterra.
Os dois formulários que orgulhosamente reclamam para si a posição mais próxima da forma adotada em 1813 são reconhecidos como Emulação e Stability. Estes, juntos com outras versões mais modernas, têm aparecido publicados, sendo todos prontamente adquiridos por maçons (e frequentemente por não-maçons) nos comércio maçônico.
O Ritual de Emulação aprovado por seu corpo de governantes, a Loja de Emulação e Aperfeiçoamento, não foi publicado antes de 1969, embora existiam muitas versões não autorizadas durante o século XIX que reivindicaram estar estritamente de acordo com o trabalho de Emulação.
No século XIX, e também em tempos mais recentes, a opinião amplamente sustentada era a de que o trabalho de Emulação se encontrava favorecido pela Grande Loja. Essa sensação pode ter surgido porque a Emulação é certamente uma das formas mais antigas a possuir seu próprio corpo governante, existente desde 1823, contudo, nem esse nem outro trabalho tem endosso oficial. Todos foram impressos em linguagem simples, com omissões nos pontos apropriados, sendo que elas apenas apresentam pequenas diferenças na fraseologia e nas instruções.
A manutenção das “formas padronizadas” é algo amplamente buscado por meio das Lojas de Instrução, em encontros cujo objetivo é o ensaio, normalmente realizados uma vez por semana.
O ponto de vista da Grande Loja sobre os costumes do ritual não é precisamente explicado no Livros das Constituições. De fato, a palavra “ritual” nem aparece nele.
Entretanto, a Regra 155 diz:
Os membros presentes em qualquer Loja devidamente reunida tem indubitável direito de regular seus próprios procedimentos, desde que estes estejam em conformidade com as leis gerais e regulamentos do Ofício.
O Regulamento, como posto, é um tanto obscuro em relação à prática ritual, porém sua relevância foi esclarecida no Year Book, por meio das decisões da Comissão de Propósitos Gerais sobre Pontos de Procedimento.
P. O Mestre está encarregado de decidir qual ritual será praticado durante seu ano de Ofício?
R. A Regra 155, do B. Of C., declara que a maioria da Loja regulará os procedimentos.
A questão foi alterada no Year Book de 1966, encontrando-se hoje na Information for the Guidance of Members of the Graft, p. 35:
P. O Mestre está encarregado de decidir qual procedimento será praticado durante seu ano de Ofício? (itálicos são meus)
Contudo, a resposta permanece a mesma. Em efeito, o ritual nas Lojas inglesas é tratado como um assunto puramente doméstico, em todos os seus objetivos e propósitos, embora a Grande Loja certamente possa intervir em casos de qualquer inovação considerada indesejável.
Estados Unidos
Para proveito dos Irmãos alheios à comparação dos costumes dos Estados Unidos, foram acrescentadas as seguintes anotações.
As várias Grandes Lojas em muito diferem quanto a suas abordagens dos métodos de instrução e difusão. Na Pensilvânia e na Califórnia todos os rituais, manuscritos ou impressos, estão proibidos e a instrução segue meramente de “boca a ouvido”.
Quem quiser ser Oficiante de uma Loja deve comparecer ao ensaio até obter proficiência naquilo que escutar. Entretanto, na maioria das jurisdições, rituais impressos (assim chamados de monitores) são permitidos, publicados pela autoridade da Grande Loja e, é claro, sendo oficialmente reconhecidos.
Alguns poucos, como nossos Rituais ingleses, se encontram em linguagem bem clara, mas com lacunas. Outros estão em códigos de duas letras, i.e., as primeiras duas letras de cada palavra. Existem alguns em códigos de uma letra, ou seja, a primeira letra de cada palavra. É desnecessário dizer que esses códigos representam grande dificuldade para olhos
Outro código, particularmente mais cômodo de ser lido, usualmente dá as duas ou três principais consoantes de cada palavra, por exemplo, que para qualquer. Várias jurisdições usam os códigos junto tipo de cifra geométrica, que, apesar não ser assim tão difícil, é assustadora á primeira vista.
A Grande Loja do Estado do Kansas publica um ritual contendo a maioria de seu material em código e, adicionalmente, distribui um guia com, literalmente, muitas das lições e Escrituras. Parece ser essa a prática de várias Grandes Lojas.
A uniformidade das práticas é assegurada pela indicação de “Grandes Instrutores”, cada um encarregado de grupo “controlável” de Lojas.
Na Inglaterra podemos, talvez, descrevê-los como “Grandes Preceptores”, pois sua principal tarefa não é dar palestras, mas supervisionar as Lojas sob seus cuidados, garantindo que não se desviem do trabalho oficial. Os preceptores realizam a tarefa por meio de “Exemplificações”, ou seja, ensaios completos, inclusive em nível de paramentos, nos quais participam todos os Oficiantes das Lojas. Ocasionalmente, os Oficiais de um “Distrito” inteiro (variando de cinco a quinze Lojas) participam da exemplificações, quando uma primeira equipe fará parte da cerimônia e, depois de comentários e correções do Grande Preceptor, outra equipe continuará a partir do ponto em que a primeira parou.
A Seção 355 dos Regulamentos da Grande Loja de Massachusetts pode ser citada como exemplo normal de procedimento:
É dever de cada Grão-Mestre Adjunto Distrital reunir as Lojas de seu Distrito pelo menos uma vez a cada dois anos, no sentido de realizar uma Exemplificação Distrital do trabalho e das lições, sob a supervisão de um dos Grandes Instrutores, a menos que, por uma justa causa, seja dispensado pelo Grão-Mestre.
Digno de atenção é que, em muitas jurisdições, os Grandes Instrutores são “compensados” por seus serviços mediante fundos providos tanto pela Grande Loja, quanto pelas Lojas sob sua supervisão.
Se a uniformidade das práticas rituais é avaliada como um objetivo em si mesmo, os métodos adotados pelas autoridades maçônicas dos Estados Unidos, para preservar suas formas particulares, são extremamente efetivos.
Se a uniformidade é considerada salvaguarda contra Lojas, as quais individualmente se entregam á confusão, modificando “trabalhos” que podem facilmente levá-las a toda sorte de práticas indesejáveis, então o zelo pela uniformidade também poderá ser inteiramente justificável.
Entretanto, na Inglaterra, a despeito do alto grau de padronização geral, o zeloso visitador de Lojas frequentemente se estressa em relação a uma determinada palavra, frase ou ação; vendo sempre algum pequeno procedimento costumeiro sendo conduzido de maneira inteiramente diferente daquela feita em sua própria Loja. Essas variações, que dão uma espécie de tom local e personalidade ao trabalho, são sempre interessantes e freqüentemente admiráveis, devendo existir pouca dúvida se elas são os melhores argumentos contra a padronização.

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











