A Batalha de Curupaiti: A Lição Sangrenta da Tríplice Aliança
A Batalha de Curupaiti, travada em 22 de setembro de 1866, constitui-se como um dos episódios mais sombrios e decisivos da Guerra do Paraguai. Mais do que um simples revés militar, a batalha foi uma lição brutal de tática e logística, representando a mais severa derrota da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) em todo o conflito.
O cenário que antecedeu o confronto era de otimismo desmedido por parte dos aliados.
A vitória na Batalha de Curuzu, entre 1 e 3 de setembro, havia inflado o moral das tropas. Sob o comando do general Manuel Marques de Sousa, o Visconde de Porto Alegre, e com o apoio decisivo do bombardeio da Marinha Imperial Brasileira, chefiada pelo Almirante Tamandaré, as forças aliadas conseguiram expulsar os paraguaios e capturar o forte de Curuzu.
No entanto, em uma decisão que se provaria crucial, Porto Alegre optou por não perseguir o inimigo em sua retirada para o próximo ponto forte, Curupaiti, alegando, entre outros fatores, o desconhecimento do terreno.
Essa hesitação concedeu ao presidente paraguaio, Francisco Solano López, e a seu brilhante engenheiro, o tenente-coronel José Eduvigis Díaz, o tempo necessário para transformar Curupaiti em uma fortaleza quase impenetrável. Enquanto os aliados se reorganizavam e confabulavam, cerca de 5.000 soldados paraguaios trabalharam incansavelmente para cavar trincheiras profundas, erguer paliçadas de madeira e posicionar a artilharia com precisão mortal em um terreno pantanoso e acidentado.
Confiantes e subestimando as defesas inimigas, os comandantes aliados, incluindo o próprio comandante-geral Bartolomé Mitre, planejaram um ataque frontal direto.
No amanhecer de 22 de setembro, uma força de assalto de aproximadamente 20.000 soldados aliados avançou, precedida por um bombardeio naval que se mostrou completamente ineficaz. A barragem de artilharia não conseguiu abalar as defesas paraguaias, pois as balas de canão simplesmente se enterravam no solo macio das trincheiras, causando poucos danos.
Quando a infantaria avançou, encontrou um terreno lamacento que dificultava a movimentação e uma saraivada de fogo concentrado. Os soldados foram ceifados em fileiras pelos rifles e pela artilharia paraguaia, que os aguardavam em posições privilegiadas. O combate foi um massacre unilateral. Em poucas horas, a Tríplice Aliança sofreu baixas catastróficas, estimadas em cerca de 4.000 homens entre mortos e feridos, enquanto as perdas paraguaias foram mínimas, não ultrapassando 50 baixas.
A derrota em Curupaiti teve consequências profundas. Ela enterrou o otimismo inicial da Aliança e demonstrou a incapacidade de seus comandantes de adaptar suas táticas à realidade da guerra. A guerra de movimentos rapidamente deu lugar a um longo e desgastante cerco, estendendo o conflito por mais quatro anos. E, ironicamente, foi de uma derrota tão avassaladora que surgiu um dos maiores símbolos de bravura paraguaia: o tenente-coronel José Eduvigis Díaz, o arquiteto da defesa, foi condecorado e celebrado como um herói nacional.
Portanto, Curupaiti não foi apenas uma batalha perdida. Foi um choque de realidade que redefiniu os rumos da Guerra do Paraguai, tornando-se um testemunho eterno do custo da arrogância militar e da eficácia de uma defesa bem planejada.

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- MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
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