O Passe Mediterrâneo e a Ordem de Malta
A Ordem de São Paulo e a Ordem de Malta:
Caminhos de Preparação e Realização Espiritual na Tradição Maçônica
Introdução
A Maçonaria, enquanto escola iniciática, preserva em seus graus e ritos as lições das antigas ordens cavalheirescas e religiosas. Entre essas, destacam-se a Ordem de São Paulo (também conhecida como a Passagem do Mediterrâneo) e a Ordem de Malta, ambas guardiãs de ensinamentos profundos sobre a jornada do espírito. Enquanto a primeira simboliza um estágio de preparação e purificação, a segunda representa a realização e a ação no mundo. Juntas, elas ilustram o perfil do maçom como um peregrino em busca da Verdade.
I. A Ordem de São Paulo: A Passagem do Mediterrâneo
A tradição maçônica associa a Ordem de São Paulo ao momento de transição entre a vida profana e a vida espiritual plena. Seu nome remete à jornada do apóstolo Paulo, que, após sua conversão, atravessou o Mediterrâneo para difundir os ensinamentos cristãos. Esse simbolismo é essencial para compreender o papel dessa ordem como preparação interior.
O Simbolismo da Travessia
O Mediterrâneo, na alegoria maçônica, representa o mar da ignorância que deve ser atravessado para alcançar a iluminação.
Assim como Paulo foi “arrebatado ao terceiro céu” (2 Coríntios 12:2), o maçom é convidado a transcender suas limitações materiais.
A Preparação do Neófito
A Ordem de São Paulo ensina a disciplina, a humildade e o autoconhecimento, fundamentais para ingressar em estágios mais elevados.
Seus rituais enfatizam a morte simbólica do ego, preparando o iniciado para a verdadeira missão cavalheiresca.
II. A Ordem de Malta: A Missão no Mundo
Se a Ordem de São Paulo é o caminho, a Ordem de Malta representa a ação. Historicamente, os Cavaleiros de Malta eram guerreiros e monges, combinando espiritualidade e serviço à humanidade — princípios que ecoam na Maçonaria.
A Herança Hospitalária
A Ordem de Malta surgiu como uma irmandade dedicada a cuidar dos peregrinos e doentes, simbolizando o dever maçônico de caridade.
No Rito Escocês Antigo e Aceito e em outros ritos, o grau de Cavaleiro de Malta reforça a ideia de proteção aos fracos e o combate à tirania.
A espada do cavaleiro não é apenas arma, mas símbolo do discernimento e da luta pela justiça.
A cruz de Malta, com suas oito pontas, representa as oito bem-aventuranças e a obrigação de viver com honra.
III. A União das Duas Ordens na Jornada Maçônica
A Maçonaria sintetiza esses dois aspectos:
São Paulo lembra que, antes de agir, o maçom deve purificar-se e estudar.
Malta ensina que o conhecimento deve ser aplicado em benefício da humanidade.
Essa dualidade reflete os pilares da Sabedoria, Força e Beleza:
Conclusão
A Ordem de São Paulo e a Ordem de Malta são, assim, estágios complementares na evolução do maçom. A primeira prepara o espírito, a segunda o lança ao mundo como um guardião da Luz. Que todo irmão, ao atravessar seu “Mediterrâneo interior”, encontre em Malta a coragem para cumprir sua missão, lembrando sempre que:
“O verdadeiro Templo não é de pedra, mas de ações elevadas.

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











